André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Amy Winehouse e a maldição dos 27

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 “Espero morrer antes de ficar velho”, escreveu Pete Townshend, do The Who, em 1965.

Townshend não teve seu pedido aceito – continua aí, firme e forte , aos 66. Mas seu companheiro de banda, Keith Moon, não passou dos 32. Morreu depois de tomar uma montanha de pílulas para – ironia das ironias – controlar o alcoolismo.

Desde que surgiu, nos anos 50, o rock sempre flertou com a morte. O que pode parecer uma contradição, já que foi o primeiro gênero musical voltado especificamente ao público jovem.

Mas dá para entender: o rock é filho do conflito de gerações nos Estados Unidos do pós-guerra, um conflito que só pôde acontecer porque, pela primeira vez na história, adolescentes não tiveram de trabalhar para ajudar os pais.

Com dinheiro no bolso e tempo livre, a juventude fez o que nunca pôde: descabelou. Abraçaram rebeldes como James Dean, Marlon Brando, Elvis e Little Richard, e inauguraram a cultura jovem. Tudo, menos ser igual ao papai...

Em seu livro “The Death of Rock’n’Roll”, Jeff Pike conta a história de Danny Rapp, vocalista da banda The Juniors.

Em 1959, abalado pelas mortes de Buddy Holly, Big Bopper e Ritchie Valens num desastre de avião (“o dia em que a música morreu”, como cantou Don McLean), Rapp gravou um rock raivoso, em que profetizava: “O rock veio pra ficar / ele nunca vai morrer”.

Em 1983, já velho, cansado e falido, Rapp se trancou num motel infecto do Arizona e meteu uma bala na cabeça.

Assim como o amor versado por Vinicius de Moraes, a imortalidade do rock de Danny Rapp só foi infinita enquanto não se extinguiu.

O que nos leva a Amy Winehouse e a todos os outros “imortais” que se foram aos 27.

A lista é imensa: Brian Jones, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix, Kurt Cobain e, agora, Amy.

E esses são apenas os mais famosos. Tem ainda Kristen Pfaff (Hole), Gary Thain (Uriah Heep), Alan Wilson (Canned Heat), Pigpen (Grateful Dead), Rudy Lewis (Drifters).

Se ampliarmos a lista para a faixa de 25 a 29 anos, podemos incluir ainda Tim Buckley, Gram Parsons, Danny Whitten (Crazy Horse), Tommy Bolin (Deep Purple), James Honeyman-Scott (Pretenders), Hillel Slovak (Chili Peppers), Frankie Lymon (The Teenagers), Shannon Hoon (Blind Melon), Bradley Nowell (Sublime) e muitos outros.

O que leva tanta gente a morrer da mesma maneira, na mesma idade?

Será o desafio de encarar a vida adulta, depois de anos sendo adulado?  Será um período de depressão pós-sucesso?

De qualquer forma, o mito continua: quem não morre aos 27, aos 33 (Lester Bangs, John Belushi, Bon Scott, Jesus Cristo) ou aos 42 (Alan Freed, Peter Tosh, Elvis Presley), viverá para sempre.

Estão aí Keith, Ozzy e Lemmy, que não me deixam mentir.

Escrito por André Barcinski às 19h13

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Em 2014, Sarney, só nas livrarias!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Que bomba: José Sarney anunciou que vai se aposentar da política em 2014 para se dedicar somente à literatura!

 

Li um post do amigo Xico Sá sobre o tema, em que ele lembrava um texto que Millôr Fernandes fez em 1988, sobre o livro “Brejal dos Guajas”, de Sarney.

 

Decidi publicar um trecho de Millôr aqui, como uma dupla homenagem: ao próprio Millôr, desejando seu pronto restabelecimento, e ao fim da carreira política de Sarney.

 

O texto a seguir é a segunda parte de um total de 11.

