André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Mande sua poesia para a Bethânia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Sei que havia prometido para hoje um post com meus romances policiais prediletos, mas o blog da Bethânia não deixa. A coisa está muito engraçada.

Primeiro, o Minc divulga uma nota explicando que “a aprovação, que seguiu estritamente a legislação, não garante, apenas autoriza a captação de recursos junto à sociedade”.

 

Ou seja: tá liberado. Agora é só ver que empresa quer dar o dinheiro para a Bethânia em vez de pagar imposto pro governo (renúncia fiscal é dinheiro público, claro).

 

E quem disse que a Bethânia está fora da lei?

 

O blog de 1,3 milhão de reais prova que, no Brasil, você pode estar 100% dentro da lei e mesmo assim ignorar a moral, a ética e o bom senso.

 

A defesa mais hilariante do blog de 1,3 milhão de reais veio do cineasta Jorge Furtado: “Na minha opinião, o governo brasileiro deveria tirar do seu caixa o dinheiro (1,3 milhões de reais, uma ninharia perto da roubalheira do Detran gaúcho, dos pedágios paulistas, da máfia do governo Roriz/Arruda no DF, etc, etc...) e entregar para a Maria Bethânia, junto com um buquê de rosas e um cartão, pedindo desculpas pela confusão”.

 

Pô, a Monarquia voltou e eu não sabia?

 

Confesso que a sugestão do cineasta me tocou.

 

Fiquei pensando em como a Bethânia deve estar sozinha e desamparada, à mercê de comentários maldosos.

 

Tudo porque pediu 1,3 milhão de reais pra fazer um blog.

 

Tive uma idéia: e se cada um de nós colaborasse com o blog, enviando um poema inédito? Não seria bonito?

 

Eu abriria mão de qualquer direito autoral, claro. Afinal, com uma verba ridícula de 1,3 milhão de reais, mal dá pra pagar o salário da própria Bethânia (50 mil reais, ou 600 mil por ano, segundo o projeto).

 

Peço a ajuda de vocês nessa empreitada.

 

Convoquem suas musas, abram seus corações e espíritos, e criem versos delirantes em tributo a essa iniciativa heróica e diletante...

 

Sugiro que os poemas sejam curtos, 140 caracteres ou menos, para que a Bethânia possa twittar seus preferidos.

 

Aqui vai uma modesta contribuição:

 

 

CAR CAR CARÁ

 

Carcará

vem cá

vem cantar

qual canário

Carcará

vem cá

vem carcá

O erário

Escrito por André Barcinski às 21h03

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Corra que o James Ellroy vem aí!

 

 

 

 

 

 

 

 

James Ellroy vem à FLIP. Melhor notícia do ano até agora.

Grande escritor e – dizem – grande palestrante.

As entrevistas de Ellroy são hilárias. O sujeito é um ermitão, não assiste TV (a não ser pra ver lutas de boxe), odeia cultura pop e chegou a se mudar para um subúrbio de Kansas City porque lá “não tinha cultura”.

Também é chegado a frases de efeito. Se diz de extrema direita, mas é só pra chocar. Gosta de causar desconforto. Chegou a se comparar a Dostoievsky e Tolstoy. Detona o romantismo dos heróis de Raymond Chandler.

Ellroy teve uma vida e tanto. Mais dark que qualquer romance policial.

Em 1958, quando tinha 10 anos, sua mãe foi violentada, morta, e jogada num terreno baldio. Ellroy está há 53 anos tentando expurgar esse diabo do corpo. Ou absorvê-lo.

O crime abalou sua vida para sempre. Cresceu fascinado pelas histórias sangrentas do Departamento de Polícia de Los Angeles, especialmente o lendário caso da “Dália Negra”, que o lembrava do assassinato da mãe.

Ellroy abandonou os estudos, foi pro Exército, e se perdeu. Virou um junkie, alcoólatra, sem-teto e ladrão. Tornou-se obcecado em resolver a morte da mãe e contratou um detetive particular para ajudá-lo.

O caso é relatado em “My Dark Places” (1996), mistura de relato autobiográfico e crônica investigativa. Acho que foi o único livro, junto com Meridiano de Sangue, de Cormac McCarthy, que me deu medo físico de terminar.

Ellroy ganhou a vida por um tempo carregando carrinhos de golfe de dia para poder escrever à noite. Depois que um editor exigiu que ele cortasse 70% das páginas de um livro, passou a desenvolver um estilo minimalista, quase telegráfico. Virou marca registrada.

