André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Cinco vezes zumbi

Bons filmes de mortos-vivos para curtir no fim-de-semana...

 

Hoje estréia “Epidemia”, surpreendente refilmagem de “O Exército de Extermínio” (1973), de George Romero. Aqui vai uma seleção de ótimos filmes de zumbis, todos disponíveis em DVD no Brasil (infelizmente, vários clássicos de Romero e Lucio Fulci não estão disponíveis, portanto não foram incluídos nessa lista).

 

A Noite dos Mortos-Vivos (George Romero, 1968)

O “Cidadão Kane” dos filmes de zumbi. Um clássico absoluto, até hoje aterrorizante. Uma orgia canibal que ecoa os sentimentos de Romero sobre a Guerra do Vietnã e os conflitos raciais da América no fim dos anos 60. E com um dos finais mais surpreendentes.

 

Exército de Extermínio (George Romero, 1973)

O pôster já gelava os ossos: “Por que as pessoas boas estão morrendo?” Rechaçado por público e crítica em 1973, o filme de Romero sobre a epidemia que ataca uma pequena cidade americana foi redescoberto em VHS e virou um “cult”. Vale a pena ver a refilmagem, que estréia hoje em SP.

 

Extermínio (Danny Boyle, 2002)

Fiquei muito surpreso com esse filme de Danny Boyle (“Trainspotting”). Ativistas libertam macacos infectados por um poderoso vírus. O vírus se espalha pela Inglaterra, transformando todos os súditos da Rainha em zumbis. Um grupo de sobreviventes tenta escapar da carnificina. “Extermínio” tem imagens fantásticas de cidades vazias e sequências realmente assustadoras.

 

Madrugada dos Mortos (Zack Snyder, 2004)

Outra excelente refilmagem de um clássico de George Romero. Depois que uma inexplicável epidemia transforma vizinhos em zumbis canibais, cidadãos se refugiam num shopping center. O filme original era um comentário ácido de Romero sobre a sociedade de consumo. Este não fica atrás e tem cenas pesadíssimas.

 

A Volta dos Mortos-Vivos (Dan O’Bannon, 1985)

Excelente comédia canibal, dirigida pelo saudoso O’Bannon, que morreu em 2009. Tem uma das melhores trilhas sonoras de todos os tempos, com The Cramps, 45 Grave, Roky Erickson, The Damned e outros.

Escrito por André Barcinski às 09h46

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Festivais que gostaríamos de ver...

Todo mundo sabe que festival de música no Brasil é um samba do crioulo doido. O Rock in Rio 2011 periga ter Radiohead e Ivo Meirelles.

 

Aqui vão alguns festivais bem diversificados e que poderiam muito bem fazer parte de nosso calendário de shows. Mandem as suas sugestões!

 

Machete com Banana

Death metal e axé, juntos pela primeira vez

Slogan: “Porque, no fundo, axé é coisa do demo”

Line-up: Entombed, Jammil, Gorgoroth, Claudia Leitte, Cannibal Corpse e o grande encerramento com Ivete fazendo um tributo ao Burzum

 

Publipop

Festival da música para publicitários

Slogan: “O start de um genial brainstorm de idéias”

Line-up: Jamiroquai, Cranberries, Simply Red, Jack Johnson, Lenny Kravitz, Coldplay, Black Eyed Peas, Muse, Joss Stone, Sting

 

Emostand

O chororô dos emos e a graça do stand-up juntos no mesmo evento

Slogan: “Por que só chorar quando se pode rir? Por que só rir quando se pode chorar?”

Line-up: Paramore, Rafinha Bastos, Panic at the Disco!, Tiririca, Tokyo Hotel, Nerso da Capitinga e encerramento com Evanescense interpretando os clássicos de Juca Chaves

 

Fórrave Universitário

O melhor do sertanejo eletrônico

Slogan: “Uma noite para arrastar o pé e bater a estaca”

Line-up: Fatboi Slim, Mastruz com Ecstasy, Chemical Bodes, Inimigos da 808 e as duplas Tiga & Tiesto e David Preta & Calcinha Guetta

 

Brownstock

Um festival com curadoria e produção de Carlinhos Brown

Slogan: “Um show para tirar a zica”

Line-up: Radiohead, Smiths (a volta com formação original), Depeche Mode, Neil Young, Sonic Youth, Kraftwerk, New Order, REM, Foo Fighters, Leonard Cohen, Carlinhos Brown. Brown abre o show, mas um inédito fenômeno climático causará nevascas em Salvador e o evento será cancelado depois de 15 minutos.

