André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

"127 Horas", ou como fazer um filme com um ator e uma locação

Nunca sei o que esperar de Danny Boyle.

O sujeito faz alguns filmes bem estranhos e excitantes, tipo “Trainspotting” e “Extermínio”, e depois consegue errar feio, como em “Sunshine” ou “Quem quer ser um Milionário”.

Confesso que fui ver “127 Horas” meio ressabiado.

Tinha lido sobre o filme e conhecia a história, baseada na vida de Aron Ralston, um alpinista e aventureiro que cai num buraco num deserto em Utah e fica com a mão presa debaixo de uma pedra.

Pensei: como ele vai fazer um filme em que o personagem principal passa a maior parte do tempo dentro de um buraco?

Juro que não levei muita fé.

Queimei a língua. O filme é arrasador (leia aqui a crítica que fiz na Folha).

Danny Boyle acertou a mão. Fez um filme que tem basicamente um ator, uma locação e, mais importante, uma história que todo mundo sabe como termina.

Sem ter à disposição a possibilidade de um final surpreendente, Boyle consegue criar – e sustentar – a tensão usando apenas a técnica.

A fotografia, a edição, a música, os efeitos visuais, tudo é usado de forma a criar uma atmosfera quase insuportável de suspense e emoção.

E o som? Há muito tempo não via um filme com um som tão maquiavélico.

Some-se a isso uma atuação destemida de James Franco, e temos um filme difícil de esquecer.

Um grande filme? Não sei. Preciso assistir de novo para ver se o impacto da primeira vez se dissipa. Mas a primeira vez foi memorável.

Li em algum lugar que pessoas têm desmaiado durante a sessão. Acredito. Vi o filme com minha mulher, que não desmaiou, mas chegou perto.

De qualquer forma, ninguém vai sair da sessão em cima do muro. É um filme extremo. Que prova, mais uma vez, que somos atraídos pelo que nos choca.

Escrito por André Barcinski às 01h44

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Pelas barbas do profeta! Um tributo a Silvio Luiz

Lendo as dezenas de respostas ao post de ontem sobre a chatice das transmissões de futebol, percebi que muita gente concorda comigo: Silvio Luiz, como narrador de futebol na TV, é insuperável.

Resolvi listar algumas histórias dele que me marcaram e gostaria de pedir a todos que enviassem suas lembranças prediletas do gênio da raça.

- Minha história predileta, e que já citei numa resposta a um comentário, ocorreu num campeonato italiano qualquer. Havia um jogador chamado “Brogna”, ou algo parecido. E o Silvião sempre dava um jeito de mencioná-lo: “Huuummm.. esse Brogna, não sei não, é um pouco individualista, não é verdade?”, “O Brogna só quer saber de jogar sozinho”, e por aí vai.

- Essa o Silvio contou no Garagem, o programa de rádio que apresento com meu amigo Paulo Cesar Martin: num jogo em Cuiabá, fazia um calor dos diabos. O repórter de campo diz: “Silvio, aqui no gramado o calor tá insuportável!” E ele retruca: “Se aí tá quente, imagina aqui na cabine? Tô suando até no REGO!!!” Depois, Silvio revelou que narrou aquele jogo de cueca.

- Essa quem lembrou foi o Paulo: num amistoso internacional (ele acha que foi Sâo Paulo x Barcelona), o sinal da TV local demorou a entrar. Quando a transmissão começou, o jogo já estava com 5 minutos, a bola estava no ataque do Barcelona, que fez um gol.

Silvio Luiz, pego de surpresa, não teve tempo nem de conferir a escalação dos times e não titubeou: “Gooooool!!!!! Do oitoooooooo!!!!”

- Um caso mais recente: no seu Twitter, Silvio Luiz postou a seguinte mensagem endereçada a Soninha, então subprefeita da Lapa: “O mato aqui na praça perto da minha casa tá tão alto que daqui a pouco vai sair uma onça de dentro!”

Escrito por André Barcinski às 01h58

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Pela volta da insensatez ao futebol

 

 

 

 

 

 

 

 

Então Caio Ribeiro será o comentarista titular da Globo?

Não me afeta em nada. Faz anos que não assisto a esporte na TV aberta.

Não suporto ufanismo e me recuso a ver comentaristas chapa branca que não podem criticar o jogo para não irritar os patrocinadores.

Quando assisto a futebol na TV, gosto de ver o Mauricio Noriega.  Sou fã do cara. Quando ele faz dobradinha com o Milton Leite, consegue a proeza de me fazer assistir até um jogo que não seja do Fluminense (escrevo isso vendo a dupla atuando no jogo do Santos na Libertadores).

