André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Brasileirão bate recorde de esculhambação

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Especialistas trabalham dia e noite para tratar o gramado do Engenhão

É impressão minha, ou este Brasileirão está uma bagunça?

Bom, sempre foi uma bagunça, mas este ano está particularmente esculhambado.

Não há um dia sequer sem uma notícia de mudança de data, ou mudança de local, ou mudança de horário, ou mudança de alguma coisa.

Ontem, Mano Menezes convocou a Seleção para mais dois amistosos caça-níqueis do Ricardo Teixeira, daqui a 15 dias.

Serão dois jogos tão vagabundos e sem importância que nem a CBF sabe ainda com quem o Brasil jogará.

Mano foi democrático, e prejudicou todos os líderes do Brasileirão igualmente: tirou Elias do Corinthians, Giuliano do Internacional, Mariano do Fluminense, Jefferson do Botafogo, Victor do Grêmio e Neto do Atlético-PR.

Só não convocou o Neymar por conta dos chiliques e o Montillo, do Cruzeiro, porque é argentino.

São jogadores importantes, que ficarão de fora num período crucial do campeonato.

Se eu fosse presidente de qualquer dos clubes acima, dava uma banana pro Mano e pra CBF. Não liberaria jogador nenhum pra jogar pelada na Europa.

E as obras para a Copa estão acabando com o Brasileirão.

O Cruzeiro vive num bate e volta entre Sete Lagoas e Uberlândia. Marcou jogos para Uberlândia, mesmo com o estádio interditado por falta de alvará.

E os times do Rio?

Flamengo joga em Volta Redonda, com pouco mais de 3 mil pagantes. Três mil? Num jogo do Flamengo?

E o Engenhão não dá. Nem os botafoguenses aguentam aquilo lá. Tanto que Vasco x Botafogo deu 14 mil pagantes. O Fla x Flu deu menos de 16 mil pessoas. E Flu x Atlético-MG, pouco mais de 4 mil.

É engraçado ver os comentaristas da Globo implorando aos torcedores para ir ao Engenhão. No Flu x Atlético, o gente boa Luiz Roberto disse que era “um dos estádios mais simpáticos e gostosos de ir”.

Gostoso pra você, meu amigo, que vai de van da Globo e fica no camarote. Tente sair de lá às 11 da noite e achar uma condução. É mais fácil achar uma barra de ouro na rua.

E o gramado do Engenhão? Parece uma trincheira da Primeira Guerra. Tem mais areia que o deserto de Lawrence da Arábia.

No jogo com o Vasco, Maicosuel, do Botafogo, ia marcar o gol, mas chutou um buraco, torceu o joelho e saiu de maca. Só volta ano que vem.

Foi lá também que Fred, do Flu, se machucou. Está há dois meses parado.

O Engenhão deveria ser patrocinado por alguma clínica de traumato ortopedia. Quem joga lá ganha um vale-estiramento.

E os horários dos jogos? Precisa ser o Chico Xavier pra adivinhar. Tem dia com jogos às 19h30, 21h e 22h. Liguei a TV pra ver Vasco x Botafogo e percebi que tinha perdido metade do jogo.

Se a Globo mandar, a CBF faz até um jogo na sessão coruja, às 2 da manhã, depois do Jô.

Será que é muito difícil pensar numa tabela já antecipando, por exemplo, que o Corinthians vai completar cem anos? Ou será que ninguém da CBF lembrava da data?

Pra finalizar, a cereja do bolo: a Conmebol anuncia, depois de 2/3 do Brasileirão, que teremos um time a menos na Libertadores.

Será que não dava pra ter resolvido isso antes do início do campeonato? Ou já estamos tão acostumados com regras que mudam de repente que nem nos surpreendemos mais?

Escrito por André Barcinski às 00h29

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Piada do ano: fãs elegem versão do Muse a melhor da história

Leio no blog de Marcos Bragatto (rockemgeral.com.br) a notícia aterradora, tirada do New Musical Express: “Cover feito pelo Muse é eleito o melhor em todos os tempos”.

 

Segundo a matéria, o público elegeu a versão do Muse para “Feeling Good”, de Nina Simone, superando Beatles (“Twist and Shout”), Hendrix (“All Along the Watchtower”) e Marvin Gaye (“I Heard It Through the Grapevine”).

 

Muse. O melhor de todos os tempos.

 

Repetindo, devagar, pra tirar qualquer dúvida: Muse. O melhor... de todos.. os tempos...

 

Isso que dá fazer votação em site. A razão sempre perde para os fãs. Vide Restart ganhando VMB, etc.