Ficou famoso com a série “Quarteto de Los Angeles”, quatro romances “noir” sobre o submundo da cidade dos anjos: The Black Dahlia (1987), The Big Nowhere (1988), L.A. Confidential (1990) e White Jazz (1992). Pode comprar todos sem medo.

O mais conhecido é L.A. Confidential, que foi adaptado para o cinema por Curtis Hanson, numa versão legal, mas bem comportada.

De todas as adaptações dos livros de Ellroy, a que eu mais gosto – podem me xingar – foi Dália Negra, de Brian De Palma (só aquele travelling com a grua que passa por cima da casa vale dois ou três ingressos).

Depois de esmiuçar a podridão de Los Angeles, Ellroy começou outra série, “Underworld USA”, com histórias que, segundo ele, abordavam o tema de “política como crime”: American Tabloid (1995), The Cold Six Thousand (2001) e Blood’s a Rover (2009). Li os dois primeiros, são imperdíveis. Blood’s a Rover tá na fila.

“Acho que meus livros são sobre homens ruins fazendo coisas ruins em nome da autoridade”, disse ele à Salon. “Eu odeio rebelião institucionalizada. É uma das razões, além de odiar a música em si, pelas quais eu desprezo o rock’n’roll.”

Em julho, James Ellroy estará em Paraty. Quando começam a vender os ingressos?

Escrito por André Barcinski às 11h04

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Maria Bethânia e o blog de 1,3 milhão de reais

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O grande Moacyr Scliar tinha uma coluna no caderno Cotidiano, da Folha, em que escrevia pequenas crônicas usando como ponto de partida alguma notícia do dia. Eu adorava.

 

Em homenagem ao grande escritor, que nos deixou semana passada, peço licença para tentar fazer o mesmo. Sem um milésimo do talento de Scliar, claro.

 

“Maria Bethânia terá 1,3 milhão para criar blog

“A cantora Maria Bethânia conseguiu autorização do Ministério da Cultura para captar R$ 1,3 milhão e criar um blog. A ideia é que o site ‘O Mundo Precisa de Poesia’ traga diariamente um vídeo da cantora interpretando grandes obras.”

 

Local: uma casa de praia no sul da Bahia.

 

Bethânia está sentada na varanda, contemplando o mar azul e saboreando uma água de coco. Duas assistentes a abanam com folhas de bananeira.

 

Chega Zezé (nome fictício), seu assessor.

 

- Bethânia, você queria falar comigo?

 

- Queria sim, Zezé. Hoje eu tive um sonho...

 

- Um sonho? Que maravilha! E que sonho foi esse?

 

- Eu sonhei que estava declamando poesia na praça, e que o povo inteiro me aplaudia. Foi lindo. As crianças choravam, os velhinhos choravam, todo mundo chorava...

 

- Que coisa linda, Bethânia!

 

- Foi mesmo. E me deu uma idéia, Zezé: eu acho que o Brasil está precisando de poesia! Poesia de todo tipo: romântica, erótica, concreta, líquida, gasosa... Depois desse sonho, eu tive a certeza de que sou a escolhida para levar a poesia à nossa gente sofrida! Pensei: que bom seria se eu tivesse um meio de levar a poesia a todas as pessoas do mundo! Não seria lindo, Zezé?

 

- Que idéia fantástica, Bethânia! Você quer fazer um livro?

 

- Livro não, que dá muito trabalho. Pensei num negócio desses de Internet, como é que chama... Blog! Isso! Dá pra colocar uma poesiazinha por dia, né, assim, bem devagarzinho...

 

- O que eu posso fazer pra ajudar a tornar esse sonho realidade, Bethânia?

 

- Liga lá na produtora e vê quanto eles acham que dá pra pedir no Minc...

 

Zezé sai; Bethânia contempla o mar azul. Dez minutos se passam. Zezé volta, eufórico):

 

- Bethânia, que tal um milhão e trezentos?

 

- Tá bom. Pensei também em colocar uns vídeos meus declamando poesias. A gente podia chamar o Glauber pra dirigir...

 

- Glauber? Mas ele não morreu?

 

- Será? Eu não tenho visto ele por aí, é bem capaz mesmo. Chama qualquer um então...

 

- Ai, Bethânia, as empresas vão se matar para patrocinar isso!

