André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Dez bons sustos para o Dia das Bruxas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Domingão é Dia das Bruxas. Ou Halloween, como preferem alguns. Fiz uma lista de 10 filmes legais para assistir agarradinho com seu par no sofá. Não são os melhores filmes de terror de todos os tempos, mas são diversão garantida. Sem ordem de preferência:

 

The Walking Dead

Nova série de zumbis, produzida por Frank Darabont (“Um Sonho de Liberdade”) e Gale Ann Hurd (“O Exterminador do Futuro”). Um policial acorda do coma num hospital e descobre que toda sua cidade – seu país? – está infestada de zumbis. O piloto passa terça, às 22h, na Fox. Já vi, é sensacional.

 

Uma Noite Alucinante (Sam Raimi, 1987)

O primeiro é bom, mas o segundo “Evil Dead” é ainda melhor. Terror com comédia pastelão, como um episódio de Tom e Jerry interpretado por espíritos malignos. E tem a melhor cena de globo ocular voador da história do cinema.

 

O Exorcista (William Friedkin, 1973)

É clichê dizer isso, mas “O Exorcista” ainda é um dos filmes mais assustadores já feitos. Linda Blair contra Max Von Sydow. E quando a cabeça da mocinha gira 360 graus, o bicho pega. Literalmente.

 

A Profecia (Richard Donner, 1976)

Eu amo esse filme. A cena do gelo - quem viu sabe - é uma das coisas mais arrepiantes já filmadas.  Também não canso de ver a sequência em que a coitada que desafiou Damien é bicada por corvos e corre para uma freeway onde um Scania vem voando a 150 por hora. E o final? “Eu sempre fui deleeeeeeeeeeee...”

 

Deixa Ela Entrar (Tomas Alfredson, 2007)

Já viu? É o melhor filme de horror dos últimos anos. Na Suécia, um menino triste e que só apanha na escola descobre que sua vizinha é uma vampirinha. Não vou contar mais. Assista. É um daqueles filmes que você vai querer comprar para ter em casa. Lindo, triste e assustador.

 

O Enigma do Outro Mundo (John Carpenter, 1982)

Kurt Russel lidera um grupo de exploradores (ou cientistas? não lembro) na Antártida. Tudo vai bem, até que são atacados por um estranho ser. Um dos melhores filmes de Carpenter, horror claustrofóbico de primeira. E Kurt Russel é o que há.

 

À Meia-Noite Levarei Sua Alma (José Mojica Marins, 1964)

O coveiro Josefel Zanatas – conhecido por Zé do Caixão - aterroriza uma cidadezinha do interior. Quem será Zé? Um enviado de Satã? Um doente mental? Um sádico assassino? É o filme mais assustador de Mojica, com um dos personagens mais fascinantes e pusilânimes do cinema. Uma obra-prima do terror brejeiro. Se fosse vivo, Monteiro Lobato passaria o Dia das Bruxas assistindo.

 

A Noite dos Mortos-Vivos (George Romero, 1968)

Até hoje, nenhum filme de zumbi chegou perto do clima de paranóia e sandice desse aqui. Poucos filmes captaram a desesperança e a revolta da era Vietnã quanto este. Enquanto a América queimava em casa e na Ásia, Romero conseguia encapsular tudo em sua história de zumbis. Obrigatório.  

 

Halloween (John Carpenter, 1978)

OK, a saga de Michael Myers já teve 476 sequências, cada uma pior que a outra. Myers já se encontrou com Jason, Freddy Krueger, só falta fazer dupla com o Tiririca. Mas o primeiro Halloween ainda é imbatível.

 

O Abominável Doutor Phibes (Robert Fuest, 1971)

Médicos começam a morrer misteriosamente. Numa estranha coincidência, foram todos responsáveis pela morte da esposa de um certo Doutor Phibes. Mas pera aí... O Doutor Phibes também não morreu? Ou não? Vincent Price imortal. Não canso de assistir a essa comédia surrealista. Sempre alegra o meu dia – ou melhor, a minha noite.

