André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Dois grandes filmes estréiam hoje

 

 

 

 

 

 

 

Um ótimo lugar para passar o fim-de-semana é dentro do cinema, com a estréia de dois grandes filmes: “Inverno da Alma” e “Deixe-me Entrar”.

“Inverno da Alma” (“Winter’s Bone”), eu já comentei aqui no blog. Não consigo lembrar de nenhum filme americano melhor que esse em 2010.

Fiquei muito surpreso quando soube que foi indicado a quatro Oscar: melhor filme, atriz, ator coadjuvante e roteiro adaptado. Incrível e inesperado.

O filme é uma espécie de “Odisséia” por uma das regiões mais miseráveis dos Estados Unidos, os Ozarks, uma região de florestas bem no centro do país.

Nos últimos anos, os Ozarks têm sido arrasados pela proliferação de uma das drogas mais destruidoras, a metanfetamina.

A protagonista do filme é uma jovem de 17 anos, Ree Dolly (Jennifer Lawrence), que sai em busca do pai, Jessup, um criminoso foragido da polícia.

A polícia avisa a Ree que, caso o pai não se entregue em sete dias, o Estado tomará a casa onde ela mora com a mãe e dois irmãos pequenos. E aí começa a saga da moça.

“Inverno da Alma” tem alguns dos personagens mais assustadores que já vi numa tela. O clima é pesado e sombrio, um pesadelo que vai ficando cada vez mais macabro. Mas o filme nunca chega a ser apelativo. A violência é mais subjetiva e sugestionada do que explicitada. Um filmaço.

“Deixe-me Entrar” foi outra grande surpresa. Trata-se da refilmagem de “Deixa Ela Entrar”, um filme de terror psicológico deslumbrante feito na Suécia, em 2008, sobre a amizade de um menino com uma vampira adolescente. Se não viu ainda, corra pra locadora.

Foi uma surpresa porque a gente já sabe o que esperar quando ouve que Hollywood vai refazer algum filme pequeno e genial: trama alterada para agradar ao “grande público”, atores escolhidos em sitcoms e totalmente errados para os papéis, enfim, um desapego completo ao filme original.

Não foi o caso. O diretor e roteirista Matt Reeves (“Cloverfield – Monstro”) manteve a estética sombria e minimalista e, mais importante, a atmosfera onírica do filme original.

“Deixe-Me Entrar” é um conto de fadas moderno sobre o despertar da sexualidade, o primeiro amor e o senso de deslocamento adolescente. Faria uma sessão dupla sensacional com “Piquenique na Montanha Misteriosa” (1975), de Peter Weir.

Escrito por André Barcinski às 09h18

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

O crime não compensa - especialmente com esses impostos

 

 

 

 

 

 

 

 

Semana passada, fui a uma papelaria de bairro comprar uma miudeza. Paguei com três moedas de um real. A tiazinha, mal pegou as moedas, disse; “Ah, meu filho, essas moedas são todas falsas!”

“Como assim? Como a senhora sabe?”

“Ah, dá pra saber só pelo peso! Quer ver só uma coisa?”

A tiazinha pegou um ímã.

“Olha só: a moeda de verdade cola no ímã; as falsas, não.”

E não é que deu certo? Nas minhas três moedas, o ímã não colou; quando ela tirou outra moeda da caixa registradora, colou.

Saí de lá embasbacado. Por vários motivos:

Em primeiro lugar, por uma senhorinha de uma papelaria de bairro conseguir identificar as moedas falsas só de pegá-las na mão.

Em segundo lugar, pela naturalidade com que a senhora comentou o crime, o que mostra a freqüência com que isso deve acontecer.

Mas o que mais me surpreendeu foi o fato de alguém falsificar uma moeda de um real.

Fiz umas contas de cabeça: será que vale o investimento? Será que fazer uma moeda falsa de um real não custa mais de um real?

Com certeza não, ou então seria mau negócio.

Mas faz pensar: em algum fundo de quintal ou galpão escondido por aí, tem um malaco produzindo moedas falsas. Será que ele tem funcionários? Suponho que sim, porque a produção tem de ser em larga escala para compensar o baixo valor da moeda.

Se ele tem funcionários, será que são registrados? Ele dá vale-transporte? Tíquete-refeição? Seguro-saúde? Afinal, não é porque alguém trabalha falsificando moedas que não fica doente, não é mesmo?

Quanto será que custa o metal bruto, o maquinário, a produção e o transporte dessas moedas? Deve ser um custo bem baixo, para compensar um produto ilegal que vale apenas um real.

