André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

O melhor e o pior de Tom Cruise

Qual seu filme predileto de Cruise? E o pior? Aqui vão minhas escolhas...

 

Os melhores

5 - “A Firma” (Sydney Pollack, 1993)

Filmaço sobre advogados e a Máfia, baseado num livro de John Grisham. Cruise está ótimo como o jovem ambicioso que se vê envolvido num esquema cabuloso.

 

4 - “Rain Man” (Barry Levinson, 1988)

Cruise e Dustin Hoffman – este interpretando um autista – fazem um grande duelo de interpretações nesse bonito “road movie”

 

3 - “Negócio Arriscado” (Paul Brickman, 1983)

Comédia surpreendente sobre um jovem que, durante uma viagem dos pais, monta um serviço de “acompanhantes” para amigos, com ajuda da estonteante Rebecca De Mornay

 

2 - “Missão Impossível” (Brian De Palma, 1996)

Até hoje, o melhor filme de ação de Cruise. De Palma no auge da forma, com cenas incríveis e inventivas

 

1 - “A Cor do Dinheiro” (Martin Scorsese, 1986)

Cruise, o novato, e Paul Newman, o veterano, vão à luta nesse empolgante drama sobre o submundo da sinuca profissional. Um dos filmes mais subvalorizados de Scorsese.

 

Os piores

5 – “Encontro Explosivo” (James Mangold, 2010)

Daqui a uns 20 anos, ninguém vai lembrar dessa confusa comédia romântica de ação. Parece um episódio de “Armação ilimitada” com orçamento de 100 milhões de dólares.

 

4 – “Entrevista com o Vampiro” (Neil Jordan, 1994)

OK, tem Cruise e Brad Pitt juntos, e as meninas adoraram na época. Mas você reviu recentemente? Então veja de novo. É péssimo.

 

3 – “Leões e Cordeiros” (Robert Redford, 2007)

Nada funciona nesse drama político. Nem um elenco com Cruise, Meryl Streep e Robert Redford salvou um fiasco de bilheteria e crítica.

 

2 – “Vanilla Sky” (Cameron Crowe, 2001)

Juro que até hoje não entendi sobre o que é esse filme. Mas dou muita risada quando Cruise aparece com uma máscara de Jason.

 

1 – “De Olhos Bem Fechados” (Stanley Kubrick, 1999)

Um “thriller” erótico que não tem nem suspense e nem erotismo. Cruise e Kidman formam o casal mais sem “sex appeal” desde Tarzan e Chita.  Kubrick errou a mão feio nesse aqui.

 

Escrito por André Barcinski às 20h11

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Já viu "À Prova de Morte"?

O filme de Tarantino é uma orgia de referências a filmes B

 

"À Prova de Morte" estréia hoje no Brasil, com três anos de atraso. Está longe de ser o melhor filme de Quentin Tarantino, mas é divertido e vai agradar aos fãs de cinema de "exploitation" americano dos anos 60 e 70.

O filme tem dezenas de referências e citações a "cult movies". Algumas que eu consegui identificar:

- Uma personagem, Shanna, usa uma camiseta com a imagem de Tura Satana, a personagem principal de "Faster, Pussycay, Kill! Kill" (1965), clássico do mestre do gênero "peitos e porradas", Russ Meyer.

- Há uma sequência em que o dublê assassino interpretado por Kurt Russell tira fotos de um grupo de meninas. Essa sequência é copiada da abertura de "Os Pássaros das Plumas de Cristal" (1970), do italiano Dario Argento. Tarantino também usa a música do filme.

- Um carro em alta velocidade destrói o cartaz de um drive-in que anuncia "Wolf Creek" (2005), um apavorante filme de terror sobre um assassino serial que persegue turistas no deserto australiano.

- Personagens falam de filmes como "Gone in 60 Seconds" (o original, não a refilmagem com Angelina Jolie), "Vanishing Point", "Big Wednesday"

- Quando alguém não enxerga um gigantesco outdoor na estrada, uma personagem o chama, ironicamente, de Zatoichi, nome do samurai cego da cultuada série de filmes japonesa.

- Para convencer uma moça a fazer uma dança erótica, o personagem de Kurt Russell recita trechos de um famoso poema de Robert Frost, "Stopping by Woods on a Snowy Evening". É o mesmo poema que o personagem de Donald Pleasence usa para hipnotizar suas vítimas por telefone no fantástico "thiller" "Telefone" (1977), de Don Siegel. Aliás, vale a pena procurar esse filme.

- O roteiro de "À Prova de Morte" é dedicado a Charles B. Griffith, o mesmo roteirista de "Death Race 2000" (1975), "cult movie" produzido por Roger Corman sobre uma corrida de carros em que os competidores ganham pontos se atropelarem mais gente no caminho.

Para ver a lista completa de referências, clique aqui. É um fórum de fãs do Tarantino cujos dias aparentemente têm 48 horas e tiveram o trabalho de listar tudo. Divertido.

