André Barcinski

Uma Confraria de Tolos

 

Tchau, Shrek!

"Shrek para sempre" é o último filme da série. Nosso veredito: já vai tarde!

Shrek, coitado, está exausto. O que exploraram esse infeliz não está escrito. Nos últimos nove anos ele fez quatro filmes, além de incontáveis aparições em parques temáticos, programas de TV, brinquedos e videogames. Se alguém merece umas férias, é o simpático ogro verde. E a julgar por “Shrek para Sempre”, anunciado como o último filme da série, os fãs é que agradecem. Para continuar assim, melhor parar.

O novo filme é uma tentativa de espremer os últimos dólares de um “franchise” que já rendeu bilhões. É uma comédia arrastada e preguiçosa, que apenas recicla piadas e situações dos filmes anteriores e aposta na fidelidade dos fãs. Para diferenciá-lo dos três primeiros filmes, “Shrek para Sempre” é em 3D. Mas é um 3D genérico, banal e desnecessário, que adiciona muito pouco às cenas.

A história é inspirada em “A Felicidade Não se Compra” (1946), o clássico natalino de Frank Capra com James Stewart no papel de um homem bondoso que, contemplando o suicídio, encontra um anjo que mostra como seria a vida caso ele não tivesse existido.

Aqui, Shrek, casado com a ogra Fiona e pai de três ogrinhos, tem uma crise de meia-idade. Saudoso dos tempos de solteiro, quando aterrorizava a população, ele faz um pacto com o maldoso bruxo Rumpelstiltskin, que lhe promete um dia de liberdade total. O resultado é trágico: Shrek acaba numa versão diferente do seu mundo, em que ele não conhece sua mulher e seus amigos.

Se os dois primeiros filmes surpreenderam com um humor afiado e referências à cultura pop, aqui o texto parece desgastado. O diretor Mike Mitchell (“Gigolô por Acidente”) ainda tenta injetar alguma graça, usando músicas de Carpenters e Beastie Boys, mas o filme não decola. Apesar disso, os personagens são tão bons e têm tanta empatia com o público que os fãs perigam se divertir com o adeus do monstro verde.

COTAÇÃO: REGULAR

Escrito por André Barcinski às 08h40

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Nós vamos invadir sua praia!

Nesse feriado visite Laranjeiras, o paraíso que os ricaços não querem dividir

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Poucas coisas na vida são tão boas quanto curtir uma praia paradisíaca. Mas não há NADA melhor que curtir uma praia paradisíaca na qual você não é bem-vindo, mas onde ninguém pode te impedir de entrar.

É o caso de Laranjeiras, um paraíso localizado próximo a Trindade. Na praia há um condomínio de luxo, que há anos tenta restringir o acesso de nós, mortais.

Em vão: por determinação da Justiça, o condomínio foi obrigado a abrir uma trilha que leva à praia. É um caminho fácil, de mil metros, terminando num riacho cristalino que desemboca numa praia de areias finas e mar calmo. Uma coisa linda. Para melhorar, os mordomos limpam a areia com rastelo (ou ancinho, para nós cariocas). Afinal, rico brasileiro não gosta de pisar nem em folha.

Estive na Praia de Laranjeiras há algumas semanas. A hospitalidade do condomínio é comovente: assim que chegamos, fomos seguidos por um segurança, que nos acompanhou de perto pelas quase duas horas em que andamos pela praia. Me senti o próprio Hannibal Lecter, vigiado no sanatório de segurança máxima. Um luxo.

Tanta simpatia me motivou: agora, toda vez que for ao litoral, farei uma visita a Laranjeiras. Levarei todos os meus amigos e recomendarei a todo mundo. Se você estiver próximo a Trindade nesse feriado paulistano de 9 de julho, te encontro lá. Chegar é fácil (apesar de não haver uma placa sequer): é só pegar a entrada para Trindade, na Rio-Santos, e entrar na primeira à esquerda. Estacione na entrada do condomínio, dê seu número de RG na guarita, e boa praia. E pode mandar sua foto em Laranjeiras, que eu publico aqui. Combinado?

 

Escrito por André Barcinski às 08h56

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Melhores filmes de 2010 (até agora...)

O ano já está na metade. Hora de fazer nossa lista dos melhores filmes que chegaram aos cinemas brasileiros. Em ordem crescente, meus favoritos:

 

5 – “Contatos de Quarto Grau”

Eu sei, vão me xingar e reclamar, como fez uma crítica de uma famosa revista semanal, inconformada por eu ter gostado desse terror B com Milla Jovovich. Mas fazer o quê? Eu adorei esse filme. Gostei da tensão, gostei dos efeitos e gostei, especialmente, da cara-de-pau do diretor em vender tudo como verdade. Já saiu em DVD. Assista e diga se concorda...

