André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

O que Luciana Gimenez, Felipão, Berlusconi e Bush têm em comum?

 

 

 

 

 

 

 

 

Resposta: os quatro proferiram frases vergonhosas durante a semana que passou.

Nada de novo, não é mesmo? São quatro figuras proeminentes em seus respectivos campos de atuação e reincidentes quando o assunto é gafe.

Luciana Gimenez, famosa por ter um filho com Mick Jagger e ser casada com o dono da emissora de TV em que trabalha, fez uma análise instigante sobre o problema da obesidade: “É engraçado para os outros. Mas dói o pescoço, as costas. Não sei como as pessoas conseguem ser gordas. Para ser gordo tem que ser corajoso. É um desconforto.”

Então ser gordo é engraçado, Luciana? Delfim Netto é engraçado? Quer dizer que a obesidade não é um problema de saúde, mas uma opção estética e cômica?

Já o técnico Felipão, célebre por ter defendido o ex-ditador do Chile, Augusto Pinochet, e por proibir seus jogadores de dar entrevista, deu uma declaração que faria corar Jece Valadão e Carlos Imperial: “Não me preocupa o que pensam os outros. Eles que cuidem da vida deles, que eu cuido do meu time. Mulher que não é bem cuidada, mete corno!"

Como assim, “bem cuidada”? Será que Felipão quis dizer que mulheres que não são satisfeitas sexualmente pelos maridos tendem a procurar prazer em outro lugar? Afinal, mulheres estão aí para satisfazer aos donos, não é mesmo, Felipão?

A preocupação de Felipão merece discussões mais amplas. Sugiro ao IBGE incluir, no próximo Censo, a pergunta: “a senhorita é bem cuidada?”

Do Brasil, vamos à Europa, onde o primeiro-ministro Silvio Berlusconi continua fazendo das suas.

Semana passada, ao rebater acusações de que teria ajudado uma menor de 17 anos que havia participado de festinhas de arromba em sua casa, Berlusconi disse: “É melhor gostar de garotas bonitas do que ser gay”. Inacreditável.

Para terminar, sabe quem está de volta? Ele mesmo, George W. Bush. Como Jason, Freddy Krueger e Michael Myers, ele sempre dá um jeito de ressuscitar e nos assombrar de novo.

Semana passada, o chefe de Estado que disse que a África era um país e autor de frases como “tenho a convicção de que seres humanos e peixes podem coexistir pacificamente” e “a parte mais difícil do meu trabalho é ligar o Iraque à guerra contra o terror”, lançou seu magnum opus, “Decision Points”, livro em que relata seus dois mandatos de presidente.

Além de defender a tortura de presos e insistir na cascata das tais armas de destruição em massa no Iraque, Bush soltou mais uma pérola. Descrevendo sua reação ao ver as imagens dos aviões colidindo contra o World Trade Center, disse: “o primeiro avião poderia ter sido um acidente. O segundo, foi um atentado.  O terceiro, uma declaração de guerra”.

O ex-presidente só esqueceu de complementar: “Pena que declaramos guerra ao país errado, destruímos o Iraque, gastamos trilhões de dólares e Bin Laden continua solto”.

Luciana Gimenez, Felipão, Berlusconi e Bush. Por que damos tanta atenção a eles? Não seria mais fácil e indolor ignorá-los?

Aí a gente abre a Folha um dia e vê uma matéria do meu amigo Ivan Finotti sobre o cartunista Laerte.

Para quem não sabe, Laerte – um dos maiores criadores de quadrinhos do Brasil – resolveu, há pouco mais de um ano, se vestir de mulher. Assim, sem manifesto ou oba-oba. Quis botar saia, batom e sapatilhas, e foi o que fez.

Em entrevista, explicou: “Não faço isso porque a vida está sem graça. O problema é a vida submetida a essa ditadura dos gêneros, a esses tabus que não podem ser quebrados. É você sentir que sua liberdade está sendo tolhida, que as possibilidades infinitas que você tem de expressão na vida, ao sair, ao se vestir, ao se manifestar, ao tratar as pessoas, seu modo, seu gestual, sua fala, tudo isso é cerceado e limitado por códigos muito fortes e muito restritos. Isso é uma coisa que me incomoda.”

