André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Extrusando a monorrosca: aventuras na feira de plásticos

 

 

 

 

 

 

Por razões que não vêm ao caso, passei os últimos quatro dias na Brasil Plast, uma gigantesca feira de empresas de plásticos realizada no Anhembi.

Para quem não conhece o Anhembi, é uma caixa de concreto do tamanho de uma pequena cidade. O interior é decorado com stands, que mais parecem prédios. Quanto maior e mais poderosa a empresa, maior o stand.

Para um ignorante em polímeros como eu, andar pela Brasil Plast foi uma revelação. Parecia outro país.

A começar pelo idioma: era comum ouvir pessoas falando em “masterbatches”, “Fifo – first in, first out”, “gelcoats” e “tecidos não-tecidos”.

O setor tem publicações especializadas, como a “Plástico Moderno”, uma revista muito bem feita. Pena que o ignoramus aqui não entendeu patavinas das reportagens.

Li, com interesse, uma matéria sobre uma extrusora monorrosca que está revolucionando o mercado. Outra reportagem trazia um furo: a dupla rosca para PVC agora tem degasagem simples.  Uau.

Na verdade, o estranho na Brasil Plast era eu. A única pessoa dentro do Anhembi que não sabia que o mundo é dos polímeros.

“Plástico. Impossível viver sem ele!”, diz o slogan do evento. Não é exagero. Nesses quatro dias, descobri que, basicamente, TUDO é feito de plástico. Até o interior das caixas cartonadas de leite longa vida levam polietileno.

Ouvi histórias incríveis:

Um visionário descobriu uma maneira de extrair água de coco diretamente para caixas cartonadas, abrindo um novo mercado para os plantadores de coco de todo o país.

Conheci um gênio que montou um império fabricando lacres para embalagens de pão.

E que tal o papel couchê feito inteiramente de lixo plástico?

Aliás, a sustentabilidade é o tema mais comentado em toda feira. O “must” da indústria parece ser o plástico verde, feito da cana de açúcar.

O que mais me impressionou na Brasil Plast foi descobrir os verdadeiros impérios industriais construídos à base de produtos em que nós, simples mortais, não conseguimos enxergar valor de mercado.

Por exemplo: em minha visão estreita, nunca pensei no tamanho do mercado de tampinhas de pasta de dente, ou de botões de camisa. São produtos que passam despercebidos por nosso radar, mas que são fundamentais para a cadeia produtiva e fizeram a fortuna e sucesso de muita gente.

A Brasil Plast termina hoje. Ainda dá tempo de passar pelo Anhembi e aprender alguma coisa. Afinal, como pude passar tanto tempo sem saber a utilidade de um durômetro?

P.S.: Ode ao Avaí

Ontem foram os cearenses; hoje, os catarinenses. De norte a sul, o Brasil é só alegria.

Escrito por André Barcinski às 00h08

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Quem vai ao churrasco com pagode em Higienópolis?

 

 

 

 

 

 

 

 

Programa imperdível. Sábado, às 14h, vai rolar um churrascão com pagode em frente ao Shopping Pátio Higienópolis.

A razão? Além de encontrar os amigos e saborear uma bela picanha, o pessoal vai protestar contra a Associação Defenda Higienópolis, que conseguiu, por meio de um abaixo-assinado com impressionantes 3500 assinaturas, convencer o governo a cancelar a abertura de uma estação do metrô no bairro.

Diz a reportagem da Folha: “Os moradores alegavam que a nova estação ampliaria o fluxo de pessoas no local, com o conseqüente ‘aumento de ocorrências indesejáveis’, além da transformação da área em ‘camelódromo’. A entidade também apontava que a região já tinha estações suficientes. ‘Prevaleceu o bom-senso’, afirma o presidente da associação, o empresário Pedro Ivanow.”

Não, senhor Ivanow, não prevaleceu o bom senso.

Prevaleceu a visão segregacionista e preconceituosa de que certas pessoas não devem se misturar a outras.

Eu, como dono de um imóvel na região e vítima de um IPTU altíssimo, estou envergonhado pelo comportamento dos meus vizinhos.

Nenhuma farofa, som alto ou camelô me envergonham mais que as desculpas esfarrapadas do pessoal sofisticado do bairro.

Quem leva a farofa?

Escrito por André Barcinski às 11h29

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Filmes com animais que falam são para humanos que relincham

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Nada é tão ruim que não possa ficar pior.

Há alguns meses, escrevi aqui sobre uma tenebrosa viagem de ônibus de Paraty ao Rio, quando passei cinco horas assistindo a um DVD com os piores momentos do pop dos anos 80.