A conclusão é simples: o crime só compensa porque o bandido não paga imposto. Se pagasse os impostos e encargos que todo empresário paga no Brasil, uma moeda de um real custaria três.

Escrito por André Barcinski às 00h40

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Grandes momentos da ogrice gastronômica

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Juro que não imaginava que os posts sobre culinária ogra fossem dar tanta repercussão.

 

Para encerrar a série, um post duplo: lá embaixo, conforme prometido, minha pequena lista de restaurantes ogros na Cidade Maravilhosa.

 

E aqui, juntei casos curiosos ocorridos em alguns dos restaurantes ogros que tive o prazer de conhecer.

 

São casos pitorescos, alguns cômicos, outros trágicos, mas que revelam que a ogrice, nesses locais, não se restringe aos pratos, mas escorre por todos os lados como gordura fervente escapando pelas frestas de um pastel...

 

A festa junina do Seu Bahia

 

Seu Bahia, dono da Galinhada do Bahia, é um sujeito exagerado. Quem já viu a porção de salada que ele serve, que sacia uns quatro pedreiros, sabe do que estou falando.

 

Certa vez, seu Bahia nos convidou para uma festa junina num terreno ao lado do restaurante. Ele fez uma fogueira pras crianças pularem e se divertirem. Só que a fogueira, bem ao estilo dele, mais parecia o incêndio do Joelma. As labaredas tinham pelo menos dois metros de altura.

 

Daí que o seu Bahia, depois de tomar algumas, resolveu que todos os seus amigos, como prova de amizade, tinham de pular a tal fogueira. Não teve jeito de recusar. Não foram poucos os que voltaram para casa com o rabo, literalmente, assado.

 

 

A garçonete poliglota do Rei dos Reis

 

Ao lado do Chi Fu, na Liberdade, fica o Rei dos Reis. E se você acha que é maltratado no Chi Fu, precisa conhecer o Rei dos Reis. Basta dizer que eu parei de ir lá depois que a garçonete simplesmente mentiu para nós, dizendo que a melancia tinha acabado, para logo depois trazer duas bacias da fruta para uma mesa do nosso lado (só de chineses, claro).

 

O staff do Rei dos Reis não falava uma palavra de Português. Uma vez pedi um camarão com nirá e a mulher trouxe macarrão com frango. Você pedia um prato e tinha de torcer para trazerem o certo.

 

Em outra ocasião, fui ao Rei dos Reis com uns amigos. Lá havia uma garçonete que carregava o filho de meses de idade nas costas (eu vi esse moleque crescer lá dentro, coitado, hoje deve estar acorrentado na cozinha descascando batatas). Pois bem, a moça chegou na mesa e perguntou: “E bebida?” Eu respondi: “Nada não, obrigado!”. E ela: “De laranja???”

 

Mais seu Bahia: o estranho caso da buchada explosiva

 

A buchada do Seu Bahia, como já comentei aqui, parece um travesseiro. Pra quem nunca viu, a buchada é costurada, com barbante mesmo, para segurar todo o recheio de miúdos. Só que o recheio é tão compactado dentro da iguaria que, ao cortar o barbante, os miúdos costumam voar para fora do prato, como um tiro de bazuca.

 

Uma vez, estava com meu amigo Paulo Cesar Martin no Bahia e vimos um cliente dar um show de técnica: o sujeito botou a buchada INTEIRA na boca, e ficou mastigando por uns 15 minutos. De repente, tirou do canto da boca a ponta do barbante, e puxou todo o fio. Só faltou usar de fio dental no fim. Elegância é isso.

 

A simpatia da hostess do Champion

 

O Champion é um chinês que fica na Rua da Glória. Como a maioria dos chineses autênticos da Liberdade, odeia servir brasileiros e faz de tudo para você sumir. As mesas são grandes, e os garçons sempre espremem três ou quatro famílias de brasileiros na mesma mesa, enquanto um casal de chineses fica sozinho em mesas onde cabem 16.

 

Uma vez, fui com minha mulher no Champion. Quando chegamos perto da porta, a hostess entrou na nossa frente, apontou para um restaurante do outro lado da rua e gritou: “Aqui não!!! Sai!!! Vai pra lá!!!”

 

Meses depois, a Vigilância Sanitária achou um caranguejo vivo andando dentro do banheiro do lugar. Deu até na Globo.

 

Zé do Caixão quase explode o rodízio mexicano

 

Desculpem, mas não posso revelar o nome do restaurante, até porque a comida é péssima. Só digo que era um rodízio de comida mexicana em Sâo Paulo.

