André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

O Lado B de Al Pacino

Acaba de sair “Os Viciados” (1971), um filme pouco conhecido do ator. Aqui vai uma seleção pessoal de filmes ótimos e não tão famosos de Pacino. Atenção: eu NÃO incluí “O Poderoso Chefão”, “Serpico” e “Um Dia de Cão”, que são hors-concours, ok?

Todos os filmes estão disponíveis em DVD no Brasil, com exceção de “Parceiros da Noite”. Este, só fuçando em sebos atrás do VHS.

 

 

O Pagamento Final (Brian De Palma, 1993)

Um dos meus filmes prediletos de todos os tempos. Não sei o que é melhor: o gângster chicano de Pacino ou o advogado judeu cheirador de Sean Penn. A sequência da perseguição na estação de trem deveria ser currículo obrigatório em qualquer escola de cinema.

 

Os Viciados (Jerry Schatzberg, 1971)

Doidões circulam por um local conhecido por “Needle Park” (“parque das agulhas”). Primeiro papel de destaque de Pacino no cinema.

 

Parceiros da Noite (William Friedkin, 1980)

Um assassino serial mata vários gays em Nova York. Pacino faz um policial que se infiltra no submundo gay sadomasô em busca do maníaco. Couro, tachas e muito sangue. Pesado.

 

Vítimas de Uma Paixão (Harold Becker, 1989)

Um fantástico “noir” sobre um policial que investiga assassinatos e acaba se envolvendo com a principal suspeita, uma coisa de louco chamada Ellen Barkin.

 

Ricardo III - Um Ensaio (Al Pacino, 1996)

Pacino dirigiu esse documentário surpreendente sobre a obra de Shakespeare.

Escrito por André Barcinski às 02h10

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Ben Keith (1937 - 2010)

Um dos maiores comparsas musicais de Neil Young se foi

Neil Young - Heart of Gold from crisol de músicas on Vimeo.

Por quase 40 anos, fãs de Neil Young se acostumaram a ver Ben Keith sentado no palco, tocando sua "steel guitar" e arrancando os lamentos mais lindos que se pode imaginar. Ou tocando guitarra. Ou baixo. Diabo, o sujeito fez quase tudo com Neil Young. Veja aí em cima ele sentado, tocando "steel guitar" em "Heart of Gold". 

Keith tocou em "Harvest", "On the Beach", "Tonight's the Night", "Harvest Moon" e tantos álbuns clássicos. Acompanhou Young em incontáveis turnês e foi um de seus melhores amigos e colaboradores.

Ben Keith morreu terça, de um ataque do coração, aos 73 anos.

Neil Young um dia apresentou Keith assim: "Juro por Deus, eu amo todos os sons que esse homem faz". Nós também.

Escrito por André Barcinski às 03h33

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Andre Agassi, o punk do tênis

Drogas, torturas e talento: a autobiografia de um gigante das quadras

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Você não manja nada de tênis? Não tem a menor idéia do que seja um “tie break”? Sabe a diferença entre pisos de saibro e grama? Não?  Mesmo se o seu interesse em tênis for zero, vale a pena correr até a livraria mais próxima e comprar “Agassi”, a autobiografia do tenista norte-americano Andre Agassi. É um dos melhores livros sobre esporte que já li.

Agassi relata com impressionante sinceridade todos os momentos marcantes de sua vida, das glórias nas quadras às desgraças da vida pessoal.

A infância de Andre foi um pesadelo. Seu pai, um sádico, forçava o menino-prodígio a treinar longas horas, obrigava o filho a tomar anfetaminas para aumentar sua performance na quadra e submetia-o a torturas psicológicas extremas. Chegou a apostar a casa da família num jogo da criança contra um adversário adulto: “Ou você ganha esse jogo, ou não teremos onde dormir”. Por causa disso, diz Agassi, “eu sempre odiei tênis”.

Não podia dar em boa coisa. Logo ele estava viciado. Não só em anfetaminas, mas também na destruidora metanfetamina (“crystal meth”).

O livro também revela detalhes incríveis dos bastidores do tênis profissional. Agassi relata suas inesquecíveis disputas com Pete Sampras, seu ódio de Michael Chang (o “bom moço” cristão) e Jimmy Connors (“babaca arrogante”), e suas batalhas contra o odiado alemão Boris Becker.

Agassi conta que tinha muita dificuldade para jogar contra Becker, até que descobriu o segredo para adivinhar a direção de seu saque: segundo Agassi, o alemão, que tinha a mania de pôr a língua para fora na hora de sacar, sempre apontava a língua na direção em que iria sacar. “Depois que descobri isso, nunca mais perdi para ele”. Quem conhece tênis sabe que o golpe mortal de Agassi era justamente sua incrível devolução de saque.

Os últimos capítulos são emocionantes, contando seu encontro com o amor de sua vida, a tenista alemã Steffi Graff, e a difícil decisão de se aposentar.