Pausa para reflexão. De um lado, uma famosa celebridade da TV, um ex-técnico campeão do mundo com a seleção brasileira, um primeiro-ministro italiano e um ex-presidente do país mais poderoso do planeta. Do outro, um cartunista aparentemente doido e que se veste de mulher. Quem você escolhe?

Me dá quantos Laertes você tiver aí, por favor. Bom feriado e até terça...

Escrito por André Barcinski às 21h45

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A prova do deputado Tiririca

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Como todos já sabem, Tiririca foi obrigado a passar por em exame para provar que tem condições de assumir o posto de deputado federal. O que ninguém sabia – pelo menos até agora – era o teor do questionário.

 

Aqui vai, em primeira mão, a íntegra da prova. Responda às questões e veja se você também está preparado para representar o povo.

 

O que significa “locupletar”?

a) Ficar rico

b) Ficar doido

c) Encher a casa de malucos

d) Fazer pela metade

 

O que significa “lobby”?

a) Um lugar grande e bonito na frente de um hotel

b) Uma jogada de tênis

c) Inglês para “lobo”

d) Pedaço de uma orelha

 

O que quer dizer CPI?

a) Comissão de Pranejamento e Istatística

b) Casa de Pouca Idoneidade

c) Confederação Piauiense de Ilusionismo

d) Comissão de Pizzas Intermináveis

 

Se o nobre deputado superfatura uma obra de 900 milhões de reais em 17% e a obra demora 15 meses para terminar, quanto será o seu lucro real, considerando uma inflação média de 4,5% ao ano?

 

Defina o DEM em uma frase:

a)Apoiadores da ditadura que viraram liberais

b )Viúvas da ARENA

c) Viúvas do PDS

d) Todas as respostas acima

 

Se o presidente Lula já foi inimigo dos ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor e hoje é aliado deles, podemos dizer que o presidente Lula deu uma guinada de quantos graus em suas convicções políticas?

a) 90

b) 180

c) 360

d) 45

 

O que significa “jeton”?

a) É o meio de transporte mais rápido até Brasília

b) Graninha a mais que um deputado ganha para não fazer nada fora do expediente normal

c) “Injeção” em francês, como em “jeton de ânimo”

d) Restaurante predileto dos deputados em Brasília

 

A frase “em alguns Estados brasileiros, um governador se aposenta com quatro anos de mandato e salário vitalício de 22 mil reais” remete a que importante movimento artístico?

a) Surrealismo

b) Expressionismo

c) Realismo mágico

d) Neo-realismo

 

O que é o pré-sal?

a) Um tempero que se põe na comida antes do sal

b) Montão de petróleo que vai bancar estádios superfaturados para a Copa

c) Entradinha que vem antes do jantar; antecede o pré-doce, que vem antes da sobremesa

d) Creme para evitar ressecamento de pele ao sol

 

Imagine a seguinte situação: um candidato, acusado de corrupção e falta de ética, tem a candidatura cassada e resolve a situação colocando a esposa para disputar a eleição em seu lugar. Esse enredo lembra o estilo de que gênio das letras?

a) Franz Kafka

b) Ionesco

c) Gogól

d) Sade

Escrito por André Barcinski às 20h05

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Minha vizinha conversa com Deus - e com Fábio Jr.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

No dia 3/11, descrevi aqui o suplício por que passa minha família, obrigada a conviver diariamente com o soundsystem de um vizinho fanático religioso (veja abaixo).

Peço desculpas, mas novos desdobramentos do caso me obrigam a voltar ao tema.

 Há alguns dias, mudei meus horários de trabalho para coincidir com o período em que o infeliz do vizinho passava longe de casa.

O meio da tarde, descobri, era a única parte do dia em que ele saía de casa e se dedicava a encher o saco de outras pessoas.

Passei a usar o horário logo após o almoço para escrever e fazer trabalhos que exigiam concentração.

Mas foi aí que o incrível aconteceu: anteontem, no horário em que antes imperava o silêncio, o soundsystem demoníaco voltou a atacar. O culpado não era meu vizinho, mas sua esposa.