Achei que nada poderia ser pior. Me enganei.

Anteontem, peguei um ônibus no sentido inverso: de Paraty para Sâo Paulo.

Todo mundo que anda de ônibus sabe que uma viagem tranqüila depende de vários fatores, como o estado do veículo, a habilidade do motorista e a conservação da estrada.

Outro fator importante: a pessoa que vai sentada ao seu lado.

Idealmente, o banco ao lado do seu deveria ir sempre vazio. Isso NUNCA acontece comigo.

Dou um azar tremendo nessas horas. Invariavelmente, meus vizinhos de poltrona são pessoas grandes, suarentas, falantes, roncadoras, com tiques nervosos, com gosto por camisetas regatas e biscoitos cujos destroços costumam ignorar as fronteiras entre as poltronas.

Quando o ônibus saiu da rodoviária de Paraty, não havia ninguém sentado ao meu lado. Um milagre.

Mas durou pouco. Alguns quilômetros depois, entraram um casal e uma filha. A menina não tinha mais de seis ou sete anos.

Claro que, podendo optar por 44 bancos no ônibus, o pai escolheu sentar logo na poltrona ao meu lado. E pior: com a menina no colo.

O ônibus mal andou 500 metros e a garota começou a berrar, num volume e tom semelhantes a de um pterodáctilo:

- AAHHHARRRGGG! EU VOU FAZEEEERRRRR COCÔÔÔÔÔÔ!!!!!! EU QUERO COCÔÔÔÔÔÔ!!!!!!

Isso durou uns 40 minutos.

O pai tentava acalmar a menina: “Fica quieta ou te tranco no banheiro! É escuro lá, cheio de bicho!”

Do outro lado do corredor, a mãe complementava: “Vou te deixar na estrada! Papai vai te jogar no rio!”

Os apelos paternos só pioraram as coisas. Até que mãe gritou: “Ana Julia, fica quieta!”

Aí, eu entendi. Eu também seria revoltado se minha mãe me batizasse com o uma música do Los Hermanos.

A pterodáctila gritou até cansar.

Quando parecia que teríamos um pouco de tranqüilidade, o motorista ligou os televisores do ônibus. Hora do filme.

A atração do dia: “O Chihuaua de Beverly Hills”. Uma comédia sobre um chihuaua falante que lidera uma turminha de cães fofinhos em incríveis aventuras.

Se existe uma coisa que me estarrece são filmes sobre animais falantes. Não conheço nada mais rasteiro. Esses filmes promovem uma regressão a um estágio pré-civilizado, transformando adultos em bonecos babões que falam gugudadá.

Segundo o conceito da reciprocidade, filmes com animais que falam são para humanos que relincham.

Aparentemente, os outros passageiros não concordaram comigo. E cada vez que o tal do chihuaua abria a boca o ônibus sacudia, num orgasmo coletivo. Deve ter sido a mesma reação que os paleolíticos tiveram ao descobrir o fogo.

O pai da pterodáctila era um dos mais animados. Ele comentava o filme com a menina: “Olha lá, o cachorro vai pular do trem... Vai, pula agora! Cuidado com o pastor alemão! Cuidado!”

Foi uma hora e meia disso: poodles tomando banho de sol, dálmatas dançando num baile de máscaras e chihuauas fugindo de dobermans pelos corredores de um shopping center.

O filme acabou, mas não a agonia. O DVD voltou para o menu inicial, e ficou repetindo um loop com uma música irritante e um chihuaua pulando de um trem. Por 45 minutos.

Nunca a Rodoviária do Tietê pareceu tão linda.

P.S.: Obrigado, Ceará! Um beijo para esse povo maravilhoso. E cuidado que o bonde tá sem freio, descendo a ladeira...

Escrito por André Barcinski às 03h03

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Vamos combinar: Teenage Fanclub já é um clássico

A primeira vez que ouvi falar do Teenage Fanclub foi em 1990, quando eles lançaram “A Catholica Education”, seu primeiro disco.

Na época, as reportagens sobre a banda a colocavam na mesma cena “shoegazer” de My Bloody Valentine e Ride.

E fazia sentido. Naquele tempo, os sons do TF tinham muito daquela microfonia e climas etéreos típicos dos “shoegazers”.

Foi só com “Bandwagonesque” (1991) que o grupo encontrou seu estilo: um híbrido das melodias assobiáveis dos Byrds com as distorções do Dinosaur Jr. Uma espécie de Big Star para os anos 90.

Eles lançaram “Bandwagonesque’, “Thirteen” e “Grand Prix”. Uma sequência para orgulhar qualquer banda. Qualquer uma. Até o Big Star.

