André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Tem coisa pior que ver “Predadores”? Tem: ver “Predadores” no Iguatemi

O filme é ruim, mas o público é pior ainda

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 Hoje estréia “Predadores”. É um dos piores filmes que já vi, e olha que eu gosto de “trasheira”. Mas esse nem engraçado é. Parece um episódio de “No Limite” estrelado pelo elenco do “Zorra Total”. Imagine o “Seu” Peru vestido de Rambo e correndo pela selva. É por aí.

Não dá nem para imaginar o esforço que Adrien Brody (Oscar de melhor ator por “O Pianista”), Laurence Fishburne e Alice Braga devem ter feito para falar os diálogos sem cair na gargalhada. Provaram que são ótimos atores.

Agora, pior que assistir a “Predadores”, é ver o filme no Shopping Iguatemi.

Eu sempre odiei shopping. Só o conceito de uma caixa fechada onde pessoas são soltas para comprar coisas me parece abominável. Faço tudo que posso para evitar entrar em shoppings. Cinema, então, nem pensar. Prefiro um pulgueiro de rua do que um IMAX no shopping.

Fora que, em cinemas como Belas Artes, Espaço Unibanco, Cinesesc, Sala Cinemateca, CCBB e Centro Cultural Sâo Paulo, a chance de ver alguém falando no celular ou twittando durante a sessão é bem menor. Existe, mas é menor.

Nas poucas vezes em que preciso apelar aos cinemas de shopping, tento ir durante a semana ou em horários mais vazios. Mas dessa vez não deu. Como eu havia perdido a sessão de imprensa de “Predadores” e tinha de escrever pra Folha, só me restou ir à pré-estréia no Iguatemi.

Para quem não mora em Sâo Paulo, vale um parágrafo sobre o Iguatemi: o shopping tem as lojas mais caras e badaladas da cidade. Os corredores parecem uma mistura de sala de espera do Pitanguy com campo de pólo. Dondocas siliconadas, patricinhas de chapinha e playboys de gel no cabelo flanam à vontade.

Voltando a “Predadores”: a sala estava lotada. Do meu lado sentou um casal. Ele usava camisa de jogador de pólo e ela parecia a Lidsay Lohan. Levavam dois sacos de comida e bebida. Passaram a sessão inteira devorando hambúrgueres, chupando canudinhos e batendo papo.

A menina, talvez distraída com os nacos de cebola que caíam do sanduíche, não estava entendendo direito a trama do filme (e olha que estamos falando de “Predadores”, não de “Hiroshima, Meu Amor”). O galã da camisa de jogador de pólo explicava para ela: “Agora o predador ficou puto! Olha só, amor, ele vai pegar o japonês...”

Em certo momento do filme, tinha tanta gente falando no celular que eu achei que estava no meio de alguma promoção de operadora: LIGUE AGORA E CONCORRA A BONECOS DE AÇÃO DA ALICE BRAGA!

Até pensei em reclamar com o sujeito do meu lado, mas não valia a pena. Era “Predadores”, afinal.

Escrito por André Barcinski às 10h03

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30 anos sem Peter Sellers

Os melhores papéis do homem das mil faces

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Dia 24 de julho é o 30º aniversário da morte de Peter Sellers. Para celebrar a carreira desse ator formidável, listei o que são, na minha opinião, as cinco melhores atuações de Sellers, sem ordem de preferência. São elas:

 

“Muito Além do Jardim” (Hal Ashby, 1979)

Sellers está incrível como um jardineiro que, isolado numa casa por décadas com a companhia apenas da televisão, é forçado a sair depois da morte do patrão e acaba amigo de um magnata e de sua mulher, interpretada por Shirley MacLaine.

 

“A Pantera Cor-de-Rosa” (Blake Edwards, 1963)

A série do inspetor Clouseau teve diversas sequências e refilmagens (com Steve Martin), mas o primeiro filme ainda é o clássico.

 

“Doutor Fantástico” (Stanley Kubrick, 1964)

OK, podem me xingar, mas eu realmente acho que essa parábola de Kubrick sobre a Guerra Fria envelheceu muito mal. Deve ter sido um impacto tremendo na época, mas hoje tem um humor pesado e caricato. Isso não tira o brilho da interpretação de Sellers, que fez três papéis.

 

“Quinteto da Morte” (Alexander MacKendrick, 1955)

Comédia de humor negro sobre um grupo de assaltantes que planeja um golpe e aluga quartos na casa de uma velhinha. Foi refilmado pessimamente pelos irmãos Coen em 2004, com Tom Hanks no papel de Sellers.

 

“Um Convidado Bem Trapalhão” (Blake Edwards, 1968)

Outra comédia que soa muito datada mas que ainda tem seus momentos, especialmente pela interpretação contida de Sellers.

Escrito por André Barcinski às 02h17

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Para quem vai ao Pixies, bom show!

Um megashow numa segunda-feira? E proibido para menores? Alguém explica?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em outubro rola um novo festival de música, o SWU, numa fazenda em Itu. Vão tocar Linkin Park, Kings of Leon, Pixies, Incubus, a nova versão do Sublime e vários outros.

Acho sensacional quando alguém investe em novos eventos no Brasil, e gosto muito da idéia de festivais ao ar livre. Mas não consigo me animar com este. A menos que alguém me responda a algumas perguntas que não querem calar:

1 - Por que Pixies no mesmo dia de Linkin Park e Incubus?

Sempre defendi line-ups diversificados. Mas há uma diferença entre variedade e esquizofrenia. E botar o Pixies aqui é coisa de maluco. Fãs de Linkin Park e Incubus vão odiar o Pixies, e vice-versa. Não teria sido melhor colocar o Pixies no dia anterior, com Kings of Leon e Regina Spektor?