 

Não sei por que cargas d’água, mas meu amigo José Mojica Marins, o Zé do Caixão, adorava o lugar. Acho que era por causa de um trio de mariachis que tocava nas mesas, e ele, depois de tomar umas margaritas, acabava sempre cantando com os caras.

 

Uma vez, o dono do lugar veio puxar o saco do Mojica e ofereceu um drink especial: era uma tequila que você ateava fogo e depois bebia.

 

Ele deu as instruções pro Mojica, que pegou um isqueiro e botou fogo no tal drink. O copo se encheu de chamas. E o Mojica ficou parado, contando o tempo no relógio. De repente, o copo explode: BUUUUMMMMM!

 

O dono veio correndo, assustado, pra ver se ninguém se machucou. E perguntou pro Mojica: “Senhor Zé, o senhor deixou o drink queimar por 15 segundos?” “Ah, eram segundos?”, disse Mojica; “achei que eram 15 MINUTOS!”

Escrito por André Barcinski às 00h46

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

O lado ogro da Cidade Maravilhosa

Perdão, cariocas: não moro no Rio há mais de 20 anos e estou bem desatualizado. Mas esses são alguns dos pratos ogros que me dão mais prazer de ir à Cidade Maravilhosa:

 

O galeto do Braseiro (Rua Domingos Ferreira 214, Copacabana)

Eu tenho um vício incontrolável: não consigo passar meia hora no Rio sem correr para o Braseiro e pedir um galeto bem passado com farofa de ovo. Alguém me responde onde diabos se come um GALETO decente em Sâo Paulo? (tô falando galeto, não galinha pequena, ok?)

 

O arroz com lentilha e cebola frita da Rotisseria Sirio Libanesa (Largo do Machado, 29)

Dentro da galeria do antigo Cine Condor fica o meu restaurante árabe predileto no Rio – junto com o Cedro do Líbano, no Saara. Sente no balcão e peça o arroz com lentilha e dose extra de cebola frita pra ver o que é bom. Ah, e tem o melhor mate da cidade...

 

A língua à Fiorentina da Americana (Rua Rainha Elizabeth 100, Copacabana)

O lugar é antigo. Minha mãe diz que tomava milk shake na Americana, nos anos 50. Eu não vivo sem a língua à Fiorentina de lá.

 

 O polvo com arroz de brócolis do Caravelas (Rua Visconde Caravelas 136, Botafogo)

Da última vez que fui lá quase chorei: não tinham polvo, e tive de me contentar com lula com arroz de brócolis, também muito boa. Mas o prato de polvo costumava ser um colosso.

 

A rabada com agrião do Serafim (Rua Alice, 24, Laranjeiras)

 

O cozido (aos domingos) do Degrau (Rua Ataulfo de Paiva, 517, Leblon)

 

O Triângulo das Bermudas do Centro

Quando vou ao Centro do Rio, faço sempre um périplo gastronômico-nostálgico, que comecei aos 13 ou 14 anos, quando estudava por ali.

 

Começo na Pastelaria Chic’s (Rua dos Andradas, 36 D), que há 41 anos serve apenas seis opções de recheio e uma bebida, um delicioso e geladinho suco de laranja. Juro que o sujeito que faz o pastel é o mesmo há pelo menos 30 anos.

 

Depois, cruzo a Presidente Vargas rumo ao sanduíche triplo (presunto, queijo e ovo) da Casa Paladino (esquina de Uruguaiana e Marechal Floriano), fundada em 1907, e que serve os melhores sanduíches e fritadas do planeta.

 

A tarde se encerra com um banquete de sardinhas fritas no Ao Rei dos Frangos Marítimos (Rua Miguel Couto 139).

 

Espero quer as dicas sejam úteis. Bom proveito!

Escrito por André Barcinski às 00h44

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Guia da culinária ogra em SP - a batalha final

 

 

 

 

 

 

 

Antes de tudo, preciso agradecer a todos que mandaram suas sugestões para o guia da gastronomia ogra. Juro que não imaginava que tinha tantos leitores ogros. Obrigado.

Abaixo vai a minha lista. Atenção: esta é a MINHA lista. Não quer dizer que os restaurantes que selecionei são os melhores ou os mais ogros. É uma lista pessoal, de lugares que me deram muito prazer ao longo dos anos.

Claro que cada lista pessoal é influenciada por uma série de fatores, e o principal é a localização geográfica. Como sempre morei no Centro ou na Zona Oeste de Sâo Paulo, é natural que a maioria de minhas opções se localize nessas regiões.

