André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

R.I.P. Peter Falk

Peter Falk morreu. Mais um dos nossos ídolos se vai.

Falk ficou famoso fazendo "Columbo" na TV. Trabalhou com Frank Capra, Stanley Kramer, Wim Wenders e, claro, John Cassavetes (seu dueto com Gena Rowlands em "Uma Mulher Sob Influência" é, para mim, um dos grandes momentos do cinema em todos os tempos).

Para homenagear Falk, escolhi o clipe acima. Não é de nenhum filme ou série de TV. É uma participação em um "roast", uma festa em que amigos esculhambam outro. Só que não foi um "roast" normal. O evento foi transmitido pela TV, o "homenageado" da noite era Frank Sinatra, e o mestre de cerimônias, Dean Martin.

A sequência toda é impagável. Martin está bêbado de cair. Falk é chamado, sobe a um púlpito ladeado por pesos-pesados como Sinatra, Don Rickles, Dom De Luise, James Stewart, George Burns, Ronald Reagan e Ernest Borgnine, e, aparentemente de improviso, mata todo mundo de rir. Um grande momento. Aproveite e assista aos vídeos relacionados do "roast", especialmente o de Redd Foxx, que é de passar mal. E mostra como nossa TV hoje é careta e moralista.

Escrito por André Barcinski às 19h27

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Alguém conhece uma festa junina sem yakissoba?

 

 

 

 

 

 

Junho está chegando ao fim, e minha frustração só cresce.

 

Não consigo achar uma festa junina com cara de festa junina.

 

Tudo bem que a globalização está aí, que o mundo está cada vez mais parecido, etc., mas alguém consegue explicar por que toda festa junina no Brasil agora tem uma barraca de yakissoba?

 

Nada contra o yakissoba. Sou grande admirador da culinária oriental. Mas só posso aceitar yakissoba em festa junina no dia em que o Kinoshita fizer sushi com arroz doce. Reciprocidade, manja?

 

Voltando aos festejos de junho: semana passada, rolou um por aqui. Tinha barraca de caipifruta, banda de bolivianos tocando flauta, hippies vendendo bongs de durepoxi e até uma banda tocando Legião Urbana. Só não tinha canjica.

 

Ah, claro, tinha uma barraca de yakissoba, que era a mais disputada. Crianças vestidas de caipira se digladiando por um prato de macarrão com legumes inundado de shoyu. Bizarro.

 

Certa hora, a banda que tocava Legião deu lugar a dois violeiros. Parecia que tinham soltado uma bomba de gás lacrimogêneo: saiu todo mundo correndo.

 

Hoje, faremos uma última tentativa. Vi um cartaz anunciando uma festa junina num vilarejo próximo. Parece the real deal. Tomara que não tenha DJ tocando trance.

 

Bom feriado e até segunda.

Escrito por André Barcinski às 11h10

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Reflexões sobre a jardinagem canina

Dê uma olhada na foto abaixo:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Esta é uma bromélia Neoregelia.

 

A Neoregelia é um gênero botânico pertencente à família Bromeliaceae, subfamília Bromelioideae. O gênero foi nomeado em homenagem ao jardineiro e botânico alemão Eduard August von Regel (1815-1892).

 

Existem nada menos de 141 espécies de Neoregelia, encontradas no Brasil, Colômbia, Equador e Peru.

 

Agora, dê uma olhada nesta foto. Ela mostra a mesma bromélia Neoregelia depois de uma semana sob os cuidados de dois filhotes de boxers:

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Impressionante, não?

 

Três meses de convivência diária com boxers  nos revelaram algumas características interessantes desses animais peculiares.

 

Eu não sabia, por exemplo, sobre os vastos conhecimentos de jardinagem e paisagismo dos boxers.

 

Só isso explica o fato de eles comerem as plantas na ordem decrescente de preço e raridade.

 

É fascinante: toda vez que saímos de casa, eles mastigam a planta mais cara ainda viva no jardim.

 

O mato está lá, intocado, mas todas as bromélias, árvores frutíferas, palmeiras e helicônias foram atacadas sem piedade.

 

Outro aspecto interessante da expertise dos boxers  diz respeito à iluminação de jardim: eles não aprovam. Tanto que comeram nada menos de oito refletores de jardim, demonstrando, no processo, um conhecimento notável acerca de ligações elétricas, fios, cabos e condutores de PVC, já que não tomaram um choque sequer durante todo o trabalho de retirada, mastigamento e trucidamento dos refletores.