Escrito por André Barcinski às 11h06

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Rio de Janeiro parece "cosplay" de "Tropa de Elite"

 

 

 

 

 

 

 

 

Essa semana finalmente assisti a “Tropa de Elite 2”. Prometo, para breve, um post sobre o filme.

Mas hoje queria escrever sobre um aspecto do filme que me impressionou muito. Aliás, nem tanto do filme, mas um aspecto do Rio de Janeiro: como algumas imagens de “Tropa de Elite” parecem estar sendo reencenadas, diariamente, nas ruas da cidade. Parece até um “cosplay”, em que fãs imitam personagens de filmes e séries.

Vi o filme na terça à noite. Na quarta, fui jantar com familiares em Santa Teresa. Na volta do restaurante, passei de táxi por uma blitz da polícia. Alguns policiais, armados de fuzis e pistolas, vistoriavam os carros que desciam.

Eu estava distraído e não percebi a blitz. Minha janela estava aberta e, quando me dei por conta, havia um fuzil a menos de um metro da minha cabeça, apontado para dentro do carro.

A sensação é indescritível. Dizem que você vê toda sua vida passar num “flash”, mas comigo foi diferente. Parecia que o tempo tinha parado. Fiquei paralisado, sem consegui reagir.

Passamos a blitz. Alguns quarteirões abaixo, havia um casarão. O taxista disse que era “de um milionário”. Devia ser mesmo, porque dois ou três homens, armados de escopetas, estavam tranquilamente batendo papo na porta da casa. Detalhe: não passava de 10 da noite.

No dia seguinte, voltei a Santa Teresa. Estava fazendo uma gravação num estúdio do bairro. Quando terminou a gravação, por volta de 9 da noite, peguei um táxi junto com meu amigo Heitor, que estava trabalhando comigo.

Quando passamos perto da antiga sede da TV Manchete, na Rua do Russel, uma van que estava na nossa frente parou de repente. Ao lado dela estacionou um carro velho, caindo aos pedaços. Dele desceram dois homens. Um carregava uma pistola e o outro, uma metralhadora. Começaram a andar rapidamente na direção da van. Isso no meio da rua, entre os carros parados no farol.

Foi tudo muito rápido. Não deu para entender direito o que estava acontecendo. Seriam policiais à paisana? Traficantes fazendo um “bonde”? Não sei. Só sei que gritamos para o motorista acelerar e fugir dali. Meu amigo Heitor teve uma taquicardia e ficou branco. Parecia que estava tendo um ataque do coração.

Isso tudo aconteceu num intervalo de menos de 24 horas, num bairro nobre da cidade.

Sei que isso não chega nem perto da violência diária a que milhares de cariocas são submetidos cotidianamente nas periferias e favelas da cidade.  Mas fiquei impressionado com a “normalidade” das imagens. Como podemos nos acostumar a ver um sujeito de metralhadora andando na rua?

Eu tenho um amigo belga que veio nos visitar certa vez. Fomos ao Pacaembu ver um jogo. De repente, ele ficou muito nervoso. Perguntei o que tinha acontecido, e ele respondeu que havia visto um policial armado. Ele tinha mais de 30 anos e NUNCA tinha visto uma arma. Nunca.

Escrito por André Barcinski às 11h36

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Lima Duarte, Tony Ramos, ou por que alguns são astros e outros não

 

 

 

 

 

 

 

Estou no Rio de Janeiro, gravando a quarta temporada de “O Estranho Mundo de Zé do Caixão”, o talk show do Canal Brasil apresentado por José Mojica Marins, que dirijo e produzo.

Nos últimos dias aconteceram alguns fatos curiosos, que achei legal dividir com vocês.

Fato 1: consegui o e-mail de contato de Lima Duarte. Escrevi, fazendo o convite para ele participar do programa como entrevistado. No dia seguinte, uma assessora de Lima me respondeu, dizendo que ele havia aceitado. Ficamos felicíssimos.  No dia da entrevista, o carro que levava Lima Duarte pegou um engarrafamento monstro e levou 2h15 para chegar ao estúdio. Mesmo assim, ele chegou para a entrevista num bom humor contagiante. Simpático ao extremo, não fez nenhuma exigência (ok, ele pediu um cafezinho) e deu uma entrevista SENSACIONAL, com revelações incríveis sobre sua infância e carreira. Trabalho em jornalismo desde 1987 e poucas vezes vi um entrevistado tão aberto e à vontade.