Gosto também do Lédio Carmona, do PVC, do Arnaldo Ribeiro e do André Rizek. Curto a rabugice do Trajano e achei uma pena o Alex Escobar ter parado de comentar futebol.

Agora, se eu fosse diretor de uma emissora qualquer, promoveria a volta dos comentaristas-torcedores.

Acho que o jornalismo esportivo está bem comportado demais. Todo mundo é sensato e imparcial.

Quando eu me refestelo no sofá pra ver futebol, a última coisa que quero é sensatez e imparcialidade. A objetividade me entorpece.

Assistir o Caio Rivotril Ribeiro dizendo que o meio-campo do Ibitipoca sente a falta de Zacharias, seu homem de criação, ou que o técnico do Chupacabra precisa corrigir as falhas de cobertura da zaga, me botam pra dormir em cinco minutos.

Talvez eu seja uma exceção. Conheço muita gente que gosta de futebol e adora ouvir análises frias e objetivas sobre a partida.

Já eu, não. Gosto mais do meu time do que de futebol.

Entre assistir na TV a Fluminense x Madureira ou Barcelona x Real Madrid, fico com o clássico de Conselheiro Galvão, sem dúvida. Quero que o Messi e o Cristiano Ronaldo vão pro diabo que os carregue.

Semana passada estava no Rio e fui pela primeira vez ao Engenhão. Foi uma tragédia: o Fluminense jogou mal pacas, quase perdeu do Argentinos Juniors e tomou dois gols de cabeça de um tampinha de um metro e meio.

Gastei 150 reais entre ingresso, táxi e bebida; vi um jogo horroroso e cheguei em casa à 1h30 da manhã.  Aliás, não vi jogo nenhum, porque pra ver alguma coisa no Engenhão, só com o telescópio Hubble.

O sujeito que projetou aquela desgraça deve odiar futebol. O campo fica a uns dois quilômetros da torcida.

Só uma coisa salvou a minha noite: na volta do jogo, o taxista ouvia os comentários de Gerson, o Canhotinha de Ouro. Ele dizia o seguinte:

“Gente, vamos fazer um cálculo aqui: o argentino anão tem um metro e meio. O Gum (zagueiro do Flu) tem quatro metros de altura, e o André Luís (outro zagueiro), tem oito metros de altura. O goleiro tem doze metros. Então como é que o anão de um metro e meio pode fazer dois gols de cabeça? Porra, o fêmur do André Luís é mais alto que o argentino! O fêmur!!!!”

Ouvir o Gerson trouxe lembranças de meu comentarista insensato predileto, João Saldanha (por favor, se alguém tiver alguma cena do Saldanha comentando a Copa de 86 da Rede Manchete, poste aqui).

Espero que minha memória não me engane – já se passaram 25 anos – mas lembro de duas cenas antológicas:

Brasil x Argélia.

Jogo horroroso, zero a zero até o meio do segundo tempo. Saldanha tá uma fera, só reclama do time. Telê manda Muller pro aquecimento. O locutor Paulo Stein pergunta:

“João, quem deve sair pro Muller entrar?”

“E eu sei lá?”, responde João, furibundo. “Porra, contra esse time aí? Sai qualquer um! Sai o Casagrande, sai o Sócrates, sai quem quiser! Sai até você, que fica aí me perguntando essas coisas!”

Nas quartas, contra a França, o jogo vai pros pênaltis. E Saldanha já começa a antecipar que Sócrates não deve bater o pênalti sem tomar distância da bola, como costumava fazer. “Até o Pelé pegava distância...”

Chega a vez do Doutor. Sócrates fica a dois passos da bola.

João prevê a tragédia: “Eu tô dizendo... pega distância! Não fica aí! Vai pra trás! Vai pra trás!”

O juiz apita. Sócrates dá um passinho de moça e bate. O goleiro pega.

Três segundos de silêncio...

“PALHAÇO!!! MOLEQUE!!! IRRESPONSÁVEL!!!

Paulo Stein diz... “Pppp...ooomba!”

E João retruca: “Pomba nada, é PORRA mesmo!

Escrito por André Barcinski às 00h05

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A linha evolutiva indie (1986-2011)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acompanho a cena musical brasileira desde o meio/fim dos anos 80.

 

Nesse quarto de século, pude presenciar a evolução e as transformações por que passou uma das criaturas mais curiosas de nosso panorama musical alternativo: o indie.

 

Sim, o indie, esse eterno descontente, sempre remando contra a maré da música comercial e popular. Um eterno revoltado, para quem ninguém presta se for conhecido por mais de 14 pessoas.