 

Não posso concordar com uma votação dessas. Pra falar a verdade, acho o Muse a pior banda do mundo.

 

Tecnicamente, há várias bandas piores que o Muse. São incontáveis as que não sabem tocar, que escrevem letras mais ridículas e melodias mais rasteiras.

 

Mas no conjunto, ninguém é pior que o Muse.

 

Porque o Muse SE ACHA FODA! Eles são os reis da cocada preta! Três deuses da música que respiram como se o ar deles fosse melhor que o nosso! Como se devêssemos lamber o chão onde eles pisam!

 

Os clipes do Muse são os piores.

 

Veja esse aí em cima, de uma balada nauseabunda chamada “Resistance”, cópia descarada do U2 com um pé no metal farofa do Europe.

 

A música tem uma introdução tosca de pianinho que até um cachorro manco tiraria de letra, mas, pela cara de sofrimento do vocalista, parece que ele está executando uma sonata de Rachmaninoff.

 

Rapaziada, duas palavras pra vocês: PUNK ROCK.

 

Comecem pelo básico: Clash, Sex Pistols, Ramones... Isso expurga o Muse de vez da cabeça. Daí em diante é com vocês.

 

Fui ver o Muse em São Paulo há alguns anos. Parecia o Rush tocando Iron Maiden.

 

O som era uma mistura do progressivo mais brega com o metal mais rastaqüera e o rock de arena mais pernóstico. Fazia o Spinal Tap parecer o Fugazi, de tão “autêntico”.

 

Tudo embalado por uma soberba que eu não via há muito tempo. Só faltava um faxineiro limpar o chão antes de o guitarrista fazer um solo.

 

Cada música tinha uma introdução interminável, preparando o clima para alguma coisa divina, que chegaria a galope para mudar o mundo e arrebatar corações.

 

Imagine o Massacration tocando progressivo.

 

Era tudo tão ridículo que eu tive um surto de riso incontrolável. Isso irritou o pessoal ao meu lado, que prestava atenção às letras e degustava com reverência cada verso desses Shakespeares contemporâneos.

 

Foi aí que descobri outra coisa: fãs do Muse se identificam tanto com a banda que também não têm o menor senso de humor.

 

Só de curiosidade, aí vai a lista da NME.

 

Os dez melhores covers em todos os tempos:

1-Muse - Feeling Good
2- The Beatles - Twist and Shout
3- Johnny Cash - Hurt
4- Jimi Hendrix - Hey Joe
5- Nirvana - Where Did You Sleep Last Night
6- The Clash - I Fought The Law
7- Jeff Buckley - Hallelujah
8- Jimi Hendrix - All Along The Watchtower
9- Marvin Gaye - I Heard It Through The Grapevine
10- The White Stripes - I Just Don’t Know What To Do With Myself

 

Confira aqui o Muse no programa de Jools Holland enterrando “Felling Good”, de Nina Simone, num lamaçal de pompa e presunção:

 

Agora compare com a original de Nina Simone. E chore:

Escrito por André Barcinski às 01h46

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Bill Murray é o rei

Eu idolatro Bill Murray.

 

Adoro os filmes ruins de Bill Murray. Os bons, conheço de cor.

 

Gasto horas caçando Bill Murray no Youtube.

 

Troco 38 temporadas de piadas de Seinfeld por cinco segundos de silêncio de Bill Murray.

 

Acho o sujeito um gênio.  Coisa rara. Um comediante minimalista, que diz muito sem fazer quase nada.

 

E o melhor: não interessa se ele interpreta Napoleão ou Hitler, ele sempre interpreta Bill Murray.

 

Bill Murray não tem agente e quase não dá entrevistas. O único contato dele é um 0-800. Você liga e deixa recado. Se ele gostar, retorna.

 

Veja aí em cima Bill Murray num sketch clássico do Saturday Night Live interpretando Nick, um cantor de bar decadente. O sketch tem John Belushi, Gilda Radner, Dan Aykroyd e Elliot Gould. Além de Paul Schaffer, braço direito de David Letterman, no piano. Não tem preço.

 

Se eu gosto tanto de Bill Murray, porque diabos esqueci do aniversário dele?

 

Ontem, Bill Murray fez 60 anos. Só lembrei porque li, no Virgula, uma lista dos “Top 10” filmes do ator, escrita por Thyago Gadelha. Ficou legal, mas a minha lista é bem diferente.

 

Aqui vão, em ordem crescente, meus 10 filmes prediletos de Bill Murray.

 

10 - “Almôndegas” (Meatballs, 1979)

Comédia tosca sobre uma colônia de férias chefiada por Bill Murray, em sua estréia no cinema. Tem um humor besteirol tipo “Porky’s”.