Fato 2: consegui o contato de um jovem comediante de stand up, que está fazendo relativo sucesso. Mandei um e-mail, e nada. Dois e-mails, e nada. Três e-mails, e ainda nenhuma resposta. Liguei para a agente. Ela me mandou para uma assessora de imprensa, que me redirecionou para uma assistente pessoal, que simplesmente ignorou uns 34 telefonemas e recados. Nem resposta tivemos.

Fato 3: consegui um telefone de contato de Tony Ramos. Liguei e deixei um recado, convidando-o para o programa. Dois dias depois, meu telefone toca. Era o próprio Tony Ramos, aceitando o convite.  Nem preciso dizer que ficamos, novamente, nas nuvens.

Fato 4: depois de algumas semanas de negociação com um jovem músico carioca, durante as quais ele mudou a data da entrevista pelo menos cinco vezes, o galã finalmente marca um horário para ser entrevistado por Zé do Caixão. O carro vai buscar o artista no local e horário marcados, mas ele não está. Nem sinal. O telefone está mudo. Esperamos por mais de duas horas, e finalmente desistimos.

Acho que fatos como esses revelam muito sobre o modus operandi da indústria do entretenimento hoje no país.

Como regra, artistas veteranos não têm agentes ou aquela tropa que circula a maioria dos artistas jovens.  A Velha Guarda é pré-hype. Gente que tem o que dizer, tem história pra contar, e não se esconde atrás de um batalhão de assessores. Foi assim com Agildo Ribeiro, Paulo Silvino, Ney Matogrosso, Lima Duarte e tantos outros.

Claro que, para toda regra, existem exceções: já fizemos entrevistas ótimas com artistas jovens – e acessíveis – como Selton Mello, Leandro Hassum, Pitty e até o NX Zero. Da mesma forma, já levamos canos de veteranos. Mas que existe uma diferença grande, existe. Tanto que, nesta temporada, não conseguimos nenhuma entrevista com alguém abaixo dos 40. E bem que tentamos.

Fiquei pensando no abismo que existe entre Tony Ramos e o tal cantor que sumiu no dia da entrevista. O primeiro é um astro, com uma história e uma importância gigantes na cultura pop nacional, e não se sente nem um pouco diminuído ao pegar, ele mesmo, o telefone e marcar uma entrevista. O segundo, mesmo tendo de comer muito feijão para ter um pedacinho da credibilidade e dos fãs do primeiro, se sente o Michael Jackson.

Hoje rola a entrevista de Tony Ramos. Depois conto como foi...

Escrito por André Barcinski às 00h11

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Mofando numa locadora perto de você: “A Promessa”, de Sean Penn

Tem alguns filmes que são conhecidos aqui em casa como “ponto sem retorno”: se, numa zapeada qualquer, eu der de cara com algum deles, não importa que seja alta madrugada e eu esteja morrendo de sono; eu PRECISO assisti-lo até o final.

A lista não é pequena. De cabeça, lembro de “Um Dia de Cão”, “O Poderoso Chefão” (o primeiro), os dois “Operação França” (outro dia fiz uma sessão dupla que terminou às 4 da matina), “Assédio”, “Perdas e Danos”, “Pagamento Final”, “JFK”, “Meu Ódio Será Tua Herança”, “Corpos Ardentes”, “Taxi Driver”, “Os Infiltrados”, “Zodíaco”, “O Jogador”, e por aí vai.

Mas o filme que me custou mais horas de sono nos últimos nove anos foi “A Promessa” (“The Pledge”), de Sean Penn. Esse, eu assisto TODA vez que passa. Até dublado.

Estou sozinho nessa, ou mais alguém acha esse filme uma das grandes obras-primas do cinema moderno?