2 – Por que um festival que tem Linkin Park é proibido para menores de 18 anos?

Isso é como trazer a Filarmônica de Berlim e proibir a entrada de adultos.

3 – Por que o festival acontece no domingo, 10 de outubro, e na segunda, 11 de outubro?

Sei que dia 12, terça, é feriado. Mas e quem trabalha na segunda? Ou será que todas as empresas do Brasil vão emendar o feriadão?

Tenho certeza absoluta que existem respostas lógicas para todas essas perguntas. Sei que trabalhar com grandes artistas é uma complicação tremenda e que conciliar as agendas de todos esses nomes não deve ser mole.

Mas estou na torcida para o festival ser um sucesso. Acredito que precisamos de grandes eventos por aqui. Só temo que algumas decisões possam prejudicar o público e o evento. Alguém explica?

Escrito por André Barcinski às 01h15

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O dia em que o cinema morreu

Há 20 anos, desaparecia Sergei Paradjanov

Sabe aqueles momentos em que você está diante de algo tão sublime que sua cabeça parece explodir e seus pré-conceitos somem de repente? Quando seu horizonte se abre e você descobre, bestificado, que não sabe nada de nada?

Todo cinéfilo já viveu esses momentos. Lembro de dois: o primeiro aconteceu quando vi “O Despertar da Besta (Ritual dos Sádicos)”, de José Mojica Marins. O segundo, durante uma sessão de “A Lenda da Fortaleza Suram”, do armênio Sergei Paradjanov.

Os filmes de Paradjanov são inclassificáveis. A própria palavra “filme” parece limitadora e asfixiante. Talvez “poemas audiovisuais” lhe façam mais justiça. Seus temas – se é que dá para falar de temas em filmes tão abrangentes – são as lendas e o folclore da Armênia e da Ucrânia. Mas ele não nunca foi interessado em contar histórias. Sua ambição é descrever almas, sonhos e lendas.

Sempre achei que Paradjanov jogava no time dos primitivos, formando um quadrado mágico com José Mojica Marins, Pier Paolo Pasolini e Alejandro Jodorowsky. Quatro gigantes conectados por uma força estranha. Criadores de um cinema brutal e de imagens inesquecíveis que parecem carregar todo o peso do passado.

Muita gente já tentou definir a arte de Paradjanov: “Ele filma como se ninguém jamais tivesse usado uma câmera antes”; “Ele faz filmes não sobre como as coisas são, mas como elas seriam se ele fosse Deus”. Mas a melhor explicação talvez seja mesmo a do amigo e grande cineasta russo Andrei Tarkovsky : “Nunca existiu um artista tão livre quanto Paradjanov”.

Ironia que o cineasta da mente livre passou tanto tempo preso. Acusado de sodomia e homossexualismo, passou quatro anos na Sibéria. Sem poder filmar, pintava e desenhava. Se não fosse pelos seguidos apelos de seus amigos e admiradores, entre eles o escritor John Updike e o surrealista francês Louis Aragon, teria morrido na prisão. Mas saiu a tempo de filmar “Suram”.

Hoje, 20 de julho, faz 20 anos que Paradjanov morreu. Vale a pena celebrá-lo, alugando “A Lenda da Fortaleza Suram”, “A Cor da Româ” ou “Sombras de Antepassados Esquecidos”.

Escrito por André Barcinski às 00h15

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Confissões de um comedor de morcego

Saiu no Brasil a autobiografia de Ozzy Osbourne, e é imperdível

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Ainda não terminei de ler, mas já posso recomendar: “Eu Sou Ozzy” é incrível. Mesmo quem não curte metal ou, como eu, parou de ouvir músicas novas de Ozzy em 1985, o livro vale a pena.

 

Ozzy relata, em primeira pessoa, detalhes escabrosos de sua vida. Os primeiros capítulos falam de sua infância pobre de proletário inglês, e é chocante descobrir o quão pobre a família realmente era. Segundo Ozzy, ele nunca usou roupas de baixo porque o pai não tinha dinheiro para comprar cuecas.

 

Quase tive uma parada cardíaca de tanto rir com a descrição de seus primeiros empregos: afinador de buzinas de carro e matador de vacas e porcos num abatedouro.

 

Já entrevistei Ozzy algumas vezes. Sempre foi um sujeito muito aberto e nunca se recusou a responder a uma pergunta, por mais escabrosa.

 

Lembro que, em 1994, perguntei a ele por que não havia escrito uma autobiografia. Ele respondeu: “Porque eu tenho um buraco na minha cabeça do tamanho de uma bola de basquete. Tomei tanta droga que não consigo lembrar nada do que aconteceu comigo de 1970 a 85!”

 

Depois, questionei sobre um episódio marcante de sua carreira, quando ele mordeu a cabeça de um pombo durante uma reunião de executivos da gravadora CBS. Ozzy tinha acabado de ser contratado.

 

- Por que você decepou um pombo a dentadas?

- Porque os executivos de minha gravadora não confiavam em mim.

- E eles passaram a confiar em você depois que você matou um pombo a dentadas?

- Não, mas pelo menos ficaram com tanto medo de mim que passaram a fazer tudo que eu pedia.

 

Mal posso esperar para ler sobre a célebre turnê de Ozzy com o Motley Crue, famosa pelas histórias inacreditáveis de bebedeiras e orgias. Foi quando Ozzy, desesperado porque a cocaína havia acabado no ônibus, saiu na rua, ficou de quatro na calçada e cheirou uma carreira de formigas. Depois eu conto... 

Escrito por André Barcinski às 14h33

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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