 

4 – “Coração Louco”

Sabe aqueles dramas que Hal Ashby (“Amargo Regresso”, “Esta Terra é Minha”) costumava fazer nos anos 70? Este filmaço com Jeff Bridges me lembrou de Ashby. O filme tem ainda a melhor trilha sonora do ano até agora. Já saiu em DVD.

Leia minha crítica aqui

 

3 – “Guerra ao Terror”

Revi outro dia na TV e gostei mais ainda. Tem várias cenas memoráveis, mas o tiroteio no deserto é daquelas de antologia.

 

2 – “Ilha do Medo”

Scorsese em sua maior homenagem a Samuel Fuller. Terror psicológico de primeira. Acho que muita gente ficou esperando um final surpreendente e não admirou a loucura da narrativa, que é bem mais interessante que a loucura da história.

Leia minha crítica aqui

 

1 – “O Profeta”

Estreou e ninguém deu bola. Corra para ver nos cinema, enquanto não é engolido por “Toy Story 3” e “Eclipse”.

Leia minha crítica aqui

Escrito por André Barcinski às 00h21

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Ringo, 70

MÚSICA: Para celebrar o aniversário do ex-Beatle, escolhemos suas melhores canções

 

Quarta, 7 de julho, Ringo Starr faz 70 anos. Para homenageá-lo, escolhi as minhas cinco músicas prediletas de Ringo. Só incluí músicas de sua carreira-solo . Mande a sua lista e vamos compará-las.

 

Aí vão, em ordem crescente, os cinco grandes momentos de Ringo:

 

5 - "Walk With You"

Baladona linda do mais recente disco de Ringo, “Y Not”. Paul McCartney gostou tanto que se ofereceu para ajudar no refrão

 

4 - "Back Off Boogaloo"

Inspirada por um encontro com o amigo Marc Bolan (T-Rex), é um rockão pesado e sujo, gravado por Ringo em 1972

 

3 - "Never Without you"

Ainda abatido pela morte do chapa George Harrison, em 2001, Ringo gravou essa linda homenagem, com ajuda de Eric Clapton

 

2 - "It Don't Come Easy"

Uma grande parceria de Ringo e George Harrison, com Stephen Stills no piano e um vibrante arranjo de metais. Veja Ringo, George e uma superbanda tocando a faixa no Concerto para Bangladesh, em 1971

 

 

 

1 - "Photograph"

Outra parceria com Harrison, lançada em 1973, com uma letra que tomou outro sentido com a morte do amigo: “Cada vez que vejo seu rosto / Me lembro dos lugares em que estivemos / Mas tudo que tenho é uma fotografia / E percebo que você não vai mais voltar”. Lindo de chorar.

Escrito por André Barcinski às 18h08

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Yanni: de ícone do brega a ícone de Beck

MÚSICA: o grego, que toca no Brasil em setembro, vira hype com a ajuda de Beck

Quem diria. Yanni, o compositor new age grego odiado pela crítica e que faz aquelas pomposas músicas instrumentais que ecoam em 99% dos salões de dentistas do mundo, está virando hype. E a culpa é de Beck.

O músico americano criou o Record Club, projeto em que chama amigos músicos para regravar – e reinterpretar - um álbum inteiro. Beck jura que a coisa toda é gravada sem ensaios, no improviso mesmo.

A trupe já atacou discos de Velvet Underground, Skip Spence, Leonard Cohen e INXS. Agora chegou a vez de Yanni. Seu LP “Yanni – Live at the Acropolis” foi regravado faixa a faixa por um timaço que inclui Thurston Moore (Sonic Youth) e o Tortoise. Até o Pitchfork elogiou.

Compare as duas versões. Primeiro, veja Thurston Moore improvisando letras na faixa instrumental “Santorini”:

 

Aqui, a versão original (quem quiser ver o sósia do Belchior ao vivo pode ir no Credicard Hall, dias 21 e 22 de setembro):

 

Pra quem curtiu, aqui vai a versão alucinada de “Tiny Daggers”, do INXS, executada por membros dos Mutantes, St. Vincent e Liars.

 

E aqui, a original, com o INXS

Escrito por André Barcinski às 18h13

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Faith No More tocando Ennio Morricone?