Escrito por André Barcinski às 00h17

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

10 razões para ir à mostra “Faroeste Spaghetti” no CCBB

A mostra “Faroeste Spaghetti - o Bangue-Bangue à Italiana”, que o CCBB inicia 18 de agosto em São Paulo e dia 24 no Rio, é uma chance imperdível de conhecer um dos gêneros mais injustiçados do cinema.

 

O “faroeste à italiana”, como ficou conhecida a onda de “westerns” rodados em toda a Europa (e não só na Itália) nos anos 60 e 70, mostra que o gênero, que nasceu como uma mera cópia oportunista do faroeste hollywoodiano, gerou filmes hoje considerados clássicos.

 

A retrospectiva reúne 20 filmes de diretores como Sergio Leone, Sergio Corbucci, Damiano Damiani, Enzo Castellari e outros.

 

Aqui vão 10 razões para não perder a mostra:

 

1 – Para assistir aos filmes de Sergio Leone, especialmente “Era Uma Vez no Oeste” (1968), em que ele tem o peito de colocar Henry Fonda, o ícone idealista de tantos faroestes hollywoodianos, no papel de um assassino sádico, e a “trilogia dos dólares” estrelada por Clint Eastwood: “Por Um Punhado de Dólares” (1964), “Por Uns Dólares a Mais” (1965) e “Três Homens em Conflito” (1966).

 

2 – Para ouvir as incríveis trilhas sonoras de Ennio Morricone, que inovou ao usar efeitos sonoros e até guitarra elétrica nos faroestes existencialistas de Sergio Leone.

 

3 – Porque os mocinhos são mais bandidos que os bandidos.

 

4 – Para conhecer o trabalho de Enzo Castellari, o “Sam Peckinpah italiano” e ídolo de Tarantino (que o escalou para uma ponta em “Bastardos Inglórios”), especialmente o faroeste místico “Keoma” (1976), inspirado em “O Sétimo Selo”, de Ingmar Bergman.

 

5 – Para confirmar se as locações na Sardenha (Itália) e Almeria (Espanha), muito usadas nos faroestes spaghetti, realmente lembravam o Oeste americano.

 

6 – Para conferir o violentíssimo “Django” (1966), de Sergio Corbucci, um banho de sangue protagonizado por Franco Nero, que gerou mais de 30 continuações e imitações.

 

7 – Para ver atores como Lee Van Cleef, Gian-Maria Volonté, Claudia Cardinale, Jason Robards, Giuliano Gemma, Charles Bronson e tantos outros.

 

8 – Para relembrar os ótimos Terence Hill e Bud Spencer, astros da série cômica “Trinity”, enorme sucesso de bilheteria no Brasil.

 

9 – Para perceber como a brutalidade e o clima “dark” dos faroestes europeus influenciaram o próprio “western” americano a partir do fim dos anos 60, como fica evidente assistindo a filmes como “Meu Ódio Será Tua Herança” (1969), de Sam Peckinpah.

 

10 – Finalmente, porque TODOS os filmes serão exibidos em película. E não tem nenhum blu-ray que chegue perto da coisa de verdade. Parabéns ao CCBB por isso.

Escrito por André Barcinski às 00h50

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Ninguém faz horário eleitoral como o Carlos Imperial...

Hoje começa o horário eleitoral gratuito. Não vou assistir a nenhum. Já escolhi meus candidatos. Além do mais, o programa é um porre.

Não consigo ver o horário eleitoral sem lembrar do Carlos Imperial (1935-1992). Se você não conhece o Imperial, sugiro correr até a livraria e comprar “Dez, Nota Dez!”, a divertida biografia do sujeito, escrita por Denilson Monteiro.

Imperial foi o picareta mais genial que o Brasil já conheceu. Um dos pioneiros do rock no país, apresentou programas na TV e no rádio, escreveu colunas de jornal, lançou discos, fez filmes, jogou nas onze. Gostava de polêmica e sabia criar escândalos como ninguém. Era uma manchete ambulante.

Em 1985, Imperial inventou sua jogada mais estapafúrdia: candidatou-se a prefeito do Rio. Num gesto de extrema sem-vergonhice, criou o PTN –Partido Tancredista Nacional - para tentar faturar com a comoção causada pela morte de Tancredo, meses antes.

Seu tempo na TV era curtíssimo. Mas ele, velho macaco de imprensa, usava os poucos segundos de que dispunha com táticas chocantes. Cercado de assistentes – as “zebrinhas” – Imperial aparecia com uma camisa zebrada, ao som de “Cidade Maravilhosa” e sempre gritando seu bordão: “vai dar zebra!”. Na parede, uma foto de Tancredo Neves adicionava ainda mais surrealismo à coisa toda.

Já viu um filmaço do Sidney Lumet chamado “Rede de Intrigas” (1976)? Peter Finch faz um apresentador de TV que pira no ar e anuncia que vai se matar em rede nacional. “Estou puto da vida e não agüento mais!”, grita o alucinado. A audiência dispara.