 

SARNEY E O BREJAL DOS GUAJAS – PARTE 2

As opiniões divergem. Alguns brilhantes e cultos intelectuais, como os já citados aqui, afirmam, audaciosamente, que Brejal dos Guajas é um livro. Eu garanto que não. É uma anedotinha "socialzinha" tolinha (já contada mais de um milhão de vezes) da briguinha de dois coroneizinhos de uma cidadezinha perdidinha no interiorzinho do Maranhão.

 

O autor deve ter lido umas 20 páginas de Jorge Amado (Marli, que socialismo!) e umas cinco de Guimarães Rosa (Zezinho,que linguagem! E que difícil, Murilo!) e isso, claro, lhe causou uma indigestão na cabeça. Reacionário desde sempre, deve ter achado fascinante e lucrativo ser um escritor do povo. Sem jamais ter entendido a realidade em volta, naturalmente fundiu diante do realismo mágico. Incapaz de juntar sujeito e predicado em português escolar, se perdeu na aventura da linguagem que é Guimarães Rosa - e até hoje não encontrou a volta.

A istória do Brejal não se sustenta no todo ou em partes. No todo, porque tem um "enredo" sem a mais mínima consistência, a tentativa poética é lamentável, a de filosofia ridícula. Em partes porque, no livro, praticamente, não tem uma frase que não seja errada em si mesma ou incoerente em relação a outras mais adiante ou mais pra trás. E, perto da estrutura dos personagens do Brejal, os personagens da Praça da Alegria, da televisão, são obras-primas de criação psicológica, heróis do Guerra e Paz.


Brejal dos Guajas só pode ser considerado um livro porque, na definição da Unesco, livro "é uma publicação impressa não periódica com um mínimo de 49 páginas". O Brejal tem 50. Materialmente, Sir Ney salvou-se por uma página. Contam os íntimos que o "escritor", depois de vinte anos de esforço, bateu o ponto final na página 50 e gritou, aliviado, pra dona Kyola: "Maiê, acabei!"

 

Você pode – aliás, PRECISA – ler a íntegra dos 11 textos de Millôr sobre “Brejal dos Guajas”, aqui. Bom fim-de-semana!

Escrito por André Barcinski às 23h31

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Dê uma chance ao Surgeon

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Não me surpreenderia se este post fosse o de menor número de comentários na história do blog.

 

Porque é sobre um artista que não faz música para todos.

 

O nome dele é Anthony Child, um inglês mais conhecido entre fãs de techno como Surgeon.

 

A música de Surgeon, como disse, não é nada acessível. Ele faz sons para pista, sem vocais, mas com uma pegada sombria e experimental. Se você não curtir, não se preocupe, não é o único.

 

Meu amigo Junior, que está na Inglaterra aproveitando os bons sons, mandou a dica: Surgeon está de disco novo, “Breaking the Frame”. Estou ouvindo direto há algumas semanas. Já virou obsessão.

 

O disco é ainda menos pop que a música que Surgeon faz para pistas. Imagine David Lynch sendo violentado pelo Eisturzende Neubauten e pelo Neu!. É nessa praia.

 

Por mais abrasivo que seja o som, ele tem, pelo menos em mim, um efeito terapêutico, quase hipnótico. É música de meditação para quem gosta de barulho, se é que pode existir tal coisa.

 

Surgeon sempre foi influenciado pelo lado negro da força: Coil, Throbbing Gristle, Whitehouse, Faust, Jeff Mills. Sempre curtiu sons extremos e à beira do abismo.

 

Seu som também é assim: difícil, mas recompensador. Demanda atenção. Não é para ouvir no Ipod enquanto se checa o Twitter.

 

Surgeon já discotecou diversas vezes no Brasil. Virou um grande amigo. Mesmo conhecendo o cara bem, sempre fiquei chocado com seus sets. Nunca vi ninguém mixar tanta música de maneira tão original. Difícil acreditar que aquele nerd tampinha e calado é um sujeito tão extremo.