 

9 - “Não Tenho Troco” Quick Change (1990)

Murray dirigiu essa comédia sobre uma gangue que assalta bancos vestida de palhaço. Revi outro dia, ainda é engraçada.

 

8 - “Clube dos Pilantras” (Caddyshack, 1980)

Bill Murray, Rodney Dangerfield e Chevy Chase nesse tributo à estupidez humana dentro de um clube de golfe.

 

7 - “Feitiço do Tempo” (Groundhog Day, 1993)

Comédia simpática sobre um homem do tempo que, em visita a uma pequena cidade, percebe que seus dias se repetem magicamente. Murray está ótimo.

 

6 - “Kingpin – Estes Loucos Reis do Boliche” (Kingpin, 1996)

Da série “filmes ruins que nós amamos”. Murray está demente como um egocêntrico campeão de boliche. Seu duelo final com Woody Harrelson, o bolicheiro maneta, é de passar mal.

 

5 - “Nosso Querido Bob” (What About Bob?, 1991)

Um famoso psiquiatra (Richard Dreyfuss) vai à loucura quando seu paciente mais instável (Bill Murray, quem mais?) o persegue durante as férias.

 

4 - “Os Caça-Fantasmas” (Ghostbusters, 1984)

Falar o quê? A 32ª maior bilheteria da história dos Estados Unidos, numa comédia icônica dos anos 80.

 

3 - “Encontros e Desencontros” (Lost in Translation, 2003)

Filme predileto de Bill Murray, em que ele interpreta um famoso ator hollywoodiano que vai ao Japão fazer um comercial de TV e se envolve com uma moça infeliz (Scarlett Johansson). Murray arrasador na pele de um homem que perdeu qualquer vontade de viver.

 

2 - “Ed Wood” (1994)

Pra mim, o melhor filme de Tim Burton, disparado. Murray faz Bunny Breckinridge, um homossexual membro da trupe do pior cineasta de todos os tempos. Quase tive uma parada cardíaca na cena em que Bunny é batizado numa piscina. Até comprei o DVD pra ver de novo.

 

1 - “Três é Demais” (Rushmore, 1998)

Não é à toa que Martin Scorsese elegeu esse filme de Wes Anderson um dos melhores dos anos 90. Murray faz um milionário excêntrico que vira amigo de um estudante mais excêntrico ainda. É uma obra-prima, uma comédia torta no estilo de Hal Ashby.  Há uma cena antológica em que Murray, de cigarro na boca, copo de uísque na mão e cueca samba-canção da Budweiser, dá uma “bomba” na piscina e joga água nos convidados de sua mulher, ao som de Kinks. Confira aí embaixo.

Escrito por André Barcinski às 00h58

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Brasil bate recorde de venda de carros e de mortes nas estradas

 

 

 

 

 

 

 

 

 

O apresentador do telejornal não conseguia conter o júbilo: “Brasil bate novo recorde de venda de automóveis!”

Só faltou a charanga e o confete. Em tom triunfante, ele contou como os brasileiros compraram quase 13 mil carros novos por dia durante a primeira quinzena de setembro. Para ser exato, 12782.

Ontem, foram divulgados outros números.

Em 2009, o Brasil bateu o recorde de pessoas mortas nas estradas federais. Foram 7383 mortos no ano passado. Vinte pessoas por dia.

E o número real deve ser bem maior, já que muitos acidentados morrem em hospitais e não entram nas contas.

Não precisa ser nenhum gênio para saber que as duas notícias estão diretamente relacionadas. Quanto mais carros, mas chances de acidente.

Penso nisso quando chego a Sâo Paulo, depois de 45 dias de ausência, e descubro que o lado direito da minha rua, onde antes era proibido estacionar, agora é território livre para carros.

“Isso aqui ficou um inferno”, diz o dono da barbearia, há 54 anos no quarteirão, “Tem até briga pra parar o carro!”

No mesmo dia, o dono de um estacionamento na rua, 14 anos de bairro, avisa que o terreno foi vendido para um supermercado. “Vai ser ótimo”, ele diz, “Os imóveis aqui vão valorizar muito!”

Valorizar como, se ninguém vai conseguir chegar no lugar por causa do trânsito?

Dois dias depois, a Prefeitura anuncia que liberou a construção de um shopping na Paulista. É que o trânsito na Paulista deve estar super tranqüilo, então um megashopping e uma torre comercial de 400 andares não farão a menor diferença, certo?

Histórias como essas não são novidades em Sâo Paulo. Todo mundo já passou por isso.