Hoje, 20 anos depois, o Teenage Fanclub está no décimo LP. E preciso confessar que ouço bem mais Teenage Fanclub que Big Star. E olha que eu adoro Alex Chilton.

“Bandwagonesque” e “Grand Prix” são, para mim, dois discos que vão ficar para sempre. Já passaram do prazo de ser esquecidos. Viraram referência.

Já escrevi sobre isso aqui: o Teenage Fanclub teve uma trajetória parecida com o Mudhoney, outro grande grupo do mesmo período: nunca acabaram, não fizeram voltas triunfais e, por isso, foram penalizados e meio que jogados de escanteio.

Sobreviveu? Então seu destino é vagar numa espécie de limbo dos sobreviventes...

Se o TF tivesse sumido logo após “Grand Prix” e retornado dez anos depois, estaria ganhando fortunas em festivais, como o My Bloody Valentine ou o Pavement. Mas a banda cometeu o pecado de continuar excursionando e lançando discos ótimos, como o recente “Shadows”.

Sorte nossa, que podemos ver o TF em locais pequenos e não em descampados com 50 mil pessoas.

Hoje, não perco o Teenage Fanclub na The Week. Bem de perto.

Escrito por André Barcinski às 01h18

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Chega de cover do Creedence: John Fogerty chegou

Uma parte importante da história do rock estará hoje, em carne e osso, em Sâo Paulo: John Fogerty.

Dá pra contar nos dedos os compositores de rock com um currículo tão impressionante: “Bad Moon Rising”, “Fortunate Son”, “Have You Ever Seen the Rain”, “Green River”, “Down on the Corner”, “Proud Mary”, “Who’ll Stop the Rain”…

Se Fogerty tivesse um pingo de tino comercial, seria um dos heróis mais celebrados do rock. Mas o sujeito tem pavio curto e por várias vezes pareceu sabotar a própria carreira.

Brigou com o irmão. Chegou a ficar onze anos sem lançar um disco. Recusou-se a subir no palco com os antigos companheiros do Creedence Clearwater Revival na festa do Hall da Fama do Rock.

Era um artista muito superior aos outros integrantes do CCR, e não fazia questão de esconder isso de ninguém. Numa discussão, chegou a dizer aos companheiros: “Minha voz é um instrumento único, e não vou emprestá-la para as músicas de vocês”.

Para provar seu ponto, ameaçou abandonar a banda caso o baixista Stu Cook e o baterista Doug Cliiford não colaborassem com dois terços das músicas para o álbum “Mardi Gras” (1972). Quando o disco saiu e foi malhado pelos críticos, John largou o grupo.

Com o CCR, Fogerty teve uma carreira rápida e impressionante: sete álbuns em menos de quatro anos.  Foi uma época conturbada, com brigas que levaram o irmão, Tom, a abandonar o grupo em 1971.

Depois do fim do CCR, Fogerty embarcou numa carreira solo cheia de problemas. Lançou dois discos e depois ficou dez anos sem gravar. Mais dois discos, em 1985 e 1986, seguidos por um sumiço de onze anos.

Em 1997, lançou “Blue Moon Swamp”. Tive a sorte de ver um dos shows dessa turnê. Foi no Radio City Music Hall, em Nova York, com uma banda sensacional que incluía o baixista Donald “Duck” Dunn (do Booker T & the MG’s) e o baterista Kenny Aronoff (Lynyrd Skynyrd, Smashing Pumpkins).

Num palco decorado como se fosse um pântano da Louisiana, Fogerty cantou uns 15 clássicos do Creedence e várias músicas de “Blue Moon Swamp”. Tocou guitarra como um possuído. Sua voz áspera continuava igualzinha à época do CCR. Se o show de hoje em Sâo Paulo for parecido, será imperdível.

Ao longo dos anos, a música de John Fogerty sofreu um processo de desvalorização semelhante ao de Raul Seixas: muita gente ruim fazendo versões pavorosas. Mas, com ele no palco, esse risco não existe. Nada como ver o original.

Escrito por André Barcinski às 00h54

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Confissões de um viciado em pagode

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Tudo começou há uma semana.

 

Domingo de sol. Próximo ao centro da cidade, havia um carro estacionado com a porta aberta. Dos alto-falantes saía um pagode:

 

Liguei meu PC
Quando entrei no meu orkut, só dava você
Quando li o meu scrap, me fez perceber
Que o nosso amor nunca morreu e nem vai morrer

O dono do carro estava sentado num boteco. Perguntei de quem era aquela música. “É do Pique Novo”, gritou o sujeito, copo na mão.