MÚSICA: Mike Patton surpreende de novo ao gravar clássicos do pop italiano

Mondo Cane (2010)

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mike Patton é um cada admirável. Ganha fortunas no Faith No More e gasta boa parte lançando discos experimentais e estranhos por sua notável gravadora, a Ipecac. Além dos muitos projetos de Patton – Peeping Tom, Fantômas, Tomahawk – a Ipecac lança artistas como Melvins, Zu, Dalek e Young Gods.

O mais novo projeto de Patton é “Mondo Cane”, uma sensacional coleção de clássicos do pop italiano dos anos 50 e 60. Patton morou na Itália por um bom tempo e é um apaixonado pela música do país. Juntou uma ótima orquestra e gravou músicas de Gino Paoli, Fred Bongusto, Ennio Morricone e outros.

“Mondo Cane” é um disco caprichado, com arranjos complexos e excelentes músicos. Ao contrário de algumas regravações de músicas “cafonas” brasileiras, que caem sempre na paródia, Patton quer realmente celebrar o pop italiano, que ele considera inventivo e experimental.

Desde já, um de meus discos prediletos de 2010.

Veja Mike Patton e orquestra tocando “Il Cielo in Uma Stanza”, de Gino Paoli

 

Escrito por André Barcinski às 17h55

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Já estragaram Asterix. Agora é a vez de “O Pequeno Nicolau”...

CINEMA: mais uma obra de René Goscinny é adaptada sem sucesso para as telas

“O Pequeno Nicolau” é uma série de histórias em quadrinhos infantis lançada na França em 1959. Desenhada por Jean-Jacques Sempé e escrita por René Goscinny (1926-1977), co-criador dos gauleses Asterix e Obelix, faz grande sucesso até hoje. Para seus muitos fãs, é uma pena que o filme inspirado nos livros, que estreou no Brasil, seja tão chocho e sem graça.

Mais de meio século depois de lançadas, as histórias de Goscinny e Sempé ainda mantêm seu charme juvenil. Narradas em primeira pessoa, contam as aventuras de Nicolau na escola, sua relação com os pais e os amigos. Nicolau é um menino sonhador, que vai descobrindo o mundo segundo uma lógica própria. Tudo é ingênuo e charmoso.

Já o filme é outra história. Dirigido por Laurent Tirard (“As Aventuras de Molière”), tenta resgatar o humor inocente dos livros, mas lhe falta leveza. O roteiro apenas costura piadas e situações absolutamente previsíveis.

No filme, Nicolau é uma criança feliz: adora os pais e se dá muito bem com os colegas de classe, o ricaço Godofredo, o glutão Alceu, o limitado Clotário e o geniozinho Agnaldo. Mas sua vida idílica é ameaçada quando ele ouve uma conversa dos pais e põe na cabeça que a mãe está grávida. Preocupado com a chegada de um irmãozinho que, acredita, vai mudar sua vida para pior, ele planeja raptar o irmão que está para nascer.

A história é só um pretexto para um desfile de situações cômicas manjadíssimas: Nicolau e os amigos tentam fazer uma limpeza na casa dos pais, mas acabam quase destruindo o lugar; a turma se esconde num carro que acaba descendo uma ladeira, desgovernado. E por aí vai.

Em livro, essas piadas funcionam. Sempé tem um traço simples, quase minimalista, que deixa muito espaço para a imaginação. Os textos e diálogos de Goscinny complementam os desenhos com um humor fino e muita ironia. A transposição para a tela, no entanto, tira grande parte do charme das histórias.

Não é a primeira vez que uma obra de Goscinny é adaptada para o cinema sem sucesso. Quem viu Gerard Depardieu no papel de Obelix sabe disso. Como diria um ex-ministro, algumas coisas são “imexíveis”.

Para os fãs, “O Pequeno Nicolau” pode ser um prazeroso exercício de nostalgia. Muitos vão gostar de ver seus personagens queridos em carne e osso. A reconstituição de época é muito bonita, e é sempre um prazer ver a França dos anos 50. Mas para quem não está familiarizado com os quadrinhos, o filme é só uma comédia mediana sem nada de novo. Na dúvida, fique com os livros.

COTAÇÃO: REGULAR

Escrito por André Barcinski às 17h45

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PERFIL

André Barcinski André Barcinski, é crítico da Folha, diretor e produtor dos programas "O Estranho Mundo de Zé do Caixão" e "Preliminares", no Canal Brasil, e co-apresentador do programa "Garagem", na Rádio UOL.

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