 

Em homenagem a esse espécime tão importante de nossa fauna alternativa, tentei fazer uma genealogia de seu progresso no Brasil, desde seus primórdios (do indie, não do Brasil).

 

Claro que nenhum trabalho desses pode ser absolutamente completo, dada a capacidade de mutação indie e o número gigantesco de gêneros, subgêneros, microsubgêneros e nanomicrosubgêneros existentes.  Limitei-me apenas aos grupos mais populosos e populares.

 

Sâo eles:

 

1985-1989 – O INDIE GENÉRICO

Até o fim dos anos 80, os indies eram poucos e unidos. Nessa época, ou você ouvia New Order, Sisters of Mercy, Smiths, Cure, Echo and the Bunnymen e Joy Division, ou ouvia Kiss e AC/DC. Não havia meio termo.

Logo os indies genéricos começaram a se desmembrar e formar subgêneros, como os indies góticos e os indies industriais. Vinte anos depois, os filhos de fãs dos Smiths criaram um subgênero indie importantíssimo, os emos.

Ícone: Ian McCulloch

 

1989 – O INDIE SHOEGAZER

Os indies descobrem a microfonia. Começam a aparecer meninas com camisetas de Sonic Youth e My Bloody Valentine e caras com cabelo de esfregão. O primeiro disco do Stone Roses, confundido na época com “shoegazer”,  foi um “must”.

Ícone: Kim Gordon

 

1990 – 1993 – O INDIE UNIVERSITÁRIO

Muito antes do forró, o indie também teve seu subgênero universitário. Foi a época em que os indies descobriram bandas inteligentes e de letras engraçadinhas, formadas por nerds que não comiam ninguém, como Pixies e Pavement.

Um subgênero do Indie Universitário é o Indie Colegial, com nerds um pouco mais jovens, mas que também não comiam ninguém, como o Weezer

Ícones: Kim Deal, Rivers Cuomo

 

1991-1992 – O INDIE GRUNGE

Tipo indie de vida curta. Começou no “Bleach” e acabou no “Nevermind”, quando o Nirvana apareceu na MTV e passou a não prestar de uma hora pra outra.

Ícone: Mark Lanegan (Cobain não, muito popular)

 

1992- 1994 – O INDIE BRITPOP

Quem achava o grunge muito barulhento preferiu botar uma golinha rolê, cortar o cabelo tigelinha e se acabar na pista ao som de Blur, Pulp e Oasis.

Ícone: Damon Albarn

 

1996 – O INDIE LOSER

Quando Beck lançou “Odelay”, um monte de hippies que tocavam “Travessia” em acampamentos sentiram pela primeira vez o chamado do indie rock. E as pistas foram invadidas por alternativos vestidos de mendigo.

Ícone: Beck

 

1997 – O INDIE SENSÍVEL

Quando o Radiohead lançou “OK Computer”, não poderia imaginar que estava ajudando a criar uma nova categoria de indie. De uma hora pra outra, guitarras barulhentas estavam “demodé”. O negócio era cantar juntinho com Thom Yorke, de olhos fechados e balançando a cabeça na pista, tipo Stevie Wonder.

Ícone: Thom Yorke, claro

 

1998 – O INDIE FOFINHO

Subgênero mais irritante do indie sensível, surgido com o aparecimento do Belle and Sebastian. O indie fofinho gostava de dançar em grupos de oito ou dez, sempre fazendo passinhos coreografados e mãos para o alto.

Ídolo: Stuart Murdoch

 

2001 – O INDIE GRAVATINHA

Brechós em todo o mundo vibraram quando os Strokes lançaram “Is This it”, em 2001. De uma hora pra outra, todo mundo assaltou o guarda-roupa do avô e roubou os paletós de tweed e as gravatinhas ridículas. Outros itens obrigatórios: cabelos desgrenhados e cara de quem acabou de acordar.

Ícone: Julian Casablancas

 

2004 – O INDIE LOS HERMANOS

Fase negra: barbas frondosas, visual de estudante da PUC e o início das Havaianas como ícone indie. Os alternativos descobrem que podem cantar em Português. Marcelo Camelo renega a única música pop decente que fez, “Anna Julia”, e vira ídolo indie.

No Leblon, Caetano Veloso sente algo no ar e começa a bolar seu plano de dominação da cena alternativa. Dois anos depois, monta uma banda com outros barbudos e lança o disco “Cê”.

Ícone: Camelo

 

2007 – O INDIE BARBA E BONÉ

Subgênero pequeno mas muito influente. Fãs de dub, MPB, Tortoise, Nação Zumbi e pernambucanos em geral. Donos de um visual cuidadosamente desleixado, com barbas desgrenhadas fio a fio, para máximo impacto “slacker”, camisas quadriculadas justinhas e o indefectível boné quadrado.

