André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Finalmente, a música deu as caras no Rock in Rio

Este será um post curto. São 3h30 da manhã e o show de Stevie Wonder está terminando.

 

Estou há quase nove horas na frente da TV, sete delas submetido a Legião Urbana sinfônico, Baile do Simonal, Kesha e Jamiroquai.

 

Só tenho uma pergunta: será tão difícil assim montar um festival de música? Será que a música só não basta?

 

Será que alguém saiu do show de Stevie Wonder comentando sobre o telão, o cabelo dele ou o figurino? Alguém perguntou se Stevie Wonder cuspiu fogo, bebeu sangue ou saltou de tirolesa?

 

Tenho certeza que não.

 

Na verdade, foi ótimo o Rock in Rio ter colocado Stevie Wonder no mesmo dia da OSB tocando Legião, da Kesha e do Jamiroquai. Assim, o público pôde perceber mais claramente a diferença entre um artista genial e uma montanha de enganações.

 

A noite de ontem foi uma provação.

 

Tivemos de aturar a verdadeira missa campal que foi a versão sinfônica da obra de Renato Russo, os exageros performáticos da ótima Janelle Monáe, a new rave de Kesha – ou “Claudia Leiite possuída pelo Manowar”, como disse o sábio leitor William Ifanger – e, finalmente, 90 minutos de um soporífero chamado Jamiroquai, num show que fez o público da grade, pela primeira vez na história, pedir café aos seguranças.

 

Tudo isso para, no final, pintar um sessentão sentado num piano e mostrar que ninguém mais está a fim de ser enganado.

 

Estou morto, vou dormir. Sexta tem Shakira e Lenny Kravitz.

 

E para quem quiser acompanhar, vou continuar comentando o RiR no twitter (@Andrebarcinski). Só não prometo ficar acordado até o fim da Shakira. Boa noite!

Escrito por André Barcinski às 03h36

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Por que prefiro Claudia Leitte a Lenny Kravitz

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Atenção, você que vai ao Rock in Rio: quem acha que nada pode ser pior que Claudia Leitte voando pelo ares ou Milton Nascimento cantando “Love of My Life”, prepare-se: sexta tem Lenny Kravitz.

 

Lenny Kravitz é o estágio mais rasteiro do pop rock, um produto infinitamente mais pernicioso que todos os axés e sertanejos românticos somados.

 

Porque Claudia Leitte é exatamente o que aparenta: uma artista überproduzida, moldada por pesquisas de mercado, como uma margarina ou algum lançamento imobiliário. Claudia Leitte não engana ninguém (mesmo assim, continuo esperando, em nome da reciprocidade, Neil Young e Radiohead no carnaval de Salvador).

 

Já Lenny, não. Lenny vende autenticidade, mas exibe aquele verniz publicitário da fajutice. Lenny Kravitz é um “poseur” da pior espécie.

 

Só para fazer uma analogia bacteriológica: Se Claudia Leitte fosse uma bactéria, seria um bacilo do tétano, que pode te contaminar se você furar o dedo num prego enferrujado. Mas é um perigo visível, sempre à mostra, e, por isso, fácil evitar.

 

Já Lenny Kravitz seria a escherichia coli O104:H4a bactéria mortal que se esconde em legumes. Quando você acha que está ingerindo um alimento saudável, como uma alface fresquinha ou um pepino recém-colhido, na verdade está envenenando seu organismo.

 

A música de Lenny Kravitz é uma pasta insossa de funk, rock e soul, moldada em laboratórios e agências de propaganda para ser a mais asséptica e inofensiva possível. É música estrategicamente produzida para esconder a própria falsidade.

                         

Como performer, ele é um zero à esquerda: cantor medíocre, carisma zero. Faz caras e bocas ensaiadas e tem o sex-appeal de ator de comercial de desodorante.

 

E o suingue da figura? Já viu o quadro “Blacks Without Soul”, do filme “Amazonas na Lua”? Toda vez que vejo Lenny Kravitz lembro o filme. Saca só:

 

 

Tenho uma teoria: desconfio que Lenny Kravitz seja um Michael Jackson às avessas. Na verdade, ele é um branquelo sueco chamado Gunnar, que fez mil operações plásticas para ficar parecido com o Sly Stone.

