André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Comédias estúpidas para tardes chuvosas

Ah, o Carnaval... Quatro dias de folia e brincadeira...

 

Só se for pros outros. Aqui, foi só chuva. A aguaceira começou na quinta à noite e não parou até agora. Incrível.

 

Tentei ler um livrinho, mas não deu. Quem tem em casa uma criança pequena, que sonha há semanas com a fantasia que usaria no Carnaval, sabe que não terá um minuto de paz em dias chuvosos. O baile rolou aqui na sala.

 

Domingo à noite foi o auge da chuva. Não dava nem pra abrir as janelas. Jogado no sofá, fui zappeando a TV. Desânimo total. Cenas de algum trio elétrico em Salvador, Kadafi fazendo das suas na Líbia, a Igreja querendo censurar carros alegóricos... Até que parei no TCM.

 

Esse canal é a minha salvação. Tem a pior imagem da TV mundial (devem exibir os filmes em VHS, não é possível), mas a programação sempre traz surpresas. O TCM estava exibindo “The Three Amigos”, com Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. Uma das comédias mais cretinas de todos os tempos.

 

Em qualquer situação, eu consideraria uma tortura passar 90 minutos vendo Chevy Chase. Mas naquele domingão de chuva, cercado de folia por todos os lados, o filme estranhamente se encontrou.

 

Não é um bom filme. Velho, datado, com aquelas piadas infames (“Você quer me beijar na varanda?” diz uma mexicana gostosa pra Chevy Chase, “Não, prefiro te beijar na boca!”), mas funcionou. Minha filha adorou. Riu muito. Ria mais das minhas risadas do que do filme, claro.

 

Já dizia Gore Vidal, “fatos não são nada sem as circunstâncias”. E as circunstâncias desse domingo chuvoso pediam um filme desses, em que a gente pode deixar o cérebro em ponto morto e se deixar levar.

 

Como a chuva continua a cair na manhã de quinta - e parece que vai seguir assim pelo fim-de-semana - resolvi fazer uma listinha de dez grandes filmes estúpidos para tardes chuvosas. Claro que não são as melhores comédias, isso fica para outro post. Mas são dez filmes ideais para tardes preguiçosas. Faça a sua lista e compare. E até segunda!

 

Corra que a Polícia Vem Aí (Naked Gun, Zucker, Abrahams e Zucker, 1988)

De todos os filmes de Zucker, Abrahams e Zucker, este é o melhor. O tenente Frank Drebin (Leslie Nielsen) tenta salvar a Rainha da Inglaterra, ameaçada por um terrorista internacional (Ricardo Montalban, de “A Ilha da Fantasia”). Só a cena em que Leslie mata o caríssimo peixe de estimação do gângster com uma caneta já vale a tarde.

 

O Mentiroso (Liar, Liar, Tom Shadyac, 1997)

Eu sei, podem me xingar, mas sou fã de Jim Carrey. Acho Carrey muito talentoso e, frequentemente, melhor que seus filmes. E “O Mentiroso” é um dos bons. Carrey faz um advogado que, por um passe de mágica, não consegue falar mentiras. As cenas em que ele briga com sua própria consciência no meio de um tribunal são inacreditáveis.

 

Ovelha Negra (Black Sheep, Penelope Spheeries, 1996)

Chris Farley deixou saudades. Não sei se em muitas pessoas, mas eu fiquei, com certeza. Tá certo, o gordinho imitava muito o John Belushi e terminava quase todos os quadros se jogando de peito em cima de uma mesa. Mas o DVD dele no “Saturday Night Live” é uma obsessão minha. Passo mal toda vez que assisto a ele e Patrick Swayze como “go go boys” (veja aí em cima).

Assisto QUALQUER filme de Chris Farley. Até uma ruindade como “O Ninja de Beverly Hills” merece uma olhada, nem que seja pela cena dele usando dois atuns como tchacos.

“Black Sheep” é o melhor filme de Farley. E tem o doidaço Gary Busey numa ponta.

 

Um Príncipe em Nova York (Coming to America, John Landis, 1988)

A molecada de hoje duvida quando a gente fala que Eddie Murphy já foi o maior comediante do mundo. Mas é verdade. Tenho gravados dezenas de quadros de Murphy no “Saturday Night Live”. Ele fazendo Buckwheat, de “Os Batutinhas”, é uma das melhores coisas que já vi na vida.