Agassi não foi apenas um dos gigantes do tênis, mas um esportista carismático e de opiniões fortes. Coisas que fazem falta nessa época em que o esporte parece dominado pelo bom-mocismo e pela submissão corporativa.

Escrito por André Barcinski às 00h41

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O maior escritor vivo?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Harold Bloom sabe o que fala. O grande crítico literário escreveu o seguinte sobre “Meridiano de Sangue”, de Cormac McCarthy: “É o maior feito literário de qualquer escritor americano vivo (...) nem mesmo Pynchon nos deu um livro tão forte e memorável”.

Nos últimos anos, o nome de McCarthy se popularizou, especialmente depois de duas adaptações para as telas de seus romances: “Onde os Velhos Não Têm Vez”, que os Irmãos Coen transformaram no ótimo “Onde os Fracos Não Têm Vez”, e o mais recente “A Estrada”, que não conseguiu levar às telas todo o poder do livro.

McCarthy escreveu dez livros. Já li seis, e nenhum se mostrou menos que brilhante. Meu favorito é “Meridiano de Sangue”, lançado em 2009 no Brasil pela Alfaguara (e em 1991 pela Nova Fronteira, com o nome de “Meridiano Sangrento”).

O livro conta a história de um grupo de mercenários que vivem de escalpelar índios na fronteira do Texas com o México, na metade do século 19. Algumas passagens são assombrosas. O livro todo tem um clima de delírio surrealista e pesadelo gótico. É uma das experiências mais intensas e inesquecíveis. “Meridiano de Sangue” é o único livro que comecei a reler imediatamente depois de terminá-lo.

Para quem não está familiarizado com a obra de McCarthy, recomendo começar por “A Estrada”, inacreditável história de pai e filho andando por um cenário pós-apocalíptico, ou pelo faroeste “noir” “Onde os Velhos Não Têm Vez”.

Menos intensos, porém igualmente memoráveis, são os livros que formam a “Trilogia da Fronteira”: “Todos os Cavalos Bonitos”, “A Travessia” e “Cidades da Planície”. São histórias passadas no Oeste americano na metade do século 20, envolvendo longas e perigosas travessias para lugares desconhecidos (especialmente o México). Ler os três na sequência é uma experiência inesquecível.

Depois de “Onde os Fracos Nâo Têm Vez” e “A Estrada”, outros dois livros de McCarthy estão sendo adaptados para o cinema: “Cidades da Planície” e “Meridiano de Sangue”. Tomara que não estraguem as histórias.

Escrito por André Barcinski às 00h08

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O dia em que o Twitter venceu Rambo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

A essa hora, todo mundo já sabe da história: durante um evento na Califórnia, Sylvester Stallone fez umas piadas sobre o Brasil, onde filmou seu último longa, “Mercenários”. Em pouco tempo, as declarações estavam na rede. Em minutos, rolou uma avalanche de protestos no Twitter. Stallone viu a besteira que fez e pediu desculpas.

Claro que Mister Rambo não mudou de idéia. Se ele acha que no Brasil as pessoas presenteiam as outras com macacos, vai continuar achando. Sua decisão de pedir desculpas foi puramente comercial. Já imagino o agente ligando para ele: “Sly, isso vai prejudicar nossa bilheteria no Brasil. Volta lá e pede desculpas!”

Celebridade falando besteira não é novidade alguma. O que impressiona, nesse caso, foi a velocidade da reação.

Ao contrário da maioria dos brasileiros, não fico ofendido com essas coisas. Acho que declarações dessas revelam muito mais sobre quem disse a frase do que sobre o tema. Se Hillary Clinton ou Obama tivessem falado algo semelhante, aí sim seria um escândalo. Mas Stallone?

Em defesa de Stallone, vale dizer que ele é uma das celebridades mais abertas em entrevistas. Suas entrevistas são bem melhores que seus filmes. Diferentemente de outros astros de filmes de ação, como Schwarzenegger (que não falava uma frase sequer que não começasse pelo título do filme que estava divulgando), Stallone parece que fala o que está na cabeça, sem ligar muito para as consequências.  Já o entrevistei diversas vezes e sempre foi muito divertido.

Lembro de uma vez em que ele começou a ironizar a própria mãe, Jacqueline, uma conhecida astróloga: “Minha mãe é a pior vidente do mundo”, ele me disse. “Ela não acerta uma previsão. Tudo que ela diz, sai ao contrário”.

Stallone é sincero até sobre a ruindade de seus próprios filmes: “Eu não sei onde estava com a cabeça quando fiz aquilo”, disse, referindo-se a “Falcão”, seu épico sobre o mundo das competições de... quedas-de-braço.

Confesso que simpatizo com Stallone. Seus filmes continuam horríveis, mas sua sinceridade é até ingênua.

Escrito por André Barcinski às 09h39

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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