 

Sexta, quando ele entrar no palco da Cidade do Rock, pode apostar: você verá uma banda multiétnica, que mais parece um desfile de modelos, com cabelos cuidadosamente bagunçados e um figurino escolhido a dedo nos brechós mais caros do mundo. Tudo para soar autenticamente retrô. Ainda prefiro a Claudia Leitte voando.

Escrito por André Barcinski às 07h53

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Ô Kurt, cadê meus "direito"?

Finalmente saiu em DVD o show que esperei 20 anos para ver. Ou melhor, para rever: Nirvana ao vivo no Paramount, em Seattle, na noite de halloween de 1991.

 

Vi o show todo da frente do palco. E tenho prova: dê uma olhada no trecho de 03:20 a 03:34. Tem um mané de suéter escuro – e cabelo! - no centro do fosso dos fotógrafos. Sou eu.

 

O show inteiro está no Youtube, em sete partes. Comecei a vê-lo e simplesmente não consegui parar. Vou encomendar meu DVD urgentemente.

 

Rever o show foi emocionante. E algumas coisas me chamaram a atenção...

 

Em primeiro lugar, o despojamento do teatro e das pessoas. Vários técnicos, amigos e integrantes das bandas de abertura – Mudhoney e Bikini Kill – andam pelo fundo do palco, sem nenhum técnico ou segurança para encher o saco.

 

O teatro não tem um único logotipo de empresa ou anúncio de refrigerante. Se fosse hoje, certamente haveria algum totem de operadora de celular no meio do palco.

 

A banda não tem cenário, apenas um pano branco no fundo. Ninguém está usando figurino escolhido por um personal stylist. Nada do que os três fazem no palco parece ensaiado ou estrategicamente pensado para causar impacto. Tudo soa espontâneo e imprevisível.

 

A maneira como o show é filmado também é muito diferente do que nos acostumamos a ver hoje. Nada de gruas fazendo malabarismos ou edição frenética de imagens. Quem se move aqui é a banda, não as câmeras.

 

No palco, o Nirava é fantástico. Não vi os shows no Brasil, mas assisti ao Nirvana várias vezes e todas foram memoráveis. Mas esse show do Paramount foi o melhor de todos.

 

E Dave Grohl? Como é que um sujeito toca tanto com uma bateria tão minimalista?

 

E o som da banda? Estou cansado de ir a shows e ouvir todo mundo comentando da produção, do cenário, do figurino, dos fogos de artifício e dos lança-chamas. Saudades de quando shows não pareciam espetáculos da Broadway...

 

Enfim, rever o Nirvana no Paramount foi um presentão. Em época de Rock in Rio, então, parece coisa de outro planeta.

 

P.S.: R.I.P. Redson, pioneiro e ícone do punk brasileiro

 

Muito triste com a notícia da morte de Redson, 49, líder do Cólera.

 

Vi o Cólera muitas vezes, sempre foi uma grande banda ao vivo. E Redson foi uma das figuras mais importantes da cena punk nacional.

 

Fica aqui a homenagem, com um trecho deles no saudoso “Musikaos”, da TV Cultura. Aproveite:

Escrito por André Barcinski às 07h51

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Cantar rock é fácil; falar sobre rock, nem tanto

 

 

 

 

 

 

 

 

Todo mundo anda malhando a cobertura que o Multishow vem fazendo do Rock in Rio. Especialmente a do domingo, a noite do heavy metal.

 

Fãs de rock – e fãs de metal, mais ainda – são seres extremamente proprietários e possessivos, que costumam ficar ofendidos se você não sabe o nome do pai do baixista do Nightwish.

 

O que tenho ouvido mais são comentários do tipo “como é que eles põem apresentadores que não sabem nada do assunto?”

 

Concordo com a maior parte das críticas à cobertura. Mas acho que o problema maior não é dos apresentadores, mas da produção mesmo.