Enquanto os especialistas discutem soluções que, sabemos, nunca sairão do papel, vemos a inauguração de novas estradas e de novas estações de metrô, que já nascem superlotadas e obsoletas.

Acho que o ponto é outro.

Se todo mundo reclama do trânsito e não agüenta mais carro, eu só gostaria de entender por que diabos somos tão obcecados por automóveis? O que leva a gente a babar por uma porcaria que causa mais problemas que soluções? Seria o corte do IPI? Ou as 1500 prestações sem juros?

Eu nunca dirigi. Mesmo assim, consegui sobreviver em duas das metrópoles mais inóspitas do mundo, Los Angeles e São Paulo, onde não ter carro equivale a ser cidadão de segunda categoria.

Eu sei, o transporte coletivo no Brasil é uma porcaria, e coisa e tal. Mas e o transporte individual, por acaso é melhor? Tem alguma diferença entre ficar engarrafado dentro de um carro ou dentro de um ônibus?

A coisa mais comum é ver um sujeito, sozinho dentro de um carro que levaria quatro, reclamando do trânsito na Marginal.

A culpa, no fim das contas, é nossa.

Somos nós que achamos normal um comercial de carro onde o adolescente aparece entristecido, de pé num ponto de ônibus, sonhando com o dia em que poderá ter a sua reluzente chumbreguinha mil, para não passar por pobre.

Pegar ônibus é pros outros. Você merece um carro.

Escrito por André Barcinski às 11h19

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Dois depoimentos sobre o melhor festival de música do mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

Por Laerte HC

O melhor festival do mundo. E ponto.

Bem, pode não ser “o” melhor festival do mundo, mas com certeza é o mais sensacional “modelo” de festival. Você passa o fim de semana imerso com alguns poucos milhares de privilegiados convivendo com dezenas dos mais geniais músicos, em algum hotel pelo interior do país.

Pode ser na Inglaterra, Estados Unidos ou Austrália. O legal é que você está hospedado no mesmo hotel que os artistas. Sem frescura. Então seu vizinho de quarto pode ser qualquer um.

Outro diferencial importante é que cada edição se dá sob a curadoria de um relevante músico ou banda, o que confere uma coerência e consistência ímpares ao evento.

 Os festivais são antológicos com seus line-ups que vão dos extremos e cabeçudos aos mais tranqüilos e fofos, como os dois fins de semana do “Nightmare Before Christmas”, o evento de natal deles; um a cargo de Godspeed You! Black Emperor e o outro do Belle & Sebastian.

O mais recente, com curadoria de Jim Jarmusch, foi nas montanhas de Nova Iorque.

Eles (ATP) também inventaram o “Don’t Look Back”, aquele formato de show em que o artista toca um álbum na íntegra, geralmente clássicas obras-primas das bandas.

O segredo não é segredo nenhum. Logo de cara o festival se coloca em uma posição de “staying intimate, non-corporate and fan-friendly”. E é exatamente este o clima. Artistas que gostam mesmo de tocar, muito mais do que se afetar pelo estrelato, tocando para fãs de música que se importam com o que esta tocando nos palcos.

Palcos em teatros de proporções relativamente pequenas para padrões de alguns artistas. Pense num salão semicircular com três níveis de pista, para 3000 pessoas. O mais próximo do palco comporta umas 500. Tudo isto sem um único logo de grande corporação concorrendo com a visão da banda em cena. Nem mesmo a marca ATP você enxerga no palco.

Aí é só somar: fanáticos por música + local pequeno + som potente + artistas tocando “for fun”... É uma catarse. A cada concerto você pensa: “pô! foi o melhor concerto do festival”.

 

Por Elson Barbosa

 

Kutschers Club é um resort a uma hora de Nova York. Um típico hotel decadente que devia ser chique nos anos 70 e onde aposentados vão passar férias.

 

É também palco do melhor festival do mundo - o All Tomorrow's Parties edição Nova York. O line-up é sempre inacreditável. A edição de 2008 teve curadoria do Kevin Shields, do My Bloody Valentine e, além da própria banda, o cara juntou Mogwai, Dinosaur Jr, Shellac, Lightning Bolt, A Silver Mt Zion, Om, Trail of Dead, Tortoise tocando o "Millions Now Living Will Never Die", Thurston Moore tocando o "Psychic Hearts", Meat Puppets, Fuck Buttons, Mercury Rev, Bob Mould, Yo La Tengo e mais uma cacetada de bandas.

 

O palco maior cabia 3 mil pessoas, a capacidade máxima do festival. O palco menor, com capacidade para umas mil pessoas, foi montado num salão de festas com cara de Baile da Saudade, decorado com cristais no teto que se fossem de verdade teriam rachado no show do Trail of Dead.