 



Escrito por André Barcinski às 13h39

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Minhocão: o caminho da pedra

Estão falando em demolir o Minhocão. Minha opinião: já vai tarde!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Desde que mudei para Sâo Paulo, sempre morei próximo ao Centro. Hoje estou em Santa Cecília, a dois quarteirões do Minhocão.

Todo domingo, pego minha bicicleta e, sem opções de ciclovias, acabo em cima do Minhocão. É o único lugar na região onde não se corre o risco de ser atropelado por um caminhão.

Aos domingos, há uma feira no Largo de Santa Cecília. Passando pelo Minhocão de bicicleta, por cima do Largo, dá para ver, na alça que sai do Minhocão e acaba próximo à Amaral Gurgel, a multidão sentada no asfalto, fumando crack e comendo restos da feira. É uma das imagens mais horripilantes. E acontece, religiosamente, todo domingo.

Gosto de levar minha filha para passear de bicicleta. Ela não tem nem 3 anos, mas já viu mais zumbis que o George Romero. Outro dia me perguntou: "Papai, aquele moço tá comendo papel?" Estava.

Viciados sempre existiram no Centro. Mas hoje, depois que a Prefeitura fechou alguns albergues e o crack caiu de preço, a situação chegou ao limite. Antigamente não se via gente fumando pedra em cima do Minhocão. Eles sempre se escondiam nas alças de acesso. Domingo passado, às 11 da manhã, vi um grupo de 14 pessoas (contei!), com cachimbos, latinhas e folhas de papel alumínio, fumando crack tranquilamente, enquanto famílias andavam de bike ou passeavam com os cachorros.

Os viciados precisam de tratamento, não de polícia. E nós, que moramos perto do Centro e pagamos impostos, não merecemos conviver com isso diariamente.

Por isso, quando a velha idéia de demolir o Minhocão vem à tona, me animo.

Não que isso vá resolver o problema do crack, longe disso. Só um investimento maciço do poder público pode fazer isso. Mas vai valorizar o Centro, limpar as ruas e dar um pouco de beleza a uma das regiões mais maltratadas da cidade.

Ah, mas vai atrapalhar o trânsito. E daí? Dane-se o trânsito. Pessoas são mais importantes que carros. Quem quiser que ande de transporte coletivo ou procure rotas alternativas. O que não dá é sacrificar bairros inteiros para poupar 15 minutos de engarrafamento.

Escrito por André Barcinski às 12h59

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Adeus, JB!

Crônica de uma morte anunciada: o Jornal do Brasil acabou

Adolescente, eu morava na Ilha do Governador, no Rio, e estudava no Centro. Isso significava que, todo dia, meu ônibus passava em frente ao prédio do Jornal do Brasil, próximo à Rodoviária Novo Rio.

Eu já sonhava em ser jornalista, por influência de meu avô, Paulo Albuquerque, que trabalhou para o Correio da Manhã e por muitos anos escreveu sobre romances policiais. O Jornal do Brasil parecia um sonho inatingível.

Em 1988, consegui um estágio de fotógrafo no jornal. A redação era uma verdadeira Disneylândia para um obcecado por jornalismo como eu. Só tinha fera.

No Caderno B, Tárik de Souza, João Máximo, Jamari França e Arthur Dapieve escreviam sobre música. Susana Schild era a crítica de cinema. Joaquim Ferreira dos Santos estava por lá, e Zózimo escrevia a coluna social. Na editoria de política, Villas-Boas Corrêa dominava. Ainda tinha o Ancelmo Góis.

Mas eu gostava mesmo era de dar uma banda pela editoria de Esportes, onde João Saldanha batia ponto. Eu adorava ver o velhinho contando suas histórias - quase todas mentiras, mas isso não importava.

Na editoria de fotografia, eu era o caçula de uma turma que incluía Evandro Teixeira, Ronaldo Theobald, Geraldo Viola, Bruno Veiga, Custódio Coimbra, Sergio Moraes, Marcelo Carnaval, Adriana Lorete, Raimundo Valentim e tantos outros. Ficava bobo ouvindo as histórias do Evandro sobre a Copa de 1962, sobre os equipamentos precários que eles usavam na época.

Em 1989, fui escalado para cobrir a eleição presidencial. Como eu era novato, me colocaram para acompanhar um candidato que estava nas últimas colocações, um caçador de marajás lá de Alagoas, um tal de Fernando Collor de Mello. Fotografei o lançamento da candidatura de Collor, no Rio, uma festa mixuruca sem nenhuma fanfarra. Algumas semanas depois, apoiado pela Globo, ele seria o líder das pesquisas e eu, por sorte, continuei na cobertura. Inesquecível.

Leio sobre o fim do JB e quase engasgo. Como pode?

 

 

Escrito por André Barcinski às 16h03

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Paulo Moura (1933-2010)

Um dos maiores músicos do Brasil se vai...