A história é simples: um policial prestes a se aposentar (Jack Nicholson) começa a suspeitar que o desaparecimento de algumas crianças é obra de um assassino serial, e resolve investigar o caso.

Todo mundo – incluindo seus chefes, que já não o agüentam mais – tentam dissuadi-lo da empreitada.

Não vou contar muito para não estragar a surpresa, mas dá para dizer que a coisa degringola e a trama vira um pesadelo de obsessão. Você é arrastado para dentro da paranóia do policial.

O elenco é uma coisa de louco: Aaron Eckhart, Benicio Del Toro, Harry Dean Stanton, Mickey Rourke, Robin Wright-Penn, Vanessa Redgrave, Costas Mandylor. Juntos.

“A Promessa” tem pelo menos seis ou sete sequências inesquecíveis. Há uma cena em que o policial vai falar com os pais de uma menina assassinada, filmada dentro de um galinheiro, que é uma das coisas mais arrebatadoras que já vi. Para melhorar, tem um dos finais mais exasperantes do cinema.

Depois desse, Sean Penn fez outro filme muito bom, “Na Natureza Selvagem”. Mas não chega aos pés de “A Promessa”.

Uma coisa para pensar sobre o diretor Sean Penn: pelo menos três de seus filmes, os dois citados acima e mais “Crossing Guard” (1995), lidam com pais que perdem os filhos. É certamente um tema caro a Penn, e que ele explora com o máximo de intensidade dramática em “A Promessa”.

Fora que é a melhor atuação de Jack Nicholson em muitos e muitos anos. Ele, que passou as últimas três décadas interpretando a si mesmo, mas aqui tirou umas férias do piloto automático.

Ninguém viu “A Promessa”. Passou batido nos cinemas. O dono da locadora perto da minha casa brinca que sou o único cliente desse filme. Será mesmo?

Escrito por André Barcinski às 00h23

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O primeiro filme a gente nunca esquece

Minha filha Nina tem dois anos e meio e raramente vê TV.

Sei que existem muitos programas educativos adequados a essa idade. Também conheço muita gente que vê benefícios para crianças pequenas. Mas minha mulher e eu não achamos legal deixar a Nina na frente do aparelho.

Não estou dizendo que estamos certos ou que pais que curtem ver TV com filhos pequenos estão errados. É simplesmente a maneira como escolhemos criá-la.

Em casa, Nina ouve CDs – alguns de historinhas – e folheia livros. Parece que isso estimula a imaginação dela mais que assistir à TV. Repito: não somos pedagogos, somos apenas pais. Não temos provas empíricas sobre isso, é apenas a nossa impressão.

Minha impressão é de que muitos pais usam a TV como um anestésico. Quem tem filhos pequenos sabe o poder que a telinha tem de acalmar crianças pequenas e deixá-las menos agitadas.

Isso não quer dizer que Nina não curte TV. Outro dia, na casa de um coleguinha, o pai do menino botou um desenho da Disney. Foi inacreditável: ela ficou com os olhos vidrados na tela, acompanhando a história. Seus olhos se encheram de lágrimas quando um cachorrinho quase se afogou. Nina estava realmente emocionada.

Depois dessa experiência, achamos que já era hora de Nina assistir a seu primeiro filme.

Escolhemos “Babies”, do francês Thomas Balmès. Foi uma ótima escolha. É um documentário, sem diálogos, sobre o primeiro ano de vida de quatro bebês: um no interior da África, outro na Mongólia, o terceiro em Sâo Francisco, nos Estados Unidos, e o quarto em Tóquio. Fascinante.

A idéia, de tão simples, é genial: deixar câmeras filmando bebês, sem interferir no dia a dia das crianças, só para acompanhar o desenvolvimento delas.

Nina adorou. Riu muito com os tombos e choros dos bebês; ficou triste quando um deles machucou a mão numa pedra e aplaudiu quando, no clímax, um bebê finalmente fica de pé e dá seu primeiro passo.  Já é uma cinéfila.

Escrito por André Barcinski às 00h09

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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