Ícone: Cartola

 

2008 – O INDIE NEW RAVE

Passou como um raio. Três meses apenas, em que tentaram convencer o mundo que o Klaxons iria nos salvar. Todo mundo cansou de ser sexy rapidinho.

Ícone: Lovefoxx

 

2010 – O INDIE ADULTO CONTEMPORÂNEO

Trevas. Como bem disse um amigo, “o Jeneci está para o Camelo assim como o Jorge Vercilo está para o Djavan”. Ou seja: estão tentando piorar o que parecia o fundo do poço.

O indie finalmente cai no samba  comTulipa Ruiz, Rômulo Fróes e o citado Jeneci. Aliás, cai não, que é muito povão; o indie pensa e reflete sobre o samba, sacou? É o transamba. E, pra piorar, ainda conseguiram reabilitar o Arnaldo Antunes.

Ícones: Cartola e Tom Zé

 

2011 – ???

 

Quem será? Alguém se habilita?

Escrito por André Barcinski às 00h41

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"Lixo Extraordinário" é justamente isso

Poucas vezes tive tanta vontade de sair no meio de um filme quanto em “Lixo Extraordinário”.

Só resisti por um mix de masoquismo e medo do calor de 38 graus que fazia fora do cinema.

“Lixo Extraordinário” é um comercial de 90 minutos sobre a bondade e magnanimidade do artista plástico brasileiro Vik Muniz e sobre como ele ajuda um grupo de catadores de lixo do Jardim Gramacho, na Baixada Fluminense. Deveria se chamar “Vik Extraordinário”.

O filme, dirigido pela inglesa Lucy Walker, está concorrendo ao Oscar de melhor documentário. Sendo tão ruim e piegas, tem tudo para ganhar.

A primeira imagem já dá pista do que vem: a abertura do programa do Jô, em que ele apresenta Vik como “o artista brasileiro com mais prestígio no exterior” ou algo semelhante.

Logo depois, Vik surge em seu estúdio em Nova York, refletindo sobre sua arte. Ele, que já havia pintado quadros com chocolate, areia, terra, açúcar e não sei mais o quê, decide fazer um trabalho com lixo.

Um assistente, conversado com Vik por Skype, dá a letra: o Jardim Gramacho, o maior aterro de lixo do mundo, onde três mil pessoas trabalham e vivem em condições degradantes.

Vik põe na cabeça que precisa ajudar aquelas pessoas. Logo, ele está voando para o Rio, com uma expressão angelical e meditativa no rosto. Só faltam as trombetas anunciando a chegada do Salvador.

O Jardim Gramacho é um cenário pós-apocalíptico, com montanhas de lixo e detritos sendo disputadas por seres humanos.

As histórias são de partir o coração: uma menina de 18 anos e mãe de duas crianças conta como encontrou um bebê morto no lixo; outra moça relata a morte do filho de três anos. Uma tragédia.

Mas Vik e sua trupe estão lá para ajudar. Ele se reúne com o chefe da Associação dos Catadores de Lixo, um sujeito carismático e engraçado chamado Tião, e conta que pretende fazer obras de arte com os catadores e reverter toda a renda para eles. Tião olha, desconfiado.

“Eu nem gosto de falar essas coisas”, diz Vik, com uma modéstia comovente, “mas eu sou um dos artistas brasileiros de maior sucesso lá fora”. Depois, conta que veio de uma família pobre e que quer “retribuir de alguma forma”.

“Lixo Extraordinário” é uma versão para cinema dos programas assistencialistas da TV, em que necessitados estão sempre em posição subserviente, esperando pelos heróis chegarem em seus cavalos brancos.

Perdi a conta de quantas vezes um dos catadores aparece abraçando Vik, chorando e dizendo coisas como “Você mudou minha vida!” ou “Ninguém nunca acreditou em mim!”

Vik leva Tião a Londres para acompanhar o leilão do quadro que fizeram juntos. E aproveita para mostrar um pouco de arte moderna a Tião, que é apresentado a obras de Damien Hirst e Basquiat. Claro que o leilão termina com o triunfo... de Vik.

Para quem quiser assistir a um grande filme sobre o tema, recomendo “Estamira” (2005), um documentário surrealista de Marcos Prado sobre a vida de uma senhora que trabalha no aterro de Gramacho.

P.S.: a pedidos, o blog ganhou links de compartilhamento no Facebook, Twitter e Orkut. Vejam aí ao lado. E muito obrigado ao Marcio e ao pessoal da Folha.com pela ajuda.

Escrito por André Barcinski às 00h08

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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