Ele é um gigante. Por quase 60 anos, Paulo Moura tocou com - Ary Barroso, João Donato, Ella Fitzgerald, Jacob do Bandolim, Radamés Gnatalli, Nat King Cole, Wagner Tiso, Arthur Moreira Lima, Leonard Bernstein, Raphael Rabello, Clara Sverner, Joel Nascimento, Yamandu Costa. Todo mundo.

Não existe um músico brasileiro que, de alguma forma, não tenha sido influenciado por ele. 

É uma daquelas perdas que não só entristece, como nos deixa mais pobres.

Veja Paulo Moura e Heraldo do Monte tocando "Naquele Tempo" (Pixinguinha / Benedito Lacerda)

 

Aqui, Moura, Heraldo do Monte e Arthur Moreira Lima tocam "Pedacinho do Céu", de Waldir Azevedo

 

Escrito por André Barcinski às 10h02

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Sexo, drogas e Iggy Pop

LIVROS: O mais alucinado “frontman” do rock finalmente ganha uma biografia

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Acabei de ler “Iggy Pop – Open Up and Bleed”, uma sensacional biografia (a primeira?) de um dos maiores personagens do rock.

 

O autor, Paul Trynka, ex- editor da revista inglesa “Mojo”, conta a trajetória de James Osterberg desde a infância de classe média - e não passada em um trailer imundo, como sempre disse Iggy - até hoje.

 

As histórias de Iggy e seus comparsas dos Stooges, especialmente os irmãos Ron e Scott Asheton, são inacreditáveis. Bacanais, orgias de drogas, casamentos com adolescentes, pancadarias no palco, mortes e tudo mais. Há um capítulo que eu tive de ler duas vezes só para ter certeza que não estava alucinando: Iggy vai passar férias no Haiti, onde acaba envolvido com magia negra e é perseguido pelos tonton macoutes, a temida milícia paramilitar do ditador Papa Doc Duvalier.

 

Outro tema interessante e muito bem explorado por Trynka é o relacionamento de Iggy e David Bowie. Este, impressionado com o carisma de Iggy, tomou-o sob suas asas e lhe deu abrigo e ajuda quando Iggy mais precisou. Em troca, roubou sua persona e copiou descaradamente seu estilo para criar Ziggy Stardust, seu personagem mais famoso.

 

Por favor, alguém publique este livro no Brasil!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Escrito por André Barcinski às 00h00

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A Copa acabou. Que comece o futebol!

Finalmente podemos nos dedicar a coisas mais importantes, como o Brasileirão

Eu adoro futebol. Mas odeio Copa do Mundo. Odeio os comerciais de TV, os comentaristas corneteiros e odeio meus vizinhos que jogam lixo na calçada, mas que na hora do jogo batem no peito e sopram suas vuvuzelas.

A última vez que torci para a seleção foi em 82. Eu era novo e não me chateava com ufanismos do tipo “Voa Canarinho, Voa”. E aquele time dava gosto. Desde então, sofremos com Lazaronis, Leões, Pachecos, Galvões, Dungas, Parreiras, Felipões, Ricardos Teixeiras e outras coisas ainda piores. A CBF transformou a seleção num balcão de anúncios. A ponto de o time campeão de 1994 celebrar o título levantando o dedinho, como no comercial de uma cerveja.  Passei a torcer contra.

A Copa de 2010 foi a pior de todas. Não me lembro de uma seleção tão antipática e sem carisma.

O que foi o Kaká se dizendo vítima de “preconceito religioso”? Kaká, meu filho, aprenda de uma vez por todas: ninguém se interessa por sua crença. Não me importo se você é evangélico, macumbeiro, espírita ou satanista. O que me perturba é ver você e sua turma transformando o gramado numa missa campal transmitida ao vivo pela TV. Isso é mercantilização da fé. Quer rezar? Ótimo, reze bastante antes e depois dos jogos, mas não faça disso um espetáculo público.

E o Dunga? Esse é o sujeito rancoroso que, no momento sublime da carreira de um jogador, ao levantar a Copa do Mundo de 94, só conseguiu lembrar de xingar os jornalistas. Bellini inventou o gesto icônico de levantar a taça; Carlos Alberto ajeitou o troféu nas mãos e, sorrindo, exibiu-o para o mundo. Já Dunga mandou todos para a puta que os pariu.

O que dizer então do auxiliar técnico Jorginho, o fanático religioso que quis mudar o mascote do América carioca, o diabinho, para uma águia? E a máscara do Júlio Cesar, o goleiro que fica melindrado porque a imprensa noticia que ele está machucado? Dá para torcer por esses caras? Eu não.

Daqui a alguns dias, recomeça o Brasileirão. Meu time – o Flu – está em terceiro, e embalado. Retorno ao sofá para ver futebol.

Escrito por André Barcinski às 00h02

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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