 

No último dia distribuíram protetores de ouvido na entrada do palco principal. O acessório parecia um exagero, mas foi indispensável no show do My Bloody Valentine e seu noise de uma nota só, que durou inacreditáveis 25 minutos.

 

Vi dezenas de pessoas indo embora com as mãos nos ouvidos. E não existe foto que descreva como é um show do Lightning Bolt. Os caras montam o set no chão, com um espelho em cima do amplificador - é a única forma de ver a banda se você não estiver caindo em cima da bateria.

 

Eles começam o show segundos depois da banda anterior (no caso foi o Shellac), e fazem um dos barulhos mais sem noção que eu já presenciei.

 

Durante todo o festival havia salas de cinema passando filmes cult, e artistas circulavam normalmente junto ao público (troquei idéia com o pessoal do Mogwai, puxei o saco do Lou Barlow, vi uma tiazinha muito louca andando por ali até ouvir alguém comentando "peraí aquela ali não é a Patti Smith?".

 

Na barraca de merchandising comprei CDs do Om diretamente das mãos do Al Cisneros. E ainda vi o Steve Albini de crupiê em uma mesa de pôquer pra quem quisesse jogar - bastava puxar uma cadeira e entrar com a grana. "ATP is like hanging out with your friends", nas palavras do próprio Albini. Não existe outro festival com uma vibe parecida.

Escrito por André Barcinski às 13h28

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Isso sim é festival de música!

Eu sei, o DVD saiu no fim de 2009, mas só agora tive a chance de assistir a “All Tomorrow’s Parties”, o documentário sobre o festival de música mais fodão do planeta.

É de chorar. Junto com “Heima”, do Sigur Rós, são os dois únicos filmes de shows que merecem ser considerados obras de arte.

Para quem não sabe, o ATP existe desde 1999. É uma organização sediada em Londres que organiza shows, lança discos, faz curadoria de eventos, etc.

Mas o filé mesmo é o festival. Realizado quatro vezes por ano (três na Inglaterra e um nos Estados Unidos), é um evento pequeno, sem patrocínios corporativos, e com os line-ups mais absurdos do planeta.

O ATP sempre convida um músico ou artista para escolher as bandas. O curador pode ser o Sonic Youth, o Melvins, o Portishead, ou Matt Groening, criador dos Simpsons.

Na Inglaterra, o festival é realizado numa grande colônia de férias. O público pode se hospedar no mesmo local dos artistas.

Não há nenhum logo de empresa no palco. Ninguém está lá tentando te vender um celular ou um provedor de Internet.

As bandas adoram. Todas aceitam tocar por uma fração do que ganham em outros lugares.

Nunca tive a chance de ir ao ATP. Mas um casal de amigos, Mag e Laerte, já foram a algumas edições, e as histórias são incríveis.

Em 2008, foram ao evento com curadoria de Melvins e Mike Patton. Viram, além dos dois, Mastodon, Dirtbombs, Butthole Surfers, Squarepusher, Boss Hog, Monotonix, Zu e Meat Puppets, entre outros.

No ano passado, voltaram, para a festa de 10 anos do ATP. Rolou Explosions in the Sky, Tortoise, Shellac, Mudhoney, Sunno, Battles, Bardo Pond, Dirty Three e mais uma penca de outros.

Este mês, aconteceu o ATP em Nova York. Laerte me prometeu um texto sobre o evento, onde viu Iggy and the Stooges, Sonic Youth, Sleep, Scientists, Fuck Buttons, Hallogallo (Michael Rother tocando clássicos do NEU!), Breeders e muito mais.

O DVD também é de chorar. Além de bastidores do festival, tem cenas ao vivo de Grinderman, Dirty Three, Gossip, Sonic Youth, Shellac, Yeah Yeah Yeahs, Daniel Johnston, Boredoms, e imagens inacreditáveis de um show do Lighting Bolt em que os fãs estão, literalmente, caindo por cima da banda.

Para nós, brasileiros, o ATP é uma utopia. Uma coisa dessas nunca rolaria por aqui.

Aqui não tem cena musical. Os eventos são todos bancados por um celular ou pela Petrobrás.

Eu tenho 42 anos e não agüento mais festival de música.

Não agüento mais correr de um palco para o outro vendo shows curtos, em que as bandas parecem perdidas no meio de tantos logotipos.

Não aguento mais ficar de pé por cinco horas no meio de uma multidão.

Não agüento mais áreas vips.

Ano que vem, vou ao ATP de Nova York. Lá não tem nada disso.

Escrito por André Barcinski às 00h11

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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