Nada daquelas pedradas dos Raimundos e Charlie Brown Jr., que há semanas assombravam a nossa casa. Agora o playlist traz, além do inescapável lamento “Espíritooooooooo.... espíritooooooooo”, sucessos de Kid Abelha, Guilherme Arantes, Nenhum de Nós, Simone, Roupa Nova, Alcione e outros. Bem no meio da tarde.

Ontem mesmo eu estava tentando me concentrar num texto sobre Paul McCartney para a Ilustrada, quando pintou Fábio Jr. cantando “Quando Gira o Mundo”.

Alguém já tentou criar qualquer coisa enquanto Fábio Jr. grita “Quando gira o mundo / e alguém chega ao fundo / de um ser humano”? Impossível.

Vai aí uma boa dica para a prova de admissão do Bope: obrigar o candidato a fazer uma redação com essa música tocando a 120 decibéis na sua orelha.

Eu não consegui. Especialmente um texto sobre Paul McCartney.

Cada vez que eu tentava lembrar as melodias de “A Day in the Life” ou “Penny Lane”, outra bomba sonora vinha do quintal vizinho: “Camila Camila” (Nenhum de Nós), “Fixação” (Kid Abelha), “Gatinha Manhosa” (Leo Jaime) e, para finalizar, “Planeta Água”, do Guilherme Arantes. Acabei o texto às 3 da manhã, depois que o casal foi dormir.

Por sorte, estou nessa casa provisoriamente. Daqui a dois ou três meses nos mudaremos para uma casa no bairro vizinho. Enquanto isso, segue a história...

Escrito por André Barcinski às 10h15

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Fazendo churrasco das vacas sagradas do cinema

A revista inglesa “Uncut” tinha uma seção que eu adorava: “Sacred Cows”, ou “Vacas Sagradas”, em que eles faziam picadinho do trabalho de unanimidades da música, arte e literatura.

 

Orson Welles, The Clash, Neil Young, Miles Davis, todos foram vítimas. Era sensacional. Mesmo que você não concordasse com uma palavra dos textos, era encorajador ler algo que fugia da idolatria cega.

 

Fiquei pensando em fazer algo parecido por aqui. E começar pelo cinema.  Aí vai, portanto, uma listinha de sete vacas sagradas das telas que, na minha opinião, merecem virar churrasco. Faça sua lista e compare:

 

2001 – Uma Odisséia no Espaço (Stanley Kubrick, 1968)

Perguntar não ofende, certo? Então aí vai uma pergunta para quem diz que “2001” é um dos maiores filmes já feitos: você realmente viu o filme, ou leu em algum lugar que era grandioso e resolveu abraçar a causa? Se assistiu, achou agradável os 100 minutos sem diálogos? Se emocionou com uma história que não vai a lugar nenhum e não tem clímax? Ou achou uma das experiências mais entediantes e pretensiosas? Se você não suporta “2001”, saiba que não está sozinho: Pauline Kael chamou-o de “o maior filme amador já feito”, e Renata Adler definiu com precisão: “em algum lugar entre hipnótico e imensamente entediante”.

 

“O Grande Ditador” (Charles Chaplin, 1940)

Fui rever “O Grande Ditador” há uns quatro anos, no cinema. Confesso que não agüentei meia hora. Perdeu totalmente a força e a graça. “Ah, mas não dá para analisar uma comédia dos anos 40 pela perspectiva de um espectador moderno”, dirão alguns. “OK, então alguém me explica por que ‘Em Busca do Ouro’ e ‘Luzes da Cidade’ não parecem ter envelhecido um dia sequer?

 

“Cinema Paradiso” (Giuseppe Tornatore, 1988)

Piegas, brega e previsível, apela aos sentimentos mais rasteiros com uma cara-de-pau digna de novela mexicana. Tudo – a música, as atuações histriônicas, o clima de realismo mágico, a nostalgia de cartão postal – é irritante.