 

- Zezé, liga praquele pessoal dos cosméticos, que parece que eles estão botando dinheiro em qualquer coisa.

 

- É pra já, Bethânia!

 

Zezé sai. Bethânia sorve mais um gole de água de coco enquanto contempla o mar azul.

Escrito por André Barcinski às 17h30

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Pulp fiction

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Meu avô, Paulo de Medeiros e Albuquerque, era uma figura: boêmio, bonachão, amigo de pileque de Vinicius de Moraes, Lan, Lúcio Rangel, Aracy de Almeida, Lupicínio Rodrigues e Ismael Silva. Chegou até a compor alguns sambas com Ismael.

Tinha duas obsessões: torcer pelo Botafogo e ler livros policiais.

Ele era um estudioso de literatura policial. Gostava tanto que escreveu alguns livros sobre o tema, como Os Maiores Detetives de Todos os Tempos (1973) e O Mundo Emocionante do Romance Policial (1979).

Meu avô se correspondia com fãs e especialistas de todo o mundo. Amava Conan Doyle acima de todos. O coroa vivia e respirava crime 24 horas por dia.

Ele morreu em 1982. Eu tinha 14 anos e sinto muito não tê-lo conhecido melhor.

Minha avó dizia que ele lia um livro por noite. E devia ser verdade, pelo tamanho de sua biblioteca.

Os livros ocupavam dois quartos inteiros, com estantes duplas e triplas de mais de três metros de altura. Alguns livros estavam tão escondidos que eu nem sabia que existiam. E não tinha só romance policial; a coleção de literatura brasileira era gigante.

Ao longo dos anos, a biblioteca foi sendo dividida entre filhos e netos. Mas a parte que mais me interessava continuava na casa de minha avó, intocada: a coleção de livros policiais e de mistério.

Quando eu era mais novo, curtia muito Conan Doyle, Agatha Christie, Patricia Highsmith e o Maigret de Simenon. Depois, embarquei nas viagens darks de Jim Thompson e James Ellroy (já tô na primeira fila da FLIP pra ver a lenda!)

Eu nunca fui um fanático pelo gênero, mas desconfio que isso vai mudar. Porque minha avó finalmente fez a pergunta que eu esperava há tanto tempo: “Não quer ficar com os livros policiais do seu avô?” Aleluia.

Foi uma trabalheira tirar tudo de lá: 24 caixas gigantes de livros. Não contei, mas passa tranquilamente de dois mil volumes.

Demorei três semanas para desembalar e arrumar tudo. Limpei os livros um a um, passando uma esponjinha nas capas e contracapas. Foi uma catarse.

Tinha de tudo: coleções gigantes de Georges Simenon, Agatha Christie, Ngaio Marsh, Rex Stout, Sax Rohmer, Ellery Queen, John Creasey, Dashiel Hammett, Ed McBain, Patricia Highsmith, Mickey Spillane, Conan Doyle. Enlouquecedor.

Desse tesouro todo, o que me deixou mais embasbacado foram as coleções de livros “pulp”.

São séries com títulos chamativos como “Coleção Vampiro”, “Coleção Amarela”, “Coleção Xis” e “Mestres do Crime”. As datas de lançamento variam de 1937 a 1972.

Tudo nesses livros é lindo: a capa, o cheiro, a tipologia, a diagramação.

Me perdoem os fãs de Kindles e Ipads, mas livro, só no papel.

Eu já me rendi ao Ipad para ler jornais e revistas, mas livros, não dá.

A menos que o próximo Ipad venha com um odorama exalando essência de papel velho.

Escrito por André Barcinski às 22h55

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Muricy é mais um canastrão de novela mexicana

Então Muricy, o “senhor dignidade”, agiu como qualquer outro embusteiro, arrumou uma desculpa fajuta e se mandou para algo melhor. Bom pra ele.

Não vou ficar aqui repetindo, pela enésima, vez, o que tanta gente já escreveu sobre a falta de ética, a prostituição corporativa, a mercantilização e o culto a celebridades que assola o futebol.

Tenho certeza que Muricy deve ter 348 respostas perfeitamente plausíveis para sua saída, todas discutidas exaustivamente com sua assessoria de imprensa e conselheiros.

A estrutura do Fluminense é ridícula? Claro que é, todo mundo sabe. Até o presidente do clube admite. Mas o próprio Muricy disse que estava lá para ajudar a mudá-la.