 

Ele não toca duas músicas juntas; toca quatro, cinco, ou seis músicas de uma vez, pinçando a linha de baixo de uma, o vocal de outra, criando algo totalmente novo e surpreendente.

 

Quem quiser conhecer seu estilo de música para pista deve comprar o CD “Fabric 53”, com um set extraordinário.

 

Nos últimos anos, Surgeon tem se firmado com um dos grandes criadores da música eletrônica. Mogwai, Thom Yorke e The Maccabees lhe pediram remixes; Jeff Mills e Dave Clarke se disseram fãs. No Japão, é idolatrado.

 

Quem se interessar pode ir ao site de Surgeon, clicando aqui. Lá tem biografia completa e sets para download. E quem curtir o trabalho, faça o favor de comprar “Breaking the Frame” e “Fabric 53”, via Juno. Não vai se arrepender.

Escrito por André Barcinski às 23h51

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Novo DVD do Primal Scream faz esquecer show horroroso de 2009

Depois do show mequetrefe que o Primal Scream fez no Planeta Terra, em 2009, eu prometi nunca mais ver os caras.

 

Foi uma apresentação preguiçosa, bate-carteira, fim de feira mesmo: banda sem a menor vontade, vocais de apoio e metais pré-gravados, tudo no piloto automático. Uma perda de tempo.

 

Por isso, fiquei bem reticente em ver o novo DVD deles, “Screamadelica Live”, com o show em que tocam, na íntegra, o mitológico disco de 1991.

 

Que surpresa: o DVD é sensacional. Nem parece a mesma banda que vi há dois anos.

 

Gravado em Londres, com uma produção linda, belas projeções psicodélicas, um naipe de metais afiado e ótimas vocalistas de apoio, é um showzaço que faz justiça ao disco.

 

Sempre achei o Primal Scream uma banda muito boa, mas que sofria de uma falta de identidade tremenda.

 

Começaram imitando os Byrds, depois os Stones, os Stooges e, por fim, até o Prodigy.

 

Mas gravaram dois discos antológicos: “Screamadelica” (1991) e “Xtrmntr” (2000).

 

Desses, o único realmente inovador foi “Screamadelica”, um LP que fez a ponte entre o rock e a dance music como nenhum outro.

 

Claro que o disco copiava o passado (“Loaded” é claramente chupada de “Sympathy for the Devil”, vejam o clipe acima), mas o álbum trazia um som diferente para a época.

 

Vale lembrar que, desde o fim dos anos 80, Stone Roses e Happy Mondays também flertavam com essa mistura de rock e eletrônica. Mas foi “Screamadelica” que finalmente acabou com a barreira entre as guitarras e a pista de dança.

 

Influenciados por rock psicodélico dos anos 60, pela soul music americana e pelas batidas da acid house que ouviam nos clubes ingleses, Bobby Gillespie e sua trupe criaram uma espécie de ópera rock-dance-psicodélica para o fim do milênio, turbinada por ácido, anfetaminas e qualquer outro estimulante que pudessem encontrar (não é à toa que, um ano depois, quase toda a banda estava viciada em heroína).

 

“Screamadelica” foi um trabalho colaborativo. O disco teve uma série de produtores - Jimmy Miller, o DJ Andrew Weatherall, o duo eletrônico The Orb - cada um trazendo idéias e sugestões.

 

Gillespie, que sempre foi uma esponja musical, viu a oportunidade de fazer um disco mais antenado com o presente. E conseguiu: “Screamadelica” é um LP que, mesmo com um pé no passado, soava como uma novidade.

 

Ele não teve vergonha nem de imitar o Mudhoney e usar, na introdução de “Loaded”, os diálogos de Peter Fonda no filme cult “Wild Angels”, que a banda de Seattle já havia utilizado em “In’n’Out of Grace”, de 1988. Gillespie sempre foi um ladrão de muito bom gosto.