 

Beleza Americana (Sam Mendes, 1999)

O filme mais careta, disfarçado de transgressor. A vida de Kevin Spacey é uma monotonia só, até que ele decide mandar tudo pro espaço e “enlouquece”: dá uma banana pro emprego, dá em cima da amiga da filha e – oh, o horror! – até fuma maconha. Mas, na melhor tradição fatalista de Hollywood, acaba levando uma bala na cabeça. Quem manda abandonar a vidinha classe média, Kevin?

 

“La Strada” (Federico Fellini, 1954)

Como “Cinema Paradiso”, é uma pieguice só, disfarçada de drama neorrealista. Giulieta Masina faz uma menina que é vendida pela mãe para um artista de circo (Anthony Quinn). O resto é só clichê de dramalhão: o maldoso explora a menina que, inocente, cura sua melancolia trabalhando de palhaça no circo. Diabetes a 24 quadros por segundo.

 

Blow Up – Depois Daquele Beijo (Michelangelo Antonioni, 1966)

Uma relíquia dos anos 60, que deveria ter ficado por lá. Na época, foi visto como um mergulho na loucura e hedonismo da “Swinging London”. Hoje, é puramente ridículo. Impossível não rir com os mímicos jogando tênis ou correndo pelas ruas fazendo algazarra. Difícil acreditar que “Blow Up” já foi considerado sexy e ousado. O que o tempo não faz...

 

Gran Torino (Clint Eastwood, 2008)

Um velho racista, misógino e fracassado destila seu veneno contra os imigrantes que infestam seu bairro, outrora um paraíso de tranqüilidade e eugenia. Já vimos esse filme antes: chamava-se “Desejo de Matar”, era estrelado por Charles Bronson e foi considerado uma apologia do fascismo.

Corta para 2008: Clint Eastwood faz um filme igualzinho, com a diferença que, no fim, ele tem uma recaída moralista e se sacrifica como uma Joana D’Arc moderna. Pelo menos “Desejo de Matar” tinha um charme kitsch, que Clint disfarça como uma lição de humanismo. De doer.

Escrito por André Barcinski às 00h51

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Já viu "Cidadão Boilesen"?

Semana passada, o Ministério Público Federal pediu ação contra militares acusados pela morte e desaparecimento de seis pessoas e tortura contra outras 19, incluindo uma moça chamada Dilma Rousseff. Todas as vítimas foram detidas em Sâo Paulo pela temida Operação Bandeirantes (Oban), no início dos anos 70, auge da repressão militar.

O episódio me fez lembrar um ótimo documentário lançado ano passado: “Cidadão Boilesen”, de Chaim Litewski.

Litewski, um brasileiro que trabalha na ONU – e que conheci quando eu morava em Nova York – passou os últimos 15 anos coletando informações e fazendo entrevistas, financiado por seu próprio bolso, para contar a história de Henning Boilesen, um executivo dinamarquês naturalizado brasileiro que foi um personagem central da repressão política no Brasil.

Boilesen usou sua influência junto ao empresariado brasileiro – era presidente da Ultragaz - para financiar a Oban. E mais: assistia pessoalmente a várias sessões de tortura.

O sujeito gostava tanto de testemunhar o suplício alheio que chegou a presentear a Oban com um aparelho de choques elétricos, trazido pessoalmente por ele dos Estados Unidos e que acabou batizado de “pianola Boilesen” por usar um teclado semelhante ao de um piano para acionar as descargas elétricas.

Litewski conseguiu entrevistas surpreendentes com vários colaboradores e defensores da Oban, incluindo o ex-governador de Sâo Paulo, Paulo Egydio Martins e o Coronel Erasmo Dias.

Falou também com os assassinos de Boilesen, incluindo o ex-guerrilheiro Carlos Eugênio da Paz, hoje professor de música no Rio, que admitiu ter dado o tiro de misericórdia no empresário, morto numa emboscada em uma esquina dos Jardins, em 1971.

O filme conta como Exército e polícia se juntaram para criar a Oban, um grupo que perseguia “criminosos políticos” usando táticas aprendidas com o Esquadrão da Morte. Assustador.

Mais assustador ainda é perceber como nada disso seria possível sem o apoio e silêncio de nosso empresariado.