Não é esse o ponto.

O ponto é: por que diabos NÓS, os idiotas que pagamos essa palhaçada toda, continuamos nos importando?

Confesso que, por uns cinco minutos, fiquei bem chateado com o gesto do Muricy. Depois, lembrei que esse cara ganha, num mês, mais que a minha mãe recebeu em 35 anos de magistério.

Vale a pena se chatear por esses caras?

Sei como o fanático pelo Santos deve ter se sentido ao ver Robinho voltar à Vila Belmiro beijando o escudo e fazendo juras de amor, só para sumir assim que garantiu sua vaguinha na Copa.

Ou como o gremista se sentiu com a presepada de Ronaldinho Gaúcho. Ou o torcedor da Roma com a molecagem do Adriano. Ou o corinthiano vendo Ronaldo ganhar 40 mil reais por dia enquanto só engordava fora do campo.

Ou os torcedores de quaisquer times que cometerem a burrice de contratar Roger, Carlos Alberto, Jobson, Felipe, Gabriel, Luxemburgo, Jonas e tantos outros por aí.

O futebol hoje parece uma novela mexicana: astros milionários, roteiros ruins e de final previsível, vilões que arquitetam as maldades de dentro de escritórios sombrios, e uma multidão de cretinos – nós – que assistimos a tudo de camarote.

E o pior: esses astros são todos péssimos atores.

Ronaldinho Gaúcho comemorando um gol contra o Murici de Alagoas como se fosse a final da Liga dos Campeões, foi uma das cenas mais grotescas que já vi. Pura canastrice midiática.

Neymar idem. Não dá um passo no campo sem pensar em como a câmera o está focalizando.

Dá pra ser diferente?

Acho que dá. É um prazer ver um cara como Ganso jogando. Pelo menos até agora, ele parece jogar mais para o time do que para as câmeras. Vamos ver se continua assim.

Tudo isso fica como lição: não dá pra levar esses caras a sério.

Torcer no estádio é divertidíssimo, mas até isso estão tirando da gente, com jogos que terminam de madrugada e ingressos mais caros que ópera.

Vou continuar torcendo? Claro. Faço isso desde sempre e não vou mudar agora. Mas que a presepada da Madre Teresa de Muricy foi um balde de água fria, isso foi.

Lembrei na hora de Joãozinho Podre, dos Sex Pistols, perguntando à platéia de um de seus derradeiros shows: “Já teve a impressão de estar sendo trapaceado?”

Escrito por André Barcinski às 18h44

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As dez maiores comédias do cinema

A resposta dos leitores ao post "Comédias estúpidas para tardes chuvosas" foi tão bacana que
resolvi fazer outra lista: a das melhores comédias já feitas no cinema.

Veja bem: esta é a MINHA lista. Mande a sua e compare.

Aqui vão, sem ordem de preferência, minhas dez comédias prediletas. Só fiz uma menção especial
à comédia que, na minha opinião, é a maior de todos os tempos. Deixei essa por último.

Bancando o Águia (Sherlock Jr., Buster Keaton, 1924)
Tenho dois itens em casa que eu faria de tudo para salvar de um incêndio. O primeiro é
a caixa com todos os programas do Monty Python na BBC. O segundo é a caixa da Kino com todos os
longas de Buster Keaton. Não tem nada igual a esse cara. Nem Chaplin.
Fãs de Keaton e estudiosos em geral costumam preferir A General (1926), mas eu acho Bancando o Águia
uma coisa do outro mundo. Neste filme, Keaton interpreta o projecionista de um cinema que "entra"
dentro do filme e acaba se envolvendo num caso policial. O cinema ainda engatinhava e o gênio já
brincava com a metalinguagem. Woody Allen se "inspirou" em Sherlock Jr. em A Rosa Púrpura
do Cairo.

Em Busca do Ouro (The Gold Rush, Chaplin, 1925)
Não canso de assistir. É um dos poucos Chaplin sem pieguice. Não que eu não goste de um açúçar
de vez em quando, mas admito que O Garoto e Luzes da Cidade, embora fantásticos, me dão uma certa
hiperglicemia.