 

Outra coisa que impressiona nos animais: um quase sobrenatural senso de espaço e cálculo, demonstrado no depósito pontual de suas necessidades fisiológicas, buscando sempre o máximo impacto visual e de constrangimento.

 

Como explicar a habilidade dos boxers para posicionar suas necessidades no exato local onde um ser humano pisará depois de alguns minutos? Bruxaria? Algum tipo de vidência canina? Uma bússola interna?

 

Nesses últimos meses, ratificamos uma verdade e descobrimos outra: o cão é, sem dúvida, o melhor amigo do homem. Mas é o pior amigo das bromélias.

Escrito por André Barcinski às 00h47

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Adeus, Wilza Carla!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Aqui vai, com atraso imperdoável, um pequeno tributo a Wilza Carla...

Vedete? Atriz? Celebridade?

Wilza Carla era daquelas personagens célebres que a gente conhecia, mas não sabia exatamente por que era famosa. Era famosa e pronto. Como Tião Macalé, Rogéria, Miéle, Elke Maravilha, e outras figuras quase míticas de nossa televisão. 

Nos Trapalhões, em novelas, em filmes, em comerciais (como esquecer a pernoca gorda naquele spot de duchas?), Wilza Carla se eternizou. Bons sonhos para ela...

Escrito por André Barcinski às 16h10

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Dez grandes livros sobre cinema (em inglês)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como prometido, aqui vai uma lista de dez ótimos livros sobre cinema que, até onde sei, não existem em português.

 

Só lembrando que é uma lista pessoal e que não tem a ambição de ser uma coletânea “definitiva”.

 

Sugestões, críticas, adições e subtrações são, como sempre, bem-vindas.

 

The Whole Equation – David Thomson

Um livro ambicioso: Thomson tenta resumir, em 400 páginas, a história de Hollywood e de seus principais personagens. Ele escreve sobre Griffith, Chaplin, Mayer, Selznick, Hitchcock, Spielberg, Brando, Scorsese e muitos outros, dando a sua versão para a pergunta que não quer calar: por que diabos tanta gente gosta tanto de cinema?

 

For Keeps – 30 Years at the Movies – Pauline Kael

Coletânea de artigos e textos de Pauline Kael, uma das mais influentes críticas de cinema da segunda metade do século 20. Adoro assistir a filmes e depois abrir esse livro para ver a opinião dela.

 

Cassavetes on Cassavetes – Ray Carney

O “pai” do cinema independente fala sobre seus filmes e, no processo, sobre como sobreviveu em Hollywood. Indispensável para quem quiser saber mais sobre seu singular método de direção.

 

Hollywood Animal – Joe Eszterhas

Nenhum roteiro de Eszterhas (“Instinto Selvagem”, “O Fio da Navalha”) me emocionou tanto quanto esse livro, em que conta sua infância, seus anos de loucura como repórter da “Rolling Stone”, sua carreira meteórica em Hollywood e, principalmente, um drama pessoal mais improvável e chocante que qualquer filme de ficção. Mais de 700 páginas que passam voando.

 

Adventures in the Screen Trade – William Goldman

Esse é daqueles que você lê em uma tacada. Goldman – um dos roteiristas mais influentes de Hollywood – conta casos em cima de casos e parte em pedaços a teoria do “autor” no cinema.

 

The Parade’s Gone by – Kevin Brownlow

Brownlow é um dos grandes pesquisadores dos primórdios do cinema. Fez filmes e escreveu livros sobre Buster Keaton, Abel Gance, Harold Lloyd, Griffith e De Mille, entre outros. Nesse livro, ele conta a história do cinema mudo e relata histórias sobre vários artistas que conheceu e entrevistou.

 

Mondo Macabro: Weird and Wonderful Cinema Around the World – Pete Tombs

Filmes de Batman rodados na Turquia, monstros canibais filipinos, terror sadomasô japonês, caratecas mexicanos e capítulos sobre o espanhol Jesse Franco e o nosso José Mojica Marins. O inglês Pete Tombs escreveu essa divertidíssima coletânea sobre o cinema mais subterrâneo do mundo.  

 

A History of Italian Cinema – Peter Bondanella

Se você gosta de cinema italiano e quer um livro que conte toda sua história, pode comprar esse catatau escrito por Bondanella, um dos maiores especialistas no assunto e autor de livros sobre Fellini.