 

Fui para casa correndo. Google rápido. Achei um site com mais de cem letras do Pique Novo. Um novo mundo se abriu para mim.

 

Desde então, a situação só piorou. É irresistível: assim que acordo, mergulho no site em busca de novas letras do Pique Novo. Não preciso nem ouvir as músicas. Só as letras me bastam.

 

Como resistir a tanta beleza? Como ficar impassível diante de versos tão arrebatadores?

 

Vejam, por exemplo, essa letra, que relata a paixão de um casal masoquista:

 

A gente ainda precisa conversar
É pouca briga pra tanto amor

 

Me impressionou também essa, que demonstra o nível de desorientação a que pode chegar uma alma torturada pela paixão e que não consegue decidir se sua amada é um “porto seguro” ou a “dona” de um “abandono”:

 

Luz da minha vida, tão seguro porto
Ponto de partida, dona do abandono

 

Outra característica do moderno pagode romântico parece ser a aceitação de comportamentos sexuais ousados. Vejam esse trecho, em que o narrador pede à sua companheira que aceite o fato de ele ser apenas “um homem”.

 

Larga esse teu corpo em mim, me aceita assim
Homem e mulher, enfim a sós, a nós

 

Em outro trecho, o poeta faz uma surpreendente defesa da eutanásia:

Ama-me sem medo,
faz o que quiser de mim
Trama sem segredo nosso fim

 

O uso de conjugações verbais heterodoxas também é uma marca das letras do Pique Novo:

Vem me amar, me amar...
cigana, o teu corpo é tão bonito
teu olhar e teu sorriso me faz sonhar

 

 

Um tema recorrente na poesia do Pique Novo é a aceitação de escolhas de vida alternativas e que confrontem o conservadorismo vigente em nossa sociedade. Na letra abaixo, por exemplo, o narrador relata seu amor por uma mulher que, aparentemente, ganha a vida proporcionando prazer pago:

 

De manhã quando o sol aparece
Através da cortina
É difícil conter o desejo de ir te encontrar
(...)

Você deve estar por aí
Numa rua qualquer

É surpreendente a liberdade com que o grupo utiliza nosso idioma, descobrindo novos significados para certas palavras e utilizando licenças poéticas altamente imaginativas:

 

Peço perdão eu não quis
foi sem querer o que fiz
não tive tal pretensão
De emudecer teu olhar

 

E o que dizer dessa frase, que eu poucas palavras revela a alma atormentada de um narrador de múltiplas personalidades? 

 

Amor eu quero ser o teu perfume

e ter ciúme até de mim

 

As letras do Pique Novo demonstram uma qualidade descritiva impressionante. São relatos quase jornalísticos das vicissitudes do dia a dia, rápidos polaróides urbanas sobre a vida caótica das metrópoles. Vejam essa:

 

O namoro vai rolar, casamento nem pensar,
sou casado, não vai dar, só lamento te avisar...
Telefone vou te dar, o de casa vai babar,
se quiser celular
pode ligar a cobrar...
(...)

eu te levo pra jantar
no pagode pra sambar
no motel pra se amar
mas minha familia
eu não vou largar...

 

Não posso terminar esse texto sem citar outro tema onipresente na poesia do Pique Novo: a globalização:

 

Um empresário japonês
Me viu batucando no terreirão
Finalmente chegou minha vez
No outro mês eu já estava no Japão – Sayonara!
Conheci uma linda japonesa
Que adorava dançar miudinho, miudinho, miudinho
Nosso amor era uma beleza, ai, ai, ai, ai
Aquele olhar apertadinho

(...)

Meu amor oriental
Sem você meu pranto chora


Mas uma coisa ainda me atormentava: eu não tinha achado a letra do “PC” e do “Orkut”.

 

Mais alguns minutos de Google, e descobri: a letra não era do Pique Novo, mas do Swing & Simpatia. A música se chama “Muito Feliz”:

 

Fiquei muito feliz
Quando vi sua chamada perdida no meu celular
Quando ouvi sua mensagem de voz pedindo pra perdoar
Ali eu vi que a fria tempestade passou

 

Liguei meu PC
Quando entrei no meu Orkut, só dava você
Quando li o seu scrap, me fez perceber
Que o nosso amor nunca morreu e nem vai morrer

Logo em seguida eu entrei no meu MSN, comecei a tremer
Pois você estava On, não deu pra conter
Na webcam choramos depois de nos ver

 

Não tem problema. Já achei, no mesmo site, 87 letras do Swing & Simpatia. Outro mundo novo se abriu para mim.

Escrito por André Barcinski às 10h55

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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