Em respeito ao esforço dos leitores de outras cidades, fiz uma pequena seleção também de palácios da ogrice (ou será ogrismo?) no Rio de Janeiro, que publicarei amanhã. Aproveite...

SÃO PAULO

Galinhada do Bahia (Rua Azurita, 46, Canindé)

Encravado nos fundos de uma vila ao lado do estádio da Portuguesa, no Canindé, fica o mítico restaurante, tocado há 24 anos pelo simpaticíssimo Raimundo Nonato, mais conhecido por “seu Bahia”.

“O Bahia”, como é conhecido, fica no topo da minha lista porque é o único restaurante de onde eu vi uma pessoa sair carregada – literalmente. E foi uma celebridade: Dan Peters, baterista do Mudhoney, nocauteado por uma combinação explosiva de buchada de bode, carne seca com mandioca, baião de dois e incontáveis “Coquinhos”, uma cachaça criminosa curtida por 15 dias dentro de um coco gelado.

Para dar uma idéia da fartura do Bahia, basta dizer que a pimenta é servida num pote de 5 litros e o bule de café tem meio metro de altura. Juro.

A especialidade da casa é a galinhada – à cabidela ou ao molho pardo – mas a carne-de-sol com macaxeira também é de outro mundo. O pirão é tão grosso que serve para fazer reboco de parede. O prato acompanha deliciosas porções de vegetais (quiabo, maxixe, inhame, abóbora), baião-de-dois, miúdos (pé de galinha, moela, fígado) e, para os mais aventureiros, uma buchada do tamanho de um pequeno travesseiro.

Enfim, uma tarde na Galinhada do Bahia é uma experiência inesquecível. Mais inesquecível ainda é sair de lá e pegar um joguinho da Lusa na sequência, para fazer a digestão. Só não recomendo marcar nenhum compromisso pelas 24 horas seguintes.

 

Chi Fu (Praça Carlos Gomes, 168, Liberdade)

O Chi Fu é a prova viva de que um restaurante pode sobreviver – aliás, triunfar – tratando o cliente como lixo. Antes considerado um defeito do local, a grosseria e falta de educação das garçonetes já virou uma de suas marcas registradas. Se você não falar mandarim e não vier dos cafundós da China, prepare-se para ser colocado numa mesa ao lado do banheiro masculino ou para levar broncas do tipo: “O quê? Você vai pedir ISSO?!”

Os dois trunfos do Chi Fu, no entanto, são poderosos: sua comida e seu cardápio. A comida é fantástica e variada. Os mais conservadores podem pedir gigantescas porções de chop suey, lombo agridoce, frango xadrez ou yakisoba. A clientes mais heterodoxos, no entanto, recomendo aventurar-se pelos inacreditáveis pratos de barbatana de tubarão, tripa de porco, râ com nirá, porco com bambu (feito com pedaços de bambu mesmo, não com o broto) e barriga de peixe com jiló.

Mas o que realmente faz a minha cabeça é o cardápio, escrito num idioma próprio e curiosíssimo. Que tal “baba tana com barrica de pexie”, “jiró com nabu verde”, ou “macalão com camarrão”?

 

PASV (Av. Sâo João, 1145, Centro)

Comer no PASV é a sensação mais próxima de almoçar na casa da avó. Lá você é tratado como uma criança mimada: “Quer mais uma farofinha, meu filho?” “Tá bom o bifinho? Vai mais uma cebolinha frita em cima?”

Frequento o PASV há uns 20 anos e o lugar parece congelado no tempo. Só tem duas garçonetes septuagenárias, duas velhinhas fofíssimas chamadas Dona Glória e Dona Maria. Como eu nunca sei qual é a Glória e qual é a Maria, chamo as duas de Glória Maria e tá tudo bem. No balcão, seu Pepe e seu Manolo também são uma simpatia.

O PASV é um botecão com um cardápio imenso. Tem carnes, massas, peixes, sopas, de tudo. Tem uma grelha de onde saem uns bifes suculentos.

Mas o carro-chefe são os pratos espanhóis. Polvos, lulas, pucheros... E é o ÚNICO lugar do mundo onde você pede uma paella para viagem e eles deixam você levar o panelão para casa. Eles só põem um plástico fino em cima para não esfriar e lá sai você andando pela Avenida Sâo João com um tacho fumegante de paella. Da última vez que fiz isso, nosso carro ficou cheirando a açafrão por três anos.