Boilesen era um monstro, mas não era o único. Era um exibicionista e megalomaníaco, e por isso acabou marcado pelos guerrilheiros. Mas não fez nada diferente do que fizeram vários outros empresários brasileiros que estão aí até hoje.

Enfim, “Cidadão Boilesen” é um daqueles documentários que escancaram o passado e mostram como seus efeitos ainda se fazem sentir.

Escrito por André Barcinski às 10h40

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Salão do Automóvel, parque da Ferrari: o inferno é aqui!

 

 

 

 

 

 

 

 

Quando você estiver cheio de problemas, com a vida bagunçada, mergulhado na melancolia e totalmente desorientado, lembre-se: poderia estar pior. Você poderia estar no Salão do Automóvel.

Nada pode ser mais deprimente do que se ver preso naquela caixa de concreto do Anhembi, um dos locais mais detestáveis e inóspitos da arquitetura mundial, testemunhando a pujança de nossa indústria automobilística.

Há alguns anos, por razões que fugiam ao meu controle, precisei passar algumas horas no Salão do Automóvel. Tortura é pouco. Imagine ficar preso em filas intermináveis, cercado por multidões de câmera na mão, salivando por um clique daquele carrão último modelo que eles nunca vão conseguir comprar?

É uma espécie de Disneylândia de adultos. No lugar do Mickey, modelos de decotinho e minissaia. O sonho é esse: velocidade = sexo. O sujeito olha para aquela Ferrari que custa cinco apartamentos e para a modelo da Victoria’s Secret que vem de brinde. Como não babar?

Aqui, preciso fazer uma pausa para um esclarecimento, tão necessário nesses tempos de correção política e sensibilidades delicadas: não estou dizendo que quem gosta de carro está errado ou que quem curte o Salão do Automóvel é um alucinado. Sou EU que não gosto, ok?

Sou eu que não entendo como barbados podem gostar tanto de discutir se o novo Astra virá com a ribimboca da parafuseta redonda ou retangular; sou eu que não entendo como governo pode abrir as pernas para as montadoras enquanto acaba com a vida dos pequenos empresários, afundados em impostos exorbitantes e burocracias stalinistas; sou eu que não aceito essa campanha orwelliana de adoração do transporte individual.

O problema sou eu. Combinado? Posso continuar?

Se eu fosse um dos organizadores do Salão do Automóvel, promoveria debates com temas realmente pertinentes:

“Expresso para o Inferno: como o governo e as montadoras sucatearam nossos trens e nos impuseram o sistema de transportes mais caro, poluidor e ineficiente do mundo”

“Ônibus? Tá maluco?: Uma análise da política pública de transportes e de seu impacto positivo nas vendas de automóveis”

“Atropelando ciclistas e xingando ambientalistas: um guia para o motorista moderno”

Pensando bem, existe uma coisa pior que visitar o Salão do Automóvel: viajar a Abu Dhabi e passar um dia no parque temático da Ferrari. Lembrei disso porque o parque abriu semana passada.

Já vejo as multidões de barrigudos de meia-idade, vestidos com macacão do Rubinho, passeando pelo parque enquanto a mulher torra o cartão de crédito num shopping qualquer e os filhos assaltam o Hard Rock Café de Abu Dhabi. Socorro.

Em outro exercício de imaginação, podemos sugerir algumas atrações para o novo parque. Imagine só que divertido:

“Bate-bate Niki Lauda”: Sinta toda a emoção de uma colisão a 300 km/h! O visitante entra numa réplica de um F-1, que é arremessado numa parede e engolido por labaredas cenográficas, quanto moderníssimos sensores de calor esquentam seu banco. Um estouro! Por módicos 797 dólares extras, você leva um macacão queimado e ganha uma sessão de maquiagem em que simula queimaduras de 3º grau. Imperdível.

“Deixa o alemão passar!”: uma das atrações mais populares do parque: o visitante está prestes a cruzar a linha de chegada, quando o carro subitamente desacelera e um piloto da mesma equipe passa zunindo à sua frente, vencendo a prova. Um inspirador exemplo de trabalho em equipe, que certamente ajudará a moldar o caráter do seu filho.

Abu Dhabi, aí vou eu!

Escrito por André Barcinski às 11h05

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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