 

Voltando ao DVD: as imagens são lindas, o público está enlouquecido e a banda, animadíssima. Dia 24 de setembro, o Primal Scream toca “Screamadelica” no HSBC Brasil, em Sâo Paulo, dentro do Festival Popload Gig. Espero que venham com o show completo.

 

PROMOÇÃO “BARULHO”

 

Conforme prometido, vou dar três exemplares de “Barulho”, o livro que lancei em 1992 sobre a cena musical alternativa americana, em comemoração ao aniversário de um ano do blog.

 

Vai funcionar assim: até domingo que vem, dia 24, às 16h, quem quiser participar deverá enviar um e-mail sugerindo um novo nome para o blog (vou aposentar o “A-wob-bop...”).

 

Os três melhores nomes – escolhidos por mim – ganharão cópias do livro, e o melhor nome batizará a coluna a partir de terça, quando anunciarei os vencedores.

 

Em caso de nomes repetidos, ganha quem mandar primeiro.

 

Por favor, mandem as sugestões – junto com nome e endereço completos – para andrebarcinski.folha@uol.com.br

 

Ah, e não esqueçam de colocar o nome sugerido no título do e-mail, ok?

 

Caprichem e boa sorte!

Escrito por André Barcinski às 23h56

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Bueiro fez mal à moça

 

 

 

 

 

 

O melhor texto do humor brasileiro não é de Millôr, nem de Veríssimo ou do Agamenon. Ninguém – mas ninguém mesmo - consegue superar nosso noticiário.

 

Estou há quase 24 horas rindo sem parar com a notícia sobre mais dois bueiros que explodiram no Rio de Janeiro.

 

Minha filha acabou de passar: “Papai, por que você tá rindo tanto?” Tentei explicar, mas ela não viu a menor graça. Por aqui os bueiros são sossegados, não costumam explodir.

 

Peço desculpas se você, leitor carioca, foi uma das vítimas ou conhece alguém que se machucou com um desses projéteis. Perdoem minha insensibilidade. Mas que as manchetes parecem coisa de louco, isso parecem.

 

Veja só algumas frases que pesquei ontem na web: “Começou de novo: mais dois bueiros explodem no Rio”; “Governo se preocupa com bueiros explosivos”, e minha favorita: “População tem medo de bueiros”. Parece um telejornal apresentado pelo Monty Python.

 

Que tal essa notícia: Segundo levantamento feito há 60 dias pela Light, o Rio possui, hoje, 27 bueiros com 100% de risco de explosão devido a vazamento de gás.”

 

Que diabos significa “bueiro com 100% de risco de explosão”? Um bueiro que vai explodir a qualquer momento?

 

E esses dois bueiros que explodiram ontem, faziam parte do grupo de 27?

 

Se faziam, por que não foram consertados em dois meses?

 

Se não faziam, significa que o número de 27 está errado? Então quantos bueiros estão na mesma situação?

 

Mas isso é detalhe. O que importa é que os bueiros explosivos já viraram lenda urbana. Como a Loira do Banheiro e o Bebê-Diabo. Nas esquinas, nos botecos, nos mafuás, só se fala em pesados discos de ferro que mandam cidadãos inocentes pelos ares.

 

Antigamente, quando alguém vinha ao Rio, as recomendações eram sempre as mesmas: “Cuidado com os táxis na rodoviária”, “Não ande com a câmera no pescoço” e “Evite a Linha Amarela”. Agora é “Filhinho, não pise no bueiro!”

 

Já vejo os classificados de imóveis: “Vendo lindo sobrado no Catete, bem em frente a um bueiro com apenas 10% de chances de explosão”.

 

E já imaginou se outros utensílios públicos também decidem se rebelar?