Imperial resolveu imitar Peter Finch. Ele apontava diretamente para a câmera, fazia cara de revoltado e dizia: “Povo do Rio de Janeiro, é, você, meu amigo, que vive sendo sacaneado... vá agora para a janela e grite: ‘Eu não agüento mais!!!!’”

Eu tinha 17 anos e fiquei louco com o Imperial. “Eu não agüento mais!” virou o bordão meu e de todos os meus amigos. Não tinha uma aula de Física em que algum retardado não levantava no meio da sala e gritava “Eu não agüento mais!!!!!”

Fui até um comitê do Imperial e peguei todos os cartazes, adesivos e bonés que pude. Comecei a fazer campanha.  Imperial pedia que os “patrulheiros mirins” ligassem para ele, denunciando qualquer desmando na cidade. “Você será atendido pessoalmente por uma zebrinha”, prometia. Mandei várias reclamações contra meus professores mas, infelizmente, nenhuma foi lida no ar. Também nunca consegui falar com nenhuma zebrinha.

Imperial não ganhou. Mas sua campanha na TV é a melhor que já vi até hoje.

Outros tentaram: havia um candidato no Rio chamado Nelson Merru, que costumava encerrar seu discurso jogando um espanador na direção da câmera. E não podemos esquecer o grande Marronzinho, candidato a presidente em 89, que prometia pagar a dívida externa com óleo de mamona. Mas nenhum chegou nem perto do Imperial.

Por isso, quando você ligar a TV e der de cara com o horário eleitoral gratuito, vá até sua janela, abra a janela e grite: EU NÃO AGUENTO MAIS!!!!!!

Escrito por André Barcinski às 00h59

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Rock in Rio 2011: socorro!

Roberto Medina divulgou a bomba: o Rock in Rio acontecerá em setembro de 2011.

Foi divulgado também um clipe com diversos artistas nacionais, no que só pode ser visto como uma prévia do que podemos esperar para o ano que vem. Tem Ivete Sangalo, Tico Santa Cruz, Toni Garrido, Ed Motta, e muito mais. Confira acima.

Já começaram as apostas para o line-up.

Aqui vão duas escalações imaginárias: quem eu ACHO que vai tocar, e quem eu GOSTARIA que tocasse.

QUEM EU ACHO QUE VEM: Lady Gaga, Shakira, Elton John, Lenny Kravitz, Coldplay, Iron Maiden, Ivete Sangalo, Restart, Luan Santana, Fresno, Ed Motta, Barão Vermelho, Fiuk, Mallu Magalhães

QUEM EU GOSTARIA QUE VIESSE (mas não tenho esperança alguma): Queens of the Stone Age, Neil Young & Crazy Horse, Wilco, My Bloody Valentine, Tame Impala, Sigur Rós, Chemical Brothers, Flaming Lips, Ministry (lançando seu filme), Leonard Cohen

Mande as suas sugestões dos line-ups do sonho (e do pesadelo)...

Escrito por André Barcinski às 10h23

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Dois discos novos (e um nem tanto...)

Wavves – “King of the Beach”

O nome diz tudo: rei da praia. Wavves é de San Diego e faz música solar, animada, um lo-fi de pegada pop, meio Beach Boys, meio Beat Happening. Dois ex-membros da banda de Jay Reatard se juntaram ao Wavves depois da morte de Reatard, o que faz todo sentido, já que JT também fazia um punk bubblegum de primeira. Eu adoro esse disco.

 

Emeralds – Does It Look Like I´m Here?

Trio americano de ambient eletrônico. “Does it Look Like I’m Here?” é música de estrada, uma coleção de mantras cósmicos e etéreos formando camadas de sons que entorpecem – no bom sentido, claro. Música pra ver a tarde cair.

 

Flaming Lips – Embryonic

O disco surgiu e sumiu rapidamente. Ninguém falou muito. Não sei por quê. Acho “Embryonic” uma obra-prima. O krautrock de Neu!, Can e Faust esculhambados pela psicodelia dos malucos de Oklahoma. Como se Syd Barrett e Roky Erickson resolvesse mudar para Berlim. Parece que o público gostou bem mais da versão esculhambada que os Lips fizeram do “Dark Side of the Moon”. Eu não achei muita graça. Continuo escutando “Embryonic”.

Escrito por André Barcinski às 23h46

Comentários () | Enviar por e- mail | PermalinkPermalink #

Ver mensagens anteriores

PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

BUSCA NO BLOG


ARQUIVO


Ver mensagens anteriores
 

Copyright Folha.com. Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução do conteúdo desta página
em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita da Folha.com.