 

Rota do Acarajé (Rua Martim Francisco, 529, Santa Cecilia)

É bem conhecido na região de Santa Cecília, mas eu só comecei a freqüentar há uns dois anos.

Comida baiana, com uns acarajés sequinhos e um sarapatel pegajoso que mais parece um Vedacit. O bobó de camarão é sensacional também.

Agora, o que me emociona mesmo no Rota são as sobremesas. Já fui a pé até lá (uma meia hora de casa) só para matar um pudim de tapioca.

 

Bueno (Rua Galvão Bueno 458, Liberdade)

Ao lado do tradicionalíssimo – e delicioso – Aska, que serve um dos melhores lamens da cidade, tem uma porta preta, sempre fechada.

Pode entrar sem medo. Lá fica o Bueno, um restaurante japonês especializado em comida de lutadores de sumô.

Duvida? Então olha o tamanho do dono do lugar atrás do balcão e confira. É Fernando Kuroda, um ex-lutador de sumô.

A especialidade do Bueno são as caldeiradas, mas sempre tem umas iguarias expostas no balcão, e vale a pena provar todas.

Eu adoro a língua na chapa com arroz, e o bim bim pat, espécie de mexido com arroz, ovo cru, carne e pimenta, servido num prato de pedra.

Menções honrosas:

Bife à milanesa com fettucine ao pesto do La Farina (Centro)

Baião de Dois do Biu (Pinheiros)

Filé Alpino do Caverna do Bugre (Pinheiros)

Bulgogi do Portal da Coréia (Rua da Glória)

Empadinha de camarão da Rotisserie Bologna (Rua Augusta, Centro)

Lula frita do Jardim Meio Hectare (Liberdade)

Feijoada do Ugue’s (Santa Cecilia)

Salada de escarola com torresmo do Rosas (Santo André)

Escrito por André Barcinski às 00h15

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Guia da culinária ogra (parte 1)

 

 

 

 

 

 

 

 

Poucas coisas são tão boas na vida quanto ir a um bom restaurante.

Sou daqueles que acompanha a cobertura gastronômica com interesse. Estou sempre atrás de lugares novos para comer e não penso duas vezes antes de conferir alguma dica.

Gosto de comer de tudo. E gosto de todo tipo de restaurantes, dos mais recomendados pelos guias aos pés-sujos mais infectos.

Pra mim, bom restaurante é aquele que dá vontade de voltar. Independentemente de preço ou estilo.

Mas tenho de confessar que adoro um muquifo. Poucas coisas me dão mais prazer do que descobrir alguma birosca que serve um bife sensacional, ou uma cantina poeirenta com um talharine dos sonhos.

Entre os muitos projetos que nunca conseguirei realizar, um tem lugar especial no meu coração (e estômago): um guia da gastronomia ogra.

Seria um livro com dicas de restaurantes de onde se sai carregado.

Cheguei até a elaborar uma lista de “dez mandamentos básicos” que o local teria de atender para ser incluído. São eles:

1 - Não pode ter nome começando por “Chez” ou terminando por “Bistrô”

2 - A comida precisa ocupar ao menos 85% da área total do prato (com preferência a iguarias com uma taxa de ocupação de mais de 100% dos pratos, como bifes que caem pelas bordas dos pratos)

3 – Não pode ter “chef”, e sim “cozinheiro”.

4 – Não pode ter “menu”, e  sim “cardápio”

5 – Algumas palavras estão terminantemente proibidas nos cardápios. A presença de qualquer uma delas significa exclusão imediata da lista. São elas: “nouvelle”, “brûlée”, “pupunha”, “espuma”, “lâmina”, “lascas” e “contemporânea”

6 – Não pode ter filiais

7 - Os garçons não podem ser modelos, manequins ou atores, com preferência para garçons velhos e feios

8 – Os garçons precisam passar no teste da colherzinha, que consiste em servir arroz com uma só mão, juntando duas colheres, sem derramar um grão sequer

9 – Não pode estar localizado nos seguintes bairros: Vila Olímpia, Itaim-Bibi, Moema e Vila Nova Conceição (era um guia de Sâo Paulo!)

10 – O teste final: se o garçom, ao ser perguntando “o que é ‘El Bulli’?”, responder qualquer coisa que não seja “é onde eu sirvo o café”, o restaurante está sumariamente eliminado

Amanhã posto aqui meus cinco restaurantes ogros prediletos em Sâo Paulo. Mande suas dicas, por favor!

Escrito por André Barcinski às 00h02

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.