 

Fazer TV ao vivo deve ser dificílimo. Nunca fiz, mas imagino o pepino que deve ser encher lingüiça por horas enquanto a Rihanna ajeita o cabelo no camarim.

 

A solução, pelo menos na minha opinião, seria dividir essa responsabilidade com outras pessoas, para tirar um pouco do peso dos ombros dos apresentadores.

 

Por que a emissora, em vez de deixar Didi Wagner e Luisa Michelletti sozinhas no estúdio, não coloca especialistas para elas entrevistarem?

 

Nos últimos 15 ou 20 anos, essa função sempre ficava com algum veterano da MTV, gente como Kid Vinil, Fabio Massari, Gastão ou Edgard Piccoli, que conhecem música e poderiam falar por horas sobre o assunto, de improviso.

 

Claro que o Multishow, hoje, apela a um público-alvo bem mais jovem. Então a solução seria achar uma moçada novinha, bonita e que saiba do assunto.

 

Imagine que legal seria ter uma headbanger gata comentando os shows do domingo? Alguém que soubesse TUDO sobre a Tarja Turunen e conhecesse todas as letras do Angra? Por que não ter uma pessoa dessas por dia?

 

Assistindo à transmissão, fico até com um pouco de pena dos apresentadores. Didi e Luisa são bonitas, simpáticas e claramente demonstram ter um bom conhecimento sobre a maioria das atrações. Mas ficam ali, vendidas, tentando passar o tempo da maneira mais atraente possível.

 

Percebe-se claramente o alívio na cara das moças quando elas têm alguém para entrevistar.

 

A situação de Beto Lee é ainda mais difícil. Ele fica sozinho, na frente do palco, precisando improvisar por longos minutos, sem saber quando a banda subirá ao palco. Por que não ter uma pessoa junto com ele, para que possam bater papo sobre os shows que já rolaram e os que vão rolar?

 

A emissora tentou fazer alguns VTs para preencher o tempo, mas não foram bem sucedidos. Exemplo: antes do show do Motorhead, foi exibido um filminho sobre Lemmy, com imagens tiradas de um recente documentário sobre o músico. No filme, há diversas entrevistas de nomes famosos do metal falando sobre Lemmy, inclusive integrantes do Metallica.  Não seria bacana usar essas imagens, já que o Metallica tocaria na mesma noite do Motorhead?

Escrito por André Barcinski às 09h16

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Para compensar o Rock in Rio, um tributo ao R.E.M.

Três dias de Rock in Rio me deixaram com uma convicção ainda mais forte: o R.E.M. vai fazer uma falta danada.

Pedi a três amigos – todos jornalistas e fãs – para escolher suas dez prediletas da banda. Depois, escolhi as minhas dez. Tentei incluir, na medida do possível, faixas que os três não haviam escolhido.

A única unanimidade foi “So. Central Rain”. Será a melhor música do R.E.M.? Mande sua lista e compare...

 

Marcelo Orozco (revista “VIP”)

(em ordem cronológica):

Talk About The Passion

So. Central Rain

Kohoutek

Begin the Begin

Fall on Me

The Flowers of Guatemala

It’s the End of the World as We Know It

Near Wild Heaven

Country Feedback

Bittersweet Me

 Menção honrosa: Let Me In

 

Paulo Cesar Martin (“Garagem”)

Wolves, Lower
 All The Way To Reno
 Can't Get There from Here
 Radio Free Europe
 1.000.000
 World Leader Pretend
 So. Central Rain (I'm Sorry)
 Wanderlust
 Man On The Moon
Finest Worksong

 

Thales de Menezes (“Folha de S. Paulo”)

(em ordem de preferência):

World Leader Pretend

Man on the Moon

Orange Crush

So. Central Rain

Radio Free Europe

 It's the End of the World as We Konw It (And I Feel Fine)

Turn You Inside-Out

Radio Song

Superman

Catapult

 

E aqui vai a minha, sem ordem de preferência:

So. Central Rain

Fall on Me

All the Way to Reno

Drive

Laughing

Star 69

7 Chinese Bros.

Pop Song 89

World Leader Pretend

Sitting Still

Escrito por André Barcinski às 09h24

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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