 

What is Cinema? – André Bazin

Bazin morreu em 1958. Influenciou meio mundo com seus ensaios e críticas sobre cinema. Foi o “pai” da Nouvelle Vague e da teoria do “autor”. Escreveu lindamente sobre Orson Welles, Chaplin e Jean Renoir. Em 2009, saiu no Canadá essa versão do livro que, dizem os franceses, faz justiça à prosa de Bazin de uma forma que outras traduções anteriores não conseguiram.

 

Satyajit Ray – The Inner Eye – Andrew Robinson

Se você é fã de Ray (1921-1992), vai encontrar informações detalhadas sobre todos os filmes – foram 37 – desse gênio, que merece figurar em qualquer antologia dos maiores diretores do cinema. Se não conhece, vale muito a pena ler e assistir aos filmes. Pode começar pela “trilogia Apu”. É uma experiência marcante.

Escrito por André Barcinski às 23h33

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Dez grandes livros sobre cinema (em português)

 

 

 

 

 

 

 

 

Expressionismo Alemão, Cinema Marginal Brasileiro, biografias, ensaios... Aqui vai uma lista de dez excelentes livros sobre cinema, em português.

 

Alguns títulos estão fora de catálogo, mas são encontráveis em sebos e sites. Sugestões são bem-vindas.

 

Amanhã, a segunda parte, com dez livros sobre cinema que não foram lançados no Brasil.

 

De Caligari a Hitler – Siegfried Kracauer

A história dos primórdios do cinema alemão, de 1910 a 1940. Será que o cinema germânico, de certa maneira, “preparou” o país para a ascensão de Hitler? Se você gosta de Expressionismo, não pode deixar de ler essa beleza. Gostou do tema? Então leia também A Tela Demoníaca, de Lotte Eisner.

 

Cinema de Invenção – Jairo Ferreira

Um livro autoral, apaixonado e radical, como era seu autor. Jairo Ferreira (1945-2003) dá sua interpretação sobre o Cinema Marginal Brasileiro. Candeias, Reichenbacj, Sganzerla, Tonacci, Mojica, estão todos lá. Essencial.

 

Criando Kane e Outros Ensaios – Pauline Kael

Ninguém escreveu sobre cinema como Pauline Kael (1919-2001). Vale muito a pena ler essa coletânea com alguns de seus ensaios, incluindo o polêmico “Criando Kane”, em que defende a tese de que o co-roteirista do filme, Herman J. Mankiewicz, merece tanto crédito pelo filme quanto o próprio Orson Welles. O texto enfureceu Welles e seus biógrafos. Justo ou não, é uma análise primorosa sobre o conceito de “autor”.

 

Meu Último Suspiro – Luis Buñuel

Co-escrito com o roteirista Jean-Claude Carrière, é uma espécie de “autobiografia onírica”, em que o próprio Buñuel diz que não sabe distinguir ao certo entre sonho e realidade. Um dos livros mais bonitos escritos sobre qualquer artista.

 

A Cidade das Redes – Otto Friedrich

A história de Hollywood nos anos 40, contada com a força de um romance “pulp”: escândalos, fofocas, gângsteres, paranóia anticomunista, tudo está nesse livro que consegue ser informativo e emocionante ao mesmo tempo.

 

História do Cinema Brasileiro – Fernão Ramos (coordenação)

Lançado em 1987, ainda é o livro sobre a trajetória do nosso cinema. Complemente a leitura com o Dicionário de Filmes Brasileiros, de Antonio Leão da Silva Neto, um trabalho monumental, com fichas técnicas e sinopses de todos os filmes feitos aqui.

 

Este é Orson Welles – Orson Welles e Peter Bogdanovich

Peter Bogdanovich entrevista Orson Welles. Vale por mil aulas de cinema.  

 

Hitchcock / Truffaut

François Truffaut entrevista Alfred Hitchcock. Vale por mais mil aulas de cinema.

 

Como a Geração Sexo, Drogas e Rock’n’Roll Salvou Hollywood – Peter Biskind

A história da geração de Penn, Scorsese, Bogdanovich, Coppola, De Palma e tantos outros que revolucionaram Hollywood no fim dos anos 60. Indispensável.

 

Fazendo Filmes – Sidney Lumet

Lumet, morto há poucos meses, escreveu esse livro curto, direto e interessantíssimo sobre seus filmes e seu processo de criação.

Escrito por André Barcinski às 09h29

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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