 

“Mais um poste atinge velhinho no Catumbi”

 

“Orelhões de Copacabana se revoltam e atacam idosos na praia”

 

“Tubos de esgoto ameaçam emporcalhar a cidade durante a Copa”

 

Agora, a mais hilariante de todas as notícias de ontem foi a seguinte:

“A Light será multada em R$ 100 mil cada vez que um bueiro explodir e causar danos a pessoas ou a patrimônio público ou privado. Inicialmente, a Light pedia que a multa fosse aplicada apenas quando as vítimas morressem ou tivessem ferimentos graves ou gravíssimos. A empresa cedeu após uma semana em que seis bueiros apresentaram problemas na cidade em menos de 48 horas.”

Juro, nem o Groucho Marx seria capaz de escrever um texto desses: “Cada vez que um bueiro explodir”! Quer dizer que estão prevendo várias explosões? Parece até que “bueiro” virou sinônimo de “objeto que explode”.

Sugestão para o pessoal da Light: por que não usam um produto mais leve para fazer bueiros? Será que não existe um material que, ao atingir, a 300 km  por hora, a cabeça de um pedestre, não decapite o pobre cidadão? Que tal um bueiro de cortiça?

Já que os bueiros vão explodir mesmo, que pelo menos saiam voando pelos céus como lindos frisbees, não é mesmo?

Escrito por André Barcinski às 23h54

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A seleção não perdeu só no campo – na arquibancada também

 

 

 

 

 

 

 

Há alguns dias, escrevi aqui que não consigo mais torcer para a seleção brasileira. Simplesmente não me motivo a apoiar um time chefiado pelo Ricardo Teixeira.

 

O que é uma pena: eu gostaria de poder torcer por essa seleção. Simpatizo com o Mano Menezes, que acho um cara educado e tranqüilo – especialmente depois de aturar a intolerância de Dunga, Jorginho e sua trupe de fanáticos religiosos – e acho que ele está fazendo certo ao tentar renovar o time com jovens como Neymar, Ganso e Lucas (o do Sâo Paulo, não o Leiva, que é uma espécie de Dunga jovem).

 

Mas, enquanto o escrete canarinho for apenas um instrumento de marketing na mão da CBF, tô fora. A prova é que só liguei a TV ontem no início da prorrogação. Não me interesso mais.

 

Seria fácil vir aqui hoje e chutar cachorro morto: tripudiar em cima do vexame de ontem, perguntar o que faz um jogador profissional perder um pênalti e culpar o gramado. Mas nem para esculhambar a seleção eu me motivo mais. Quando vejo camisas amarelas, meu cérebro entra em ponto morto. Inércia total.

 

Em vez disso, gostaria de falar de outras seleções. Na verdade, de outros torcedores de seleções. Dos torcedores de Argentina e Uruguai.

 

O jogo de sábado não foi um primor. Mas foi lindo assistir, especialmente pelas torcidas.

 

Estou longe de ser um nacionalista. Na verdade, abomino qualquer patriotada. Mas que é bonito ver torcedores incentivando seus times, mesmo na derrota, é.

 

Sábado, Tevez perdeu um pênalti e saiu de campo aplaudido. Messi, de novo, não jogou pela seleção argentina o que joga no Barcelona, mas foi incentivado. A Argentina está em crise, foi eliminada em casa, e mesmo assim saiu de campo sob aplausos.

 

Já vi jogos na Argentina, e sempre me surpreendi com a tolerância dos torcedores para com erros e derrotas de seus times. O time pode estar perdendo de 3 a 0, que os torcedores continuam incentivando. Não me lembro de ter visto ninguém ser substituído sob vaias.

 

E, no entanto, o futebol argentino sofre dos mesmos problemas que o nosso: êxodo de jogadores jovens, campeonatos locais desprestigiados, torcidas organizadas formadas por marginais – quem não lembra das imagens do rebaixamento do River? - dirigentes corruptos.

 

O que faz, então, os torcedores abdicarem do cinismo tão presente na torcida brasileira e incentivar sempre seus times, mesmo nas fases negras? 

Taí um dos mistérios do futebol.

Escrito por André Barcinski às 09h14

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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