“Um Príncipe em Nova York” é daqueles filmes que assisto inteiro toda vez que passa. Eddie Murphy faz um príncipe de um país na África que resolve ir aos Estados Unidos viver como um plebeu, e acaba varrendo o chão de uma lanchonete chamada “McDowell's”. Nem o mala do Arsenio Hall consegue estragar o filme.

 

Os Safados (Dirty Rotten Scoundrels, Frank Oz, 1988)

Steve Martin e Michael Caine fazem dois trapaceiros rivais agindo na Riviera Francesa. Passo mal só de lembrar da cena de Steve Martin de tapa-olho, se fingindo de Rupert, o irmão especial de Michael Caine, que precisa comer com uma rolha espetada na ponta do garfo para não furar o olho. Aliás, acho que vou rever esse filme HOJE.

 

Debi e Lóide (Dumb and Dumber, Bobby e Peter Farrelly, 1994)

Quem poderia acreditar que Jim Carrey seria o menos idiota de uma dupla? Em Debi e Lóide, ele é suplantado, em termos de cretinice, por Jeff Daniels. Só a cena em que os dois congelam em cima de uma moto, com melecas nojentas esticando do nariz como estalactites, alegra meu coração.

 

Meus Caros Amigos (Amici Miei, Mario Monicelli, 1975)

Espécie de “Porky’s” para cinqüentões. Um grupo de amigos, incluindoUgo Tognazzi, Philippe Noiret, Adolfo Celi e Gastone Moschin, se reúnem para criar os trotes mais estúpidos possíveis. A continuação, “Quinteto Irreverente” (1982), também é ótima.

 

Estes Loucos Reis do Boliche (Kingpin, Bobby e Peter Farrelly, 1996)

Uma pena que usem tão pouco Woody Harrelson em comédias. Ele é ótimo. Em “Kingpin”, Harrelson faz um profissional de boliche que, depois de perder a mão (literalmente), entra em depressão e some do circuito, mas retorna para desafiar seu rival, interpretado por Bill Murray. Qualquer filme que tenha Bill Murray vale a pena. E este tem também Randy Quaid fazendo um “amish” craque do boliche. Juro.

 

 

Top Secret! (Zucker, Abrahams e Zucker, 1984)

Quem diria que Val Kilmer já foi engraçado? Nessa paródia de filmes de espionagem de guerra, ele interpreta um cantor pop que acaba envolvido na luta contra os nazistas. É um besteirol dos mais rasteiros, com incontáveis piadas chupadas da revista “Mad”.

 

Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (Airplane!, Zucker, Abrahams e Zucker, 1980)

Uma barragem ininterrupta de piadas infames. Muitas funcionam, outras não. Muitas envelheceram, e a imensa maioria não sairia nem do papel hoje, nessa época de correção política. Só a sequência parodiando “Os Embalos de Sábado à Noite” vale o filme. Sem contar o inesquecível “piloto automático”.

Escrito por André Barcinski às 12h04

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Terror na Sapucaí!

Ainda estou me recuperando das imagens acima.

Juro que foi uma das coisas mais surreais que já vi.

Poucas coisas combinam menos que Carnaval e Zé do Caixão. E ver Mojica na Unidos da Tijuca foi inacreditável.

Foi a homenagem mais importante que ele já recebeu.

E tenho certeza que a ficha não caiu pra ele ainda.

Aqueles poucos segundos na Globo ontem valeram muito para ele. Porque a grande maioria da população brasileira nem sabe que ele é cineasta.

Zé do Caixão, o personagem, todo mundo conhece. Já José Mojica Marins, o cineasta, é pouco conhecido.

Foi emocionante vê-lo homenageado como uma espécie de “patrono” do cinema brasileiro, sentado num carro onde eram exibidos cenas de clássicos do nosso cinema.

Tomara que a Unidos da Tijuca fique entre as primeiras colocadas, para que ele volte a desfilar no sábado. E quem sabe ele não ganha um selinho da Hebe? Pô, a mulher beijou o Jude Law e o Will.i.am, por que não o Mojica?

Escrito por André Barcinski às 14h04

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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