Quanto Mais Quente Melhor
(Some Like It Hot, Billy Wilder, 1959)
Billy Wilder fez muitas comédias clássicas - O Pecado Mora ao Lado (1955), Se Meu Apartamento Falasse
(1960), Irma La Douce (1963), mas esta é sua obra-prima. Um roteiro brilhante, com atuações míticas
de Marilyn Monroe, Jack Lemmon e Tony Curtis, e a melhor frase de encerramento já filmada.Irretocável.

Os Eternos Desconhecidos (I Soliti Ignoti, Mario Monicelli, 1958)
Uma arrasadora paródia dos filmes de assalto tipo Rififi, com a gangue de bandidos maus incompetentes
já gravada em celulóide. O elenco beira o inacreditável: Marcello Mastroianni, Vittorio Gassman, Renato
Salvatori, Carlo Pisacane, Claudia Cardinale, Memmo Carotenuto e Tiberio Murgia. Como se não bastasse,
Totó - meu comediante favorito de todos os tempos - faz um especialista em explodir cofres. Já vi umas
50 vezes e verei mais 50, feliz da vida.

Banzé no Oeste (Blazing Saddles, Mel Brooks, 1974)
Algumas comédias de Mel Brooks envelheceram mal, mas esta continua tão absurda, radical e livre
quanto em 74.Uma sátira demolidora dos mitos do Velho Oeste, com um final surrealista e
metalinguístico dos mais surpreendentes.

O Grande Lebowski (The Big Lebowski, Joel e Ethan Coen, 1998)
Um clássico sobre o submundo e as idiossincrasias de Los Angeles, a cidade dos seres mais
estranhos do planeta. Veteranos do Vietnã, artistas plásticos sodomitas, milionárias ninfomaníacas,
e ele, o adorável gente boa, Jeff Lebowski. O papel pelo qual Jeff Bridges será sempre lembrado.

Monty Python e o Cálice Sagrado (Monty Python and The Holy Grail, Terry Gilliam e Terry Jones, 1975)
Juro que fiquei em dúvida entre este e A Vida de Brian (1979). Poderia ter sido qualquer um dos dois.
Mas aí lembrei dos Cavaleiros que dizem "Ni!" e fiquei com este.

The Bank Dick (Edward Cline, 1940)
O auge do comediante mais rabugento, bêbado e mal humorado da história, W.C. Fields. Eu adoro o sujeito e suas
tiradas vitriólicas contra esposas, crianças e animais de estimação.

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (Annie Hall, Woody Allen, 1977)
Gosto de muitos filmes de Allen - Manhattan, Hannah e Suas Irmãs, Crimes e Pecados - mas seu auge ainda é
Annie Hall. É a comédia nova-iorquina perfeita e marcou uma guinada na carreira de Allen, até então conhecido
por comédias mais escracahadas como Bananas e O Dorminhoco.

A MAIOR DE TODAS

Diabo a Quatro (Leo McCarey, 1933)
Dos Irmãos Marx, eu poderia tranquilamente ter escolhido Uma Noite na Ópera ou Um Dia nas Corridas. Mas minha
comédia predileta - e um dos cinco filmes que eu escolheria levar para uma ilha deserta - é O Diabo
a Quatro. É o filme mais engraçado, bem escrito e interpretado de todos os tempos.
Groucho nunca foi tão cínico e brilhante; Chico, tão esculachado, e Harpo, tão ingênuo e alegre. O filme começa
acelerado e não pára, com uma cena mais absurda e surreal depois da outra. Não foi um grande sucesso de bilheteria
na época - o filme foi lançado no meio da Grande Depressão e o público não aprovou seu niilismo e cinismo absolutos
- mas teve o mérito de enfurecer tanto a Mussolini que este o proibiu na Itália.

Dez menções honrosas:

Dr. Fantástico (Dr. Strangelove, Stanley Kubrick, 1964)
As Férias do Sr. Hulot (Les Vacances de Monsieur Hulot, Jacques Tati, 1953)
Borat (Larry Charles, 2006)
Um Estranho Casal (The Odd Couple, Gene Saks, 1968)
Corra que a Polícia Vem Aí (Naked Gun, Zucker, Abrahams e Zucker, 1988)
Tootsie (Sidney Pollack, 1982)
M.A.S.H.(Robert Altman, 1970)
Primavera para Hitler (The Producers, Mel Brooks, 1968)
Os Boas-Vidas (I Vitelloni, Fellini, 1953
Quinteto Irreverente (Amici Miei 2, Mario Monicelli, 1982)

Escrito